sábado, 19 de maio de 2012

TORNEIO DESORGANIZAÇÕES GROBO BOSTA DE FUTEBOL

Nos tempos idos, já era uma grande preocupação de João Saldanha, ilustre botafoguense e gremista, placas de publicidade em volta dos gramados, patrocínios estampados nas camisetas dos clubes e contrato em dólar. Ao ver a camiseta de seu clube com um patrocínio, clássica foi a frase do lendário presidente corintiano, Vicente Matheus: "venderam o Corinthians"?

Na medida em que as receitas e dívidas gigantescas dos clubes começaram a aumentar com as estampas publicitárias, a grande fonte de recursos a manter os clubes passaram a ser a venda dos direitos de transmissão televisiva, sem contar o painel publicitário que se tornaram as camisas dos clubes, com patrocínio nas mangas, cintura e até mesmo na bunda dos calções. A cada camiseta, calção e meião que adquirimos, fazemos propaganda sem ganhar nada por isso. Somos outdoores ambulantes que topam qualquer negócio para vestir o "manto sagrado".

Por ser o país do futebol, o que diferencia o Brasil dos demais países é que aqui não há dois, três ou quatro grandes clubes atrás de títulos, mas sim pelo menos os doze de Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul, sem contar que Bahia, Coritiba e Sport também já faturaram o caneco. Porém, com a instituição dos pontos corridos e a disparidade de recursos paga pelas desorganizações grobo bosta, o futebol brasileiro caminha para a própria morte.

Se o Clube dos 13 era/é ou não uma instituição idônea, é outro assunto. Independente disso, quando no ano passado os clubes se rebelaram contra ele e passaram a negociar individualmente seus direitos de TV com as desorganizações grobo bosta, deu-se o primeiro passo para a disparidade, uma vez que uns terão quantias oriundas dos direitos de TV maiores que os de outros. Logo, é mais dinheiro para contratar e pagar maiores salários a melhores jogadores, algo que não será possível a clubes que tiverem menor poder econômico. Se as coisas se mantiverem assim, se estabelecerá uma casta que mudará toda a ordem de forças do futebol brasileiro e fará com que pouquíssimos clubes protagonizem vitórias e títulos, em detrimento de inúmeros demais que apenas se prestarão ao papel de coadjuvante.

No que pese a fórmula dos pontos corridos ser mais justa, ela por outro lado deu um tiro no pé do futebol brasileiro, pois encareceu o orçamento de inúmeros clubes que no meio do campeonato já não tem mais interesse nenhum: não estão brigando pelo título, por vaga na Libertadores e nem para não serem rebaixados para a segunda divisão. Cumprem tabela, como se diz no futebolês. Porém, a disparidade de recursos entre eles é culpa deles mesmos, pois o modelo proposto pelo Clube dos 13, que seria comprado pela Rede TV!, dividiria igualmente entre os clubes as cotas de TV. Sabe-se lá por quais motivos, clubes que foram prejudicados com essa venda disparitária dos direitos televisivos a tudo aceitaram de forma subserviente. Resultado: Flamengo e Corinthians sempre terão mais dinheiro para contratar e seus jogos serão os mais transmitidos ao longo das 38 rodadas do campeonato. A íntima relação pública CBF - Andrés Sanchez, ex-presidente do Timão, não é mera coincidência.

O que se iniciará neste final de semana não é o Campeonato Brasileiro do futebol que mais conquistou Copas do Mundo, mas sim de uma emissora de TV golpista, veículo de comunicação oficial da ditadura militar, que atualmente manda e desmanda no futebol brasileiro e impõe sua casta antidesportiva através da compra dos direitos televisivos de clubes cujos dirigentes, salvo raríssimas exceções, sequer moveram uma palha para impedir o prejuízo das instituições que representam. Otário daquele que torce.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre o torneio de futebol das desorganizações grobo bosta:

domingo, 6 de maio de 2012

UMA CHANCE AO FUTURO

Não estamos diante de uma eleição na qual a crise derrubou mais um Presidente, mas sim de uma eleição na qual um povo, através do seu eleitorado, escolheu a alternativa àquele que levou o país à crise. A bem da verdade, Sarkozy não somente deixou de combater a crise como também a moldou e a administrou, a ponto de interferir nos assuntos internos de vários países para, interna e externamente, conduzir a elaboração e execução de pacotes de austeridade que somente beneficia os mais ricos.

As eleições presidenciais francesas celebraram o fim da dupla "Merkozy". Soma-se a isso uma Itália política e economicamente enfraquecida, unida a uma Inglaterra autosuficiente em relação à zona do euro: a toda poderosa Angela Merkel, Primeira Ministra Alemã, está sozinha na liderança da solução da crise econômica que aflige a Europa.

A vitória de Hollande deve ser, necessariamente, a vitória contra o racismo e a xenofobia. Se as fronteiras foram inventadas pelo homem e há linhas divisórias que separam países, as regras de imigração não podem se basear na origem dos imigrantes e sua suposta inferioridade, pouco menos na cor de suas peles. O legado nazista de Sarkozy deve cessar imediatamente, assim como a tolerância deve vir à tona com o fim da proibição das mulheres francesas, adeptas do islamismo, de usarem a burca.

Entretanto, é muitíssimo provável que todo o debate das questões que separaram diametralmente Sarkozy e Hollande se dará intensamente. Bem analisado pelo professor e sociólogo Emir Sader, considerável elemento da vitória é o fato de que metade dos eleitores de Marine Le Pen, da extrema direita, não votaram em Sarkozy no segundo turno, ou seja, as propostas de Hollande e do Partido Socialista devem ser colocadas em prática de modo a convencer parte do eleitorado francês a mudar de opinião e até mesmo a preferência política.

O triunfo de Hollande demonstra, acima de tudo, que política não é somente técnica, que 1+1=2 não é a receita para a saída da crise para o povo francês e todos os povos do mundo. Há de ter propostas e criatividade a partir daquilo que se vive, daquilo que se sente. Independente das justificativas técnicas, o povo francês disse não à xenofobia, ao racismo, à versão moderna do nazismo e aos pacotes de austeridade para darem uma chance a um futuro melhor.

Em tradução livre: Vive le peuple! Vive la France!



Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre a vitória de Hollande e a conjuntura política europeia sobre a crise:


sábado, 14 de abril de 2012

10 ANOS DE ESPERANÇA: UM MERO TESTEMUNHO

Uma vez que nos dispomos, até mesmo com nossas próprias vidas, a sermos todos construtores de uma sociedade mais justa e igualitária, nos miramos em inspirações que reforçam nossos sonhos. No caso deste que vos escreve, há sim muita admiração por Fidel, Lula, Mujica, Evo e inúmeros outros líderes que conduziram processos políticos que mudaram algo na vida dos mais pobres, em maior ou menor escala. Porém, no coração deste que vos escreve, Hugo Chávez ocupa um lugar especial.

Há 10 anos, ainda com internet discada, sem redes sociais, blogues e agências progressistas de notícias, o infeliz PiG ainda era o grande fornecedor de informações. Tinha de se ler muito, mas muito mesmo nas entrelinhas, para concluir que determinado processo político era progressista e revolucionário. Eu tinha 16 anos, estava me formando politicamente, optei pelo socialismo e já tinha a consciência da necessidade de se lutar contra o imperialismo. Vivíamos uma vitoriosa campanha contra a indecente ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), seguida da também vitoriosa campanha que finalmente nos deu a chance de ver O Metalúrgico na Presidência. Enquanto isso, um "populista" era vítima de um golpe de Estado num país que só era destaque na imprensa desportiva quando clubes brasileiros iam pra lá disputar partidas da Libertadores.

Eis que então, de uma forma ou de outra, passávamos a ter notícias de que Chávez, em seus discursos latinamente inflamados, utilizava os recursos do abundante petróleo venezuelano para desenvolver políticas populares, bem como tinha no neoliberalismo e nos EUA seus grandes inimigos. Nisso tudo, um referendo acabara de promulgar uma nova Constituição. Estava em curso a Revolução Bolivariana.

Em meu íntimo, a então desconhecida Revolução Bolivariana era a resposta de que não estávamos sozinho. Era e é possível governar de forma democrática e popular, junto ao povo, por mais que isso custe mentiras diárias nas páginas e vinhetas dos jornalões da grande mídia que, na verdade, estes sim preferem a ditadura. Em suma, era e é possível sim levar adiante um projeto político alternativo ao neoliberalismo, é possível sim construirmos o socialismo do século XXI.

Na época dos fatos ainda havia um pacote básico de TV por assinatura em casa. Num domingo recebi uma ligação telefônica, pois na TV Senado estava passando o maior flagrante de golpes de Estado: A Revolução Não Será Televisionada. Dali em diante não havia mais dúvida de que a direita venezuelana, apoiada pelos grandes meios de comunicação e pelos EUA,havia tentado derrubar um Presidente legitimamente empossado. Enfim, há fatos e protagonistas que nos enchem de esperança e vontade para fazermos todos os nossos esforços no sentido de construir nossa tão sonhada sociedade de iguais. Quando vi pela TV, aos meus 16 anos, naquele 14 de abril de 2002, Chávez sendo reconduzido à Presidência da Venezuela, tive a mais absoluta e eterna certeza de que nossos sonhos estão mais vivos do que nunca. Sou privilegiado por viver e testemunhar esta façanha.

Obrigado, Hugo Chávez!

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre o dia 14 da abril de 2012:



domingo, 1 de abril de 2012

DITADURA NUNCA MAIS!

Há 48 anos, o Brasil acordava sob os infelizes auspícios de um regime que seria a maior vergonha de sua história. Da noite pro dia, direitos fundamentais civis e políticos eram suprimidos em nome de um regime supostamente anti comunista que torturou e matou diversos seres humanos das mais variadas linhas de pensamento político que fizeram a opção pela resistência. Diversas sequelas desta poluição política e histórica ainda não foram sanadas.

É inegável o caráter patrocinador do governo estadunidense a uma empreitada política que infelizmente teve sucesso. Telefonemas da embaixada no Brasil para Washington, envio de enormes quantias de dinheiro e todos os esforços feitos no sentido de livrar nosso país das reformas de base encaminhadas pelo Presidente João Goulart, as quais os EUA consideravam hostis aos seus interesses. Tal intervenção estrangeira fazia cair por terra dois dos mais essenciais princípios de direito internacional: a autodeterminação dos povos e a soberania. Da noite de 31 de abril de 1964 até o final do regime, o Brasil se submetia militarmente aos mandos e desmandos dos EUA.

Depois do golpe no Brasil, vieram as ditaduras nos demais países do Cone Sul. A grande diferença reside no final delas. Enquanto Chile, Uruguai e Argentina tratam de averiguar os ocorridos e punir os assassinos e torturados de outrora, diversas pessoas que cooperaram com os regime de exceção estão ativas até hoje na cena política brasileira. A Comissão da Verdade é bem vinda, mas somente ela não basta. É preciso punir de alguma forma, sem exceção, todos aqueles que cooperaram e favoreceram as atrocidades cometidas pela ditadura.

Enquanto essas pessoas não são punidas, algo é preocupante e estarrecedor: a mentalidade pró-ditadura ainda existente numa minoria, mas que não pode ser ignorada, como por exemplo o questionamento do Senador Agripino Maia ao fato da atual Presidente Dilma ter mentido na ditadura. Lá e cá sempre se escutam pseudo argumentos do tipo "a ditadura nos salvou dos comunistas", "a ditadura foi um mal necessário", "foi torturado na ditadura quem era baderneiro", "no tempo dos militares o crescimento do Brasil foi maior do que na democracia". Argumentos chinfrins que ainda ecoam na mente dos acríticos à história e dos alienados. Lastimável.

Outra lenda da época infeliz, e isso é o que mais importa nesta página, é a ideia de que a grande imprensa foi perseguida no período de exceção. Cães de Guarda, de Beatriz Kushnir, desmente totalmente essa falácia. Os grandes meios de comunicação do Brasil foram fundamentais para que a repressão fizesse o que bem entendesse. As desorganizações grobo se tornaram o meio de comunicação oficial do regime, enquanto a Folha de São Paulo emprestava seus carros para os torturadores da Operação Bandeirantes darem fim nos seus inimigos políticos.

Capa do jornal O Globo. A imprensa era mesmo perseguida?

Todos aqueles que lutaram contra a ditadura não eram assassinos, assaltantes de bancos, pouco menos terroristas subversivos. São heróis da resistência que, dotados de espírito cidadão, foram à luta e ofereceram seus próprios corpos e suas próprias vidas contra as maiores atrocidades já sofridas pelo povo brasileiro. Por isso é impossível conceber que ainda haja uma Lei da Anistia que tenha perdoado tanto torturados como torturadores. Sendo o Brasil réu na Organização dos Estados Americanos em razão de crimes cometidos pela ditadura, a anista deve passar a valer somente para as vítimas do regime o quanto antes.

Tenhamos conhecimento e notícia dos fatos históricos para que episódios infelizes e espúrios não se repitam. Frase diversas vezes utlizadas aqui, nunca é demais utilizá-la novamente: um povo que não conhece sua história está condenado a repetí-la. Sejam feitas todas as reparações históricas às famílias das vitimas da ditadura e sejam investigados e condenados todos aqueles que cometeram crimes de tortura, lesa pátria e lesa humanidade, uma vez que estes crimes são imprescitíveis.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre a infeliz ditadura que vivemos:

domingo, 4 de março de 2012

FIFA OU SOBERANIA

Quando externou a suposta preocupação da FIFA com o cronograma das obras para a Copa do Mundo de 2014, o Secretário Geral da entidade, Jérôme Valcke, disse que era necessário um chute no traseiro do Brasil para que as obras andassem mais rápido. Mais uma vez, torna-se evidente a arrogância da FIFA em querer um país disponível a ela durante o tempo de realização de uma Copa. Também escancarou-se como algumas pessoas do chamado "primeiro mundo" ainda tentam nos tratar.

A ingerência da FIFA é algo que merece todo o repúdio. Os defeitos e virtudes que caracterizam o Brasil são objetos de discussão e ajuste que possuem apenas um interessado: o povo brasileiro. Infelizmente, desde a descoberta pelos portugueses, o Brasil tem um problema crônico: a utilização da coisa pública para benefícios privados. Por isso a corrupção é cultural no Brasil, o que leva a um outro problema crônico: a legislação em causa própria.

Ao querer restringir o direito de greve em certos setores, a meia entrada de estudantes e idosos, bem como a liberação de bebida alcóolica nos estádios, dentre outras coisas, o objetivo da FIFA é que o Congresso legisle em sua causa, não com o objetivo de assegurar uma realização decente da Copa, mas simplesmente de afastar qualquer risco dos seus interesses lucrativos. Todavia, a FIFA deve e muito no cartório e por isso deveria pautar maiores preocupações que devem ser resolvidas no seu âmbito interno em detrimento de articulações legislativas com congressistas brasileiros.

Essencialmente, a FIFA é uma ditadura privada afastada quase que totalmente de qualquer controle público e transparente. Seus dois últimos presidentes se eternizaram no poder sem qualquer oposição: João Havelange por 24 anos, Joseph Blatter já há 14. Ameaças são distribuídas a clubes e jogadores que tentam pleitear seus direitos na Justiça Comum, pois distante de qualquer prestação de contas públicas, a FIFA somente aceita a resolução de controvérsias através de convenções de arbitragem. Há, nitidamente, um conflito entre um privatismo ludopédico que tenta impor a renúncia de soberania ao Brasil no que se refere a Copa do Mundo, seja no tocante às obras, seja no tocante à legislação. Nas palavras do grande sociólogo Emir Sader, tentam nos impor o rumo das obras da Copa da mesma maneira que o FMI tentava impor o rumo da nossa economia nos anos 90. Enquanto isso, Ricardo Teixeira, que é membro de órgãos internos da FIFA, lava dinheiro à vontade e nada é feito contra ele.

Nota 10 para Juca Kfouri. Podem estar criando uma situação para mandar a Copa para a Inglaterra ou salvar Ricardo Teixeira. Porém, nota zero para Kfouri, que diz se tratar de uma briga de gângsteres. Os aprendizes de Al Capone estão do lado de lá.

Nota 10 para Mauro Cézar Pereira, da ESPN Brasil. Jérôme Valcke tem uma visita agendada ao Brasil e suas palavras são motivos mais do que suficientes para que sua entrada no país seja impedida. Porém, nota zero para ele, ao dizer que a FIFA tem escolhido lugares com alto nível de corrupção para realizar seus eventos e então fugir mais ainda de qualquer controle. EUA, França e Alemanha são países bem mais corruptos que Brasil e África do Sul, são corruptos e corruptores a nível internacional. Sem dúvidas que estamos diante de um grande cronista esportivo, mas se ele ainda carrega consigo o infeliz complexo de vira latas, que guarde pra si.

Nota zero para o autor do artigo no que se refere a avaliar cronistas esportistas do calibre dos citados acima. Fora isso, cabe a você, leitora e leitor, dar a nota para este artigo, no que se refere ao assunto central.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre o conflito de interesses Brasil x FIFA:

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A AMEAÇA DE UM GOLPE BRANCO

Vivemos discretamente a ameaça de um certo golpe branco no Brasil. Policiais militares ameaçam fazer graves, fazem e fica tudo por isso mesmo quando o assunto termina. Policiais militares são servidores públicos estaduais comuns responsáveis pela segurança pública, ou são realmente militares, extensão do exército? Ora, se as corporações estaduais responsáveis pela segurança pública são as polícias militares, a Constituição é bem clara ao definir que ao militar são proibidas a sindicalização e a greve. Ao mesmo tempo, os policiais militares do Estado de São Paulo torturam, estupram, seviciam e matam estudantes, moradores do Pinheirinho e viciados em crack. Dispensam aos cidadãos o mesmo tratamento dado a eles pela infeliz ditadura militar. E ainda tem juizecas sem o menor pudor em declarar que a PM foi esplêndida ao despejar famílias de uma terra que nem sabemos de quem é. São Paulo, antro do conservadorismo brasileiro, é um Estado nazista. Uma intervenção federal se faz urgente.


Viva as mulheres do nosso país! Além de termos na Presidência uma mulher que, do alto de sua dignidade, foi presa e torturada pela ditadura, sua companheira de cela hoje é a nossa nova Ministra da Secretaria Especial de Política para Mulheres, Eleonora Menicucci. Ela, corajosamente, sem nenhum medo de assumir aquilo que pensa, declarou publicamente ser favorável ao aborto. Entretanto, um tema que deveria ser tratado a partir da ótica da saúde pública e da autodeterminação da mulher, é alvo constante de agressões gratuitas de religiosos que declamam serem contra a vida os favoráveis ao aborto.

Vivemos num país laico e de contrastes sociais, ainda que os governos Lula e Dilma tenham melhorado a condição de vida de milhões de brasileiros. Entretanto, enquanto a maioria dos milhões de mulheres pobres que precisam do SUS para abortarem não podem fazê-lo porque é crime e pecado, a minoria rica aborta em clínicas clandestinas que cobram uma nota preta para tanto, ou então utilizam as milhagens obtidas nas promoções do cartão de crédito para abortarem onde tal prática não é crime e nem pecado. As igrejas cristãs brasileiras, principalmente as católicas e pentecostais, não admitem que o Brasil é um país laico, sem religião oficial e querem, através de assuntos de ordem pública, impor suas crenças e apelos. Aliás, ainda existem crucifixos em repartições públicas?


O Brasil é um país continental no qual as opiniões se dividem. Deve-se estar ao lado do povo, mas em alguns momentos parte do povo erra sim, pois parte do povo é humano também e errar é humano. O problema é quando se erra feio e estes erros nos fazem de massa de manobra. E pior: ofendem princípios constitucionais.

O projeto da Lei da Ficha Limpa, iniciado pelo recolhimento de cerca de um milhão de assinaturas e declarado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, é uma ofensa à cidadania e à Constituição, bem como está longe de ser a resolução dos problemas da corrupção no Brasil, algo crônico desde a época das capitanias hereditárias. Foi Constituição, veio Constituição e o Brasil continua tendo sua máquina pública utilizada para satisfazer interesses privados. O Poder Judiciário, que fiscaliza os demais mas não é fiscalizado, não pode ter a prerrogativa de condenar a vida pública de alguém, do mais conhecido ao mais humilde, enquanto um processo não tem sentença transitada em julgado em ambos graus de jurisdição.

Em outras palavras, as pessoas que apoiam a Lei da Ficha Limpa sem sequer importar com suas implicações constitucionais, mais os cerca de um milhão de assinantes do projeto, assumem que o Brasil, cada vez mais necessitado de cidadãos politizados, deve ser conduzido despolitizadamente. Atribuem ao Judiciário impedir, sem condenação definitiva, a candidatura de um cidadão, porque transferem à Justiça algo que cada um deveria fazer: participar da vida política do país, participar da democracia. Argumentam que quem tem antecedentes criminais sequer é aceito no emprego pleiteado (assunto que deveria compor outra discussão) e que os cidadãos não possuem estrutura capaz de vigiar a vida dos seus políticos. Pura cascata.

É incrível a inversão de valores e como se morde a isca da sociedade do espetáculo. Procuramos saber se artistas da música estão casados ou divorciados, procuramos saber se atores e atrizes de novelas são hetero ou homossexuais, sabemos de cor e salteado as cifras dos caixas dos nossos clubes de coração, quanto cada patrocinador rende ao clube e qual será o orçamento de contratações da próxima temporada, mas na era da internet, com diversas páginas eletrônicas dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, mais inúmeros portais de notícias das mais variadas tendências políticas, somos incapazes de saber se estamos votando corretamente. Logo, vamos melhorar a composição dos poderes condenando quem ainda  é juridicamente inocente. Vamos cortar as cabeças para eliminar os piolhos, ou então cortar os dedos para não darmos os anéis.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

CALUNIADA PELO OCIDENTE POR SER SOBERANA

Anunciada a morte de Kim Jong Il, líder coreano popular, a grande mídia tratou, imediatamente, de divulgar suas calúnias por aí. Muito provavelmente, nos próximos dias veremos um absurdo maior do que o outro quando o assunto em pauta se tratar da Coreia Popular. Entretanto, o primeiro requisito para criticar é ter conhecimento de causa.

A Coreia Popular não deve nada a ninguém. Do mesmo modo que outros países, historicamente a Coreia Popular enfrentou seus problemas de frente depois de ter "comido o pão que o diabo amassou", como dizemos do lado de cá. Errou, acertou e diante das circunstâncias, tomou em suas mãos as rédeas da carruagem de sua história e se reergueu autodeterminada e soberana.

Os maiores opositores da Coreia Popular não tem qualquer moral para desdenhar do país. Dizem que lá tem fome, opressão, desrespeito aos direitos humanos, mas por um revanchismo puramente babaca, sonham mesmo com a Coreia da forma que ela era antes de sua revolução: um sorvedouro de prostitutas para os exércitos invasores.

Na verdade, se critica por criticar, para apurrinhar mesmo, encher o saco. Criticaram assiduamente o centro avante Jong Tae Se na última copa em razão do seu copioso choro antes de iniciar a partida contra o Brasil, assim como se veiculou que em razão do pífio desempenho, os jogadores seriam punidos severamente com trabalhos forçados em minas de carvão. Entretanto, de uns tempos pra cá não se vê nenhum jogador brasileiro vestir a amarelinha com orgulho de representar o país nos gramados do mundo, mas sim com o intuito de saber quanto a Nike, a Seara, a Vivo e o Itaú darão como premiação. Enquanto isso, chove denúncias na Justiça e no Ministério Público do Trabalho do crime de redução à condição análoga de escravo nos latifúndios, carvoarias e canaviais dos nossos rincões.

Num país cristão como o Brasil, constantemente se passa através da grande mídia uma imagem satanizada da Coreia Popular. Um país em tese militarizado que não concede aos seus cidadãos o mínimo direito humano de liberdade de expressão. Enquanto isso, aqui no Brasil, assim como na própria Coreia do Sul, manifestações sindicais e estudantis por melhores salários e condições de trabalho são duramente reprimidas pela polícia. Achincalham constantemente a Coreia Popular por ela supostamente se utilizar da força castrense para reprimir cidadãos, mas é aqui no Brasil que reitor de universidade, que manda a polícia descer o cacete em estudante, se posiciona contra a indenização dos crimes cometidos pela ditadura. Quem na grande mídia chamou atenção a isso? Quem, na verdade, necessita de aulas de democracia?

Após a Guerra da Coreia, a Guerra Fria, e a Queda do Muro de Berlim, a Coreia Popular passou por uma grande provação histórica: manter-se socialista e seguir seu próprio caminho em meio a morte de seu maior expoente histórico, Kim Il Sung, o Grande Líder. Desta vez, estamos num mundo em ebulição diante de uma crise internacional do capital financeiro (principalmente dos EUA e zona do euro), de uma construção progressista da América Latina, da Primavera Árabe e da transição Líbia pós assassinato de Kadafi pelas tropas da OTAN. Dentre tudo isso, caberá mais uma vez ao povo coreano popular escolher qual o caminho irá seguir, com a mesma bravura, independência, soberania e autodeterminação de sempre. Escolher pela continuidade do socialismo e defender arduamente suas conquistas populares é a melhor forma de demonstrar que o esforço e morte de Kim Jong Il não foram em vão.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre a Coreia Popular:


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

PITACOS ALÉM DA GRANDE MÍDIA

Politicamente incorretos, em linguagem informal e em primeira pessoa

CUBA ISOLADA?

Encheção de saco não tem limite. Só sujeito alienado para não ver o que acontece no mundo. Muitas vezes, a alienação é por opção mesmo. Ainda sim, o sujeito fica tentando provar que sabe rezar a missa melhor do que o padre.

Sempre ouço de certos sabichões aí que sou minoria, que o que penso são só mais uns quatro ou cinco que pensam igual. E tome baboseira. Tanto é assim que, por um milagre nunca antes acontecido na história da humanidade, o mundo inteiro me ouviu e novamente votou contra o covarde bloqueio econômico imposto a Cuba desde 1962.

Nos jogos Pan-Americanos que aconteceram em Guadalajara (México), “arquibancadamente” falando, dava pena de quem, em qualquer modalidade, competia contra cubanos. Era visível e audível a preferência dos torcedores quando começavam a gritar: “Cuba! Cuba! Cuba!”.

Eis o país de merda isolado.

KADAFI ASSASSINADO. BOM PRA QUEM?

Outras baboseiras que se escutam por aí é que agora haverá democracia na Líbia e que foi o povo que se revoltou contra Kadafi (Gadafi, Khadafi, etc. Eu escrevo Kadafi). Quanta ignorância de minha parte. Acorda, meu filho! Você não sabia que o povo dos EUA, da França e da OTAN também são cidadãos líbios?

Porém, também por um milagre da natureza e da telepatia, o brilhante cientista político brasileiro, Luis Alberto de Vianna Moniz Bandeira concedeu uma entrevista para o jornal A Tarde, de Salvador, na qual foi enfático: “Não são as armas da OTAN que farão acontecer a democracia na Líbia”. De certo, depois de tantos livros publicados e um doutorado em História da Política, o Moniz Bandeira deve ser outro besta.

ORLANDO SILVA FORA

Se ele e o Governo Dilma assim decidiram, estou com ambos. Porém, no meu íntimo, Orlando Silva deveria ficar. Fez um belíssimo trabalho à frente do Ministério dos Esportes enquanto lá esteve e já admitem não haver provas concretas contra Orlando.

Assume Aldo Rebelo, que presidiu a CPI do Futebol, única na qual durante o governo FHC se teve alguém da oposição à frente. Naquela oportunidade, ao final dos trabalhos, foi publicado um livro pela editora Casa Amarela no qual Aldo revelava diversos podres do futebol brasileiro e da FIFA. Resultado: durante o reinado de liberdade de expressão de FHC, a publicação do livro foi cassada.

Em meio a essa discussão de Lei Geral da Copa, na qual a FIFA quer que as coisas sejam aprovadas do jeito dela e a nossa soberania que se foda, quem sabe um Ministro que conhece bem os podres dessa entidade imunda também seja a pessoa necessária para que essa corja vá caçar sua turma. O Brasil deve promover a Copa à sua maneira e ponto final.

ESSA GRANDE MÍDIA... (I)

E os bolsos da grobo na ditadura, como se encheram?

Numa capa de semanas atrás, a revista semanal Época, das desorganizações grobo, está estampada de vermelho com o logotipo do PCdoB ironizado de “PCdoBolso”. Denuncismo de golpista não se discute. Ao invés de apurar o que acontece com as finanças de um glorioso partido fundado para combater a ditadura pela Guerrilha do Araguaia, as desorganizações globo deveriam explicar à sociedade como ganharam rios e rios de dinheiro através da ditadura que eles apoiaram. Além do Cidadão Kane não me deixa mentir.

ESSA GRANDE MÍDIA... (II)

Editora abril e Stalin: méritos e difamações.

Em sua edição de novembro, nº 100, a revista Aventuras na História, da editora abril, destaca a Segunda Guerra Mundial e admite que a derrota dos nazistas liderados por Hitler se deu pelo Exército Vermelho da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas liderada por Stalin. Entretanto, os responsáveis pela publicação semanal da revista (não)veja demonstram seu mais puro ressentimento. Tentam atribuir ao acaso a vitória enquanto conferem a Stalin toda a sorte de difamações e leviandades. Admitem, mas não se conformam que foram os comunistas os verdadeiros vencedores.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

domingo, 18 de setembro de 2011

OS VERDADEIROS PROPÓSITOS DA INVASÃO À LÍBIA

Se é que esteve mesmo durante 41 anos no poder, Kadafi proporcionou ao povo líbio os maiores benefícios sociais possíveis. Através de sua liderança, a mulher obteve toda a possibilidade de participar da sociedade, 95 % dos desertos foram irrigados e, dentre outros, recentemente Kadafi obteve o reconhecimento do atual presidente da África do Sul, Jakob Zuma, em ter contribuído com a luta contra o apartheid, regime de segregação racial então vigente no país sede da última Copa do Mundo. Em suma, o argumento de que Kadafi deve cair a qualquer custo por estar a 41 anos no poder é totalmente simplista. É um argumento pragmático, de impacto matemático, que esconde os principais propósitos das potências ocidentais em plena crise econômica com suas contas públicas.

Desertos irrigados significam um acesso extremamente mais fácil à água, este recurso natural sagrado à existência humana que aos poucos, ou em escala cada vez maior, se torna de acesso cada vez mais difícil em razão da indiferença ambiental praticada por aqueles que... que hoje invadem a Líbia! As mesmas potências endividadas que destroem o mundo e ao invés de pagarem a conta, buscam novas fontes de combustíveis fósseis para manterem seus parques industriais funcionando (a Líbia é a sétima maior reserva de petróleo do mundo, só pra constar).

Na Líbia não há respeito aos direitos humanos pelas potências ocidentais endividadas que bombardeiam cidades e lugares reduzidos à condição análoga de colinas ocas. O petróleo líbio, que hoje tem suas divisas investidas em benefícios sociais que fazem do teu povo o usufrutuário do maior IDH da África, a partir de agora será utilizado na reconstrução ocidental do país.

Quanto ao Conselho Nacional de Transição, não passa de um bando de vendidos. É muito fácil desempenhar o papel de rebeldes insurretos com US$ 5 bilhões de dólares iniciais para começar a governar a Líbia. Não há qualquer vestígio de soberania ou autodeterminação dos povos, mas tão somente o financiamento das potências ocidentais endividadas em financiar um governo marionete que corrobore seus interesses.

Recentemente Kadafi questionou a que renunciaria, já que não desempenhava nenhuma função governamental na Líbia. Onde a grande mídia divulgou isto e com que veemencia? Se a questão fosse tão somente uma insatisfação com ele, bastaria o povo líbio resolver tal questão a partir de sua autodeterminação e soberania. O que na verdade ocorre no país é a invasão por potências ocidentais em crise econômica, com suas contas públicas endividadas, que veem na riqueza do país árabe norte-africano em evidência a cobertura dos rombos de seus déficits públicos, enquanto que o divulgado pela grande mídia ocidental e reacionária é a salvação de um povo através de bombardeios e assassinatos de inocentes.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre o que ocorre na Líbia:


sábado, 3 de setembro de 2011

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DOS MONSTROS


Por Renata Winning
Pesquisadora de temas relacionados à psicologia pela PUC-SP,
Leitora do Além da Grande Mídia

A 4a Conferência de Políticas Públicas para Mulheres na cidade de São Paulo veio com tudo: aproximadamente 1500 mulheres colorindo de lilás o Expo Center Norte.

Após as mesas-redondas que discutiram políticas públicas para as paulistanas e, por vezes, recebeu calorosos aplausos, nos dividimos de acordo com eixos temáticos para discutir as propostas a serem encaminhadas à Conferência Estadual.

Dirigi-me então para “Enfrentamento de todas as formas de Violência Contra a Mulher”. Novamente fiquei deslumbrada em ver tantas mulheres comprometidas em analisar e criar propostas para o combate da violência contra a mulher. Falas contundentes, elucidativas e próximas à realidade de mulheres em situação de violência – militantes e trabalhadoras de órgãos e abrigos em defesa da mulher estavam presentes.

Apesar do som precário e de sermos muitas vozes, nada atrapalhou que ficássemos todas compenetradas em discutir as propostas e fazer as devidas modificações. O tom das discussões era respeitoso e de construção conjunta. Exercício de cidadania e comprovação de que é perfeita a parceria entre mulher e política.

Felizmente, depois de um prolongado debate, resoluções imprescindíveis foram pautadas, tais como: promover assistência integral e emergencial para mulheres em situação de violência (DDMs 24 horas e abertas nos finais de semana bem como os demais dispositivos que efetivam a Lei Maria da Penha); ampliar os serviços que prestam atendimento às mulheres em situação de violência; capacitar e contratar mais profissionais (de diversas áreas) para fazer o atendimento; realizar ampla campanha de prevenção e combate à violência de gênero etc.

Contudo, um assunto de suma importância foi minado das propostas criadas nas Pré-Conferências e praticamente linchado da discussão: tratamento aos agressores.
Vou me atrever a resgatar esse debate porque considero essa discussão polêmica – e constrangedora – inesgotada.

A retirada do atendimento aos agressores, como medida que compete à Coordenadoria da Mulher considerou a escassez de verbas e a prioridade em defender as questões relacionadas à mulher. Além disso, a prestação de serviços para esses homens poderia ser de responsabilidade de outra Coordenadoria. Assunto encerrado. Será?

Posso concordar com os argumentos colocados, mas acho necessário trazer o incômodo à tona mais e mais vezes: como são os serviços oferecidos para os agressores? Existe uma abordagem de gênero?

Estudos recentes foram atrás da resposta e descobriram que não. Dependendo do entendimento do que causa a agressão o serviço oferecido pode tratar de tudo, menos da violência de gênero. Exemplo: se o agressor for considerado com algum transtorno mental pode receber um tratamento medicamentoso ou se for considerado dependente químico pode fazer tratamento específico para o vício. Mas a violência tem gênero, não é isso?

Diante de tanta brutalidade é compreensível que enfatizemos a prisão e não se queira ouvir falar das especificidades dos agressores. Mas se esse debate não for feito por mulheres, que rumo vai tomar?

As medidas criminais são imprescindíveis, mas não suficientes. A maior parte dos processos contra os homens são abandonados. Questões como medo, dependência financeira e psicológica são apontadas como as possíveis razões para isso. Mesmo mudando as leis, capacitando os profissionais para o atendimento e oferecendo um auxílio à mulher (renda, casa de passagem, abrigo etc.), não se pode desconsiderar que as partes envolvidas não são seres genéricos. Têm história, sentimentos contraditórios e, possivelmente, um histórico de violência.

Sendo assim, se largarmos o debate sobre os agressores, considerando como uma questão fora da plataforma de luta podemos acabar com um tiro no pé. Permitiremos que se troque “O machismo mata” por “O álcool mata”? E se quem sofrer a violência for majoritariamente mulheres é...coincidência?Pessoa mais próxima?

Se o tratamento não tiver nada a ver com a causa que apontamos nada poderá ser re-significado. O ciclo de violência não será interrompido.

Se é verdade que a mulher tem potencial para a transformação como, por exemplo,  conscientizar-se sobre a sua condição e romper com a violência também devemos aceitar que o homem também tem chances de mudar. Se é verdade que o ser humano se constitui em relação então devemos aceitar a  possibilidade de re-significações a partir de um outro que ajude a pensar  as questões de gênero. Defendemos as propagandas anti-violência contra a mulher não apenas para serem vistas e mudar concepções de mulheres.

Por fim, se cristalizarmos o agressor no papel de monstro incurável também devemos aceitar que a mulher é uma vítima eternamente passiva. Não é nisso que acreditamos, certo?

Para combater os ideais da masculinidade hegemônica que ainda reinam no imaginário social, devemos percorrer muitos caminhos. Não são todos os homens que concordam e propagam a violência, mas aqueles que o fazem merecem ser combatidos, ou melhor, tratados.

Independentemente do órgão que se responsabilizar pelos atendimentos aos agressores uma coisa deve ficar clara: essa discussão também é nossa.