quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: DESAFIO PARA POÇOS DE CALDAS NO SÉCULO XXI

Por Jorge Jabur
Ex Diretor de Desenvolvimento Economico da
Prefeitura Municipal de Poços de Caldas em 2003/2004.

A natureza proveu ao planalto sulfuroso vários benefícios. O fato de ser um local de um vulcão extinto deu a Poços de Caldas uma condição privilegiada em recursos naturais: bauxita, urânio e as águas termais. Nos dias de hoje isso significa renda e atividade econômica, bassta observar que o pré-sal está na mídia e no Congresso Nacional, sendo pauta do dia.

Além do berço esplêndido, a municipalidade possui uma premiada e renomada Autarquia de energia (DME) e uma eficiente Autarquia de abastecimento (DMAE), além disso, está próxima e no centro geográfico dos grandes mercados nacionais com auto estradas em boas condições: São Paulo, Campinas, Rio, Belo Horizonte.

Poços de Caldas possui um alto nível de formação acadêmica e profissional, comparada com qualquer região brasileira, temos Sesc, Senai, Sebrae, escolas, faculdades, um grande número de empreendedores no comércio, pequenas industrias com grande potencial e uma grande vocação turística pela belezas naturais da cidade. Qualquer estrategista econômico que chegasse aqui pela primeira vez para elaborar um planejamento de desenvolvimento econômico certamente ficaria feliz com as pré condições encontradas e certamente concluiria que este município seria, sem dúvida, o carro chefe da atratividade econômica no sul de Minas, sendo um grande pólo atrativo de novos investimentos, fator primordial para sustentar desenvolvimento e qualidade de vida no mundo moderno.

Porém, a realidade não é esta. Poços esta perdendo de goleada para outros municípios próximos no quesito atração de novos investimentos, bastam observar a arrecadação em impostos da Prefeitura e as condições apertadas de orçamento que se sucedem ano após ano. Isto implica em dificuldades em manter o custeio para o funcionamento básico da máquina pública municipal. Não se pode simplesmente responsabilizar a administração pública municipal atual ou as anteriores, trata-se sim de uma realidade conjuntural, fruto de uma falta de visão da elite econômica e politica desta cidade.

É preciso ressuscitar um Conselho de Desenvolvimento Econômico realmente democrático, sem paixões políticas e interesses eleitoreiros, convidando sem distinção todas as forças vivas da economia formal e informal desta cidade: das associações de catadores às grandes mineradoras. O Conselho deve ser o fórum para discussão de novas medidas e atitudes no âmbito do Desenvolvimento Econômico, quem sabe ser o embrião de uma Agência Municipal de Desenvolvimento. É preciso acreditar no Distrito Industrial, temos uma boa legislação para atracão de novos investimentos. Nos últimos 6 anos, apenas uma indústria se instalou no local, beneficiada com a Lei de Desenvolvimento Econômico de 2004. É muito pouco para o potencial do Município. É preciso trazer uma grande universidade federal e mais cursos técnicos de primeira linha.

Poços não pode perder o momento brilhante que o Brasil está passando. O País superou a crise e deve crescer 5% em 2010 e 5% em 2011 e deve atrair inúmeros investimentos, sustentados pela maior renda de seu mercado consumidor, este é o momento!

Se a sociedade de Poços continuar míope na falsa discussão, extremamente ultrapassada e arcaica de evitar a atracão de novos investimentos para preservar a cidade, a população é que vai pagar o preço. Menos investimentos é igual a poucas ofertas de trabalho qualificado, a salários mais baixos, a menor renda no comércio, menos arrecadação de tributos municipais, maior dependência dos Governos Estadual e Federal, menos condições para aumento do funcionalismo e menos dinheiro público para novos investimentos em escolas e hospitais. Não precisa ser analista para perceber que apesar do grande desenvolvimento de Minas e do Brasil nos últimos anos, a cidade está estagnada. E só observar o número de lançamentos imobiliários na cidade, comparado com outras regiões, lembrado que o Brasil vive um grande momento na construção civil.

Observe as cidades vizinhas e veja a diferença. Esta condição só favorece uma elite pré estabelecida que não quer desenvolvimento para não dividir o “status quo” com ninguém. Ficam parados no tempo, sendo saudosistas de uma época que já passou.

Esta discussão é central para a qualidade de vida da atual e das futuras gerações da cidade, evitar que os jovens tenham que procurar outros centros para se desenvolver e possam ficar aqui no Município para desenvolver seu talento e potencial. Eles só ficarão se houver ambientes profissionais saudáveis para atraí-los. Na era do conhecimento o capital humano é o principal ativo da atividade econômica.

Este tema sempre fica como papel secundário na discussão eleitoral, pois a grande parte da população está mais preocupada com as questões do dia a dia como: saúde, segurança, educação, infra estrutura urbana e trânsito. Mas se as pessoas com responsabilidade de decisão na esfera pública e privada fizerem uma reflexão, vão perceber que desenvolvimento econômico, ou a falta dele, é o fator gerador de muitos destes problemas.

A HISTÓRIA TEM PREÇO?

No último dia 2 de dezembro de 2009 tivemos, na Câmara Municipal, a audiência pública referente ao projeto da atual administração consistente em transformar o DME (autarquia municipal) numa empresa de capital aberto, que primeiramente teria como acionista principal a Prefeitura Municipal, mas também poderia ter acionistas particulares, no caso de uma futura aprovação do legislativo, o que na atual administração não seria muito difícil conseguir, pois a maioria dos vereadores da atual legislatura encontra-se na base aliada do Prefeito Paulinho Couro Minas (PPS).

Anteriormente à fala do Prefeito pelo Partido dos Trabalhadores, Paulo Tadeu Silva D´arcádia (administração 2001-2004), tivemos a explanação de como se daria, juridicamente, o procedimento de desverticalização do DME. Ao expor tal procedimento, a atual administração tenta passar a imagem de responsabilidade com a coisa pública. Entretanto, tudo não passa de mera encenação, pois o debate acerca da desverticalização do DME não é a idoneidade do procedimento jurídico, mas sim a intenção política e a concepção que a pauta.

Há um debate hoje, não só no Brasil e no Governo Lula, mas em toda a América Latina, sobre qual entidade deve prevalecer para melhor proporcionar os serviços necessários à população: a pública ou a privada. Assim, a desverticalização do DME não passa de um exemplo da mentalidade da atual administração em conceber que o privado é eficiente, enquanto o público é oneroso e precário, de tal forma que sucateia-se de propósito para se justificar futuras privatizações e o cidadão ser tratado como tal somente se for consumidor. Logo, frases como "a desverticalização é necessária", "no mundo atual, a desverticalização é o que há de mais moderno", "a desverticalização é proposta da Aneel" são bordões compostos por palavras que não podem ser aceitas de imediato, o que levaria a população a literalmente "cair no conto do vigário".

Como bem disse Paulo Tadeu, numa explanação que emocionou a muitos, o DME é um patrimônio histórico do povo poçoscaldense, que por situar-se numa região de altitude elevada em relação às cidades vizinhas, precisou criar soluções próprias para os seus problemas. Infelizmente, a atual administração, a exemplo do governo FHC dos choques de gestão tucanos (SP, MG e RS) tem a visão neoliberal de que tudo, sem exceção, deve ser suscetível de compra e venda.

A história de um povo não tem preço. Eis a principal razão para que o DME continue a ser uma autarquia da Prefeitura Municipal de Poços de Caldas.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

domingo, 29 de novembro de 2009

A MORTE DE UM GRANDE PAÍS PEQUENO

Os 20 anos da queda do Muro de Berlim, no último dia 9, foi tema das mais diversas reportagens veiculadas na grande mídia. Em todas elas, um discurso comum: o fim de um país e seu suposto regime político opressor: a Alemanha Oriental.

Primeiramente, atribuir à Alemanha Oriental a opressão política é uma ofensa à auto-determinação dos povos e, ao mesmo tempo, atribuir ao outro aquilo que na verdade eu sou, ou fui. A suposta opressão e supressão das liberdades políticas que haviam na Alemanha Oriental, como por exemplo não ter direito ao voto direto e secreto nos representantes políticos é a mesma opressão política que houve no Brasil na ditadura militar de 1964 a 1985, patrocinada pelos EUA.

A Alemanha Oriental era um país como qualquer outro. Possuía suas virtudes, suas dificuldades e seu regime político da mesma forma que os demais Estados ao redor do Planeta Terra. E dentro de suas peculiaridades, muito tinha a oferecer.

Nos esportes, a DDR (sigla de República Democrática Alemã, em alemão) era uma potência olímpica. Ao longo de cinco olimpíadas, foram conquistadas 153 medalhas de ouro, 129 e prata e 127 de bronze. É verdade que no futebol, na Copa de 1974, disputada do outro lado do muro, a DDR venceu os donos da casa e perdeu para o Brasil, ambos pelo placar de 1x0. Mas a tão sonhada medalha de ouro que o Brasil até hoje não conquistou no futebol, os alemães orientais levaram pra casa em 1976, nos jogos de Montreal. Dentre inúmeras modalidades desportivas, a DDR tinha uma espécie de campeonato automobilístico de F-1 interno, além de sua indústria automobilística ter apresentado ao mundo o Trabant e o Wartburg.

No campo político, ao contrário do que afirma a propaganda ocidental, a DDR garantia aos seus cidadãos o acesso aos mais elementares direitos sociais, como saúde, educação, alimentação, moradia e vestuário. Tudo isso com a alternância de poder entre os presidentes Wilhelm Pieck, Walter Ulbricht, Erich Honeker e Egon Krenz.

Um artigo é pouco para descrever a DDR, um país interessante dentro de suas particularidades, virtudes e defeitos. O autor deste artigo recorda que numa conversa com uma grande amiga, ela lhe disse que ao encontrar um parente ou conhecido distante, ao fazer uma viagem para a Espanha, este a falou que morou na DDR e a definiu como um país maravilhoso.

Mais cedo ou mais tarde o muro de Berlim iria cair, pois por mais que a DDR fosse esse grande país pequeno, não estava certo o mesmo povo estar separado por uma barreira de concreto. Todavia, 20 anos após a queda do muro, a sórdida propaganda capitalista de que o leste era menos desenvolvido, levou o oeste mercantil, vitorioso num primeiro momento, prometer alavancar o desenvolvimento do alegado atraso socialista. E os indíces de precariedade, desemprego e pobreza existentes no leste alemão, 20 anos após a queda do muro, fazem os habitantes daquela região sentirem saudades dos tempos de economia planificada planejada pelo Estado.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

TEGUCIGALPA OU TEGUCIGOLPE: EIS A QUESTÃO

O mundo todo volta seus olhos a Honduras, quando se encontra prestes a completar três meses o golpe de Estado dado pelas Forças Armadas deste país centro-americano. O Presidente Constitucional, Manuel Zelaya, voltou à capital, Tegucigalpa, para negociar seu restabelecimento na presidência do país.

Como bem adverte o colunista Gilson Caroni Filho, da Carta Maior, os golpistas latino-americanos podem ser tudo, menos autodidatas. É estritamente necessário verificar quem patrocina a usurpadora presidência de Roberto Micheletti. O povo hondurenho demonstra, inequivocamente, quem é o presidente legítimo do país, ao se envolver à embaixada brasileira, onde se encontra Zelaya.

A insurreição pacífica do povo hondurenho já é vítima do endurecimento das forças armadas, na mais pura exibição de como se fere, militarmente, os mais sagrados e fundamentais direitos da pessoa humana. Toques de recolher e repressão de manifestações populares através de balas de borracha, bombas de gás lacrimogênio e prisões ilegais são os meios pelos quais o governo usurpador "protege" o povo do presidente deposto.

Além de ignorar a existência dos direitos fundamentais, os usurpadores ameaçam violar as mais essenciais normas de direito internacional ao cogitarem invadir a embaixada brasileira. Não só o Brasil, mas toda a comunidade internacional, que não reconhece a ditadura militar instalada, está de parabéns por fazê-lo. Em pleno séc. XXI é inaceitável que alguns se achem no direito de assaltarem governos legítima e popularmente eleitos.

Mais do que nunca se faz necessária a recondução de Zelaya à presidência de Honduras. É preciso respeitar a vontade do povo hondurenho, acima de tudo. Do contrário, não faltarão razões para que, nos livros escolares de geografia, a capital de Honduras passe a se chamar Tegucigolpe.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre a volta de Zelaya:

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

E LEGISLAI-VOS EM CAUSA PRÓPRIA, AMÉM!

Na reunião ordinária da Câmara Municipal de Poços de Caldas (MG), ocorrida na última terça-feira, foi aprovado o projeto do Vereador Pastor Waldir Sementile (DEM), que concederá ao também Pastor Paulo Silvano Maximino o título de cidadão poçoscaldense.

Haja vista que sou um estudante de direito, juridicamente, a única coisa que posso afirmar é que a Constituição Federal garante o pleno exercício da liberdade religiosa. Admito desconhecer qualquer disposição legal sobre a concessão do título de cidadão poçoscaldense.

Para muitos, o conteúdo deste artigo é autorado por alguém que veste a camisa do preconceito à crença religiosa. Entretanto, trata-se unicamente de um questionamento cidadão sobre uma homenagem que, em tese, é concedida às pessoas que fizeram algo por uma comunidade.

Não vem, do homenageado, qualquer trabalho desenvolvido no sentido de beneficiar uma comunidade que comporta diversos segmentos sociais. Seu trabalho social está unicamente restrito ao esforços empenhados em divulgar a crença cristã para os fiéis adeptos da instituição religiosa da qual faz parte. Sem dúvidas, uma atividade legítima. Porém, naquilo que diz respeito ao engrandecimento da comunidade poçoscaldense, é uma atividade comum executada por qualquer orador ou sacerdote de qualquer religião.

Durante os oito anos nos quais exerceu a vereança, qual projeto de lei, causa defendida ou polêmica em prol do povo poçoscaldense que marcou a passagem do homenageado pelo poder legislativo municipal?

A falta desta passagem marcante como homem de opinião pública, somada à falta de um trabalho publicamente reconhecido de qualquer natureza (desportivo, artístico, cultural, etc), que envolvesse pessoas além dos fiéis ouvintes de seu ministério, levam a crer o autor deste artigo, nascido e criado em Poços de Caldas (sem jamais ter morado em outra cidade), que a função pública e social de um vereador foi utilizada para se elaborar um projeto de homenagem política a alguém pertencente ao seu próprio meio. E o uso das atribuições públicas de qualquer legislador, em benefício de pessoas e instituições próximas de si, sem ser levado em conta o impacto social provocado, é chamado de legislação em causa própria.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

PRONUNCIAMENTO DO PRESIDENTE LULA

A seguir, o internauta pode conferir o discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, veículo em cadeia nacional de rádio e TV no dia 7 de setembro de 2009, data da independência do Brasil, no qual ele conclama a população a participar das discussões sobre o pré-sal, nova descoberta da Petrobras.



Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

sábado, 15 de agosto de 2009

NOS ATAQUES E CONTRA-ATAQUES, A RECORD TEM TODA RAZÃO

Na semana passada, a Rede Globo veiculou uma reportagem, de aproximadamente 10 minutos, no Jornal Nacional, noticiando detalhes de uma investigação do Ministério Público paulista contra o Bispo Edir Macedo, proprietário da Rede Record de televisão, que por sua vez respondeu à altura, no dia seguinte, no Jornal da Record, tratando de denunciar como a maior emissora de TV do Brasil nasceu sob os auspícios da ilegalidade, a partir de favores para com o regime militar.

Para maiores detalhes, basta procurar na rede mundial de computadores o documentário Além do Cidadão Kane, que demonstra clara e fidedignamente a suja trajetória histórica da Globo, desde seu surgimento até os dias atuais. Tal documentário já foi tema de postagem no início das atividades do blogue, inclusive. Ainda sim, não custa lembrar que nele é demonstrado o modus operandi fraudulento da Globo nas eleições para o governo do Rio de Janeiro em 1982, assim como é demonstrada toda a manipulação contra Lula, atual presidente do Brasil, nas eleições de 1989.

Todo arcabouço de chantagens, pilantragens, manipulações e ofensas à legalidade, por parte da Globo, não podem, porém, servir como desculpa para uma análise maniqueísta sobre o assunto, ainda que a Record tenha razão neste episódio. Afinal, trata-se de uma emissora que, armada pelo patrocínio dizimista e teocrata, responde à altura da sua rival buscando tão somente a liderança de audiência e a hegemonia dos meios de comunicação do país.

Ressalte-se que após contra-atacar a Rede Globo, a Record iniciou uma reportagem mostrando como são revertidos em projetos sociais o dízimo arrecadado dos fiéis da Igreja Universal. Além de se defender das acusações globais, configura-se a tentativa de se atrair fiéis, passando-se a imagem da boa aplicação do dízimo. E a exemplo da Globo, usando da prerrogativa de um meio de comunicação que deveria noticiar fatos e nada mais.

Por outro lado, faz bem a Record em questionar como a Globo teve acesso aos autos do processo de investigação sobe Edir Macedo. Noticia-se, como sempre, as coisas de forma que dão a entender que o bispo pentecostal é um criminoso irrecuperável. Ora, estamos num país democrático de direito. Enquanto não houver uma sentença penal da qual não caiba mais recurso, ele é inocente. Faz-se necessário alguém avisar a Globo que o regime político por ela defendido, que tratava todo cidadão como suspeito e torturava os que se opunham a ele, acabou faz muito tempo. Por isso não é estranho a Globo usar de sua atividade para condenar sumariamente os seus concorrentes.

Finalmente, o presente episódio é um grande estímulo para que mais uma vez se questione, conclua e sejam tomadas providências no sentido de se promover na sociedade civil brasileira um debate esclarecedor sobre o papel dos meios de comunicação no Brasil. Perguntas como a quais interesses eles servem e de quem são esses interesses, qual espaço tem a população nos meios de comunicação e como se dá a comunicação nas comunidades, dentre outras, seriam bem vindas.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

EM TEMPO: ruim e tendenciosa (óbvio que teria esta última característica) a entrevista exibida no Repórter Record, deste último domingo, com Edir Macedo. Prometeu-se algo bombástico que não passou do uso da emissora com a finalidade de defesa do líder da igreja universal.

EM TEMPO II: suspeita-se que o promotor de justiça Roberto Porto, que ofereceu a denúncia contra Edir Macedo, foi, outrora, afastado do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) por ter fornecido à Globo a gravação de uma entrevista dele com Fernandinho Beira-Mar. Também suspeita-se que a juíza da 9ª Vara Criminal de São Paulo, receptora das denúncias contra Macedo, tinha relações afetivas com o promotor. Fato é que ela afastou-se do cargo e o novo magistrado responsável pelo caso acatou as denúncias.

EM TEMPO III: segundo Arthur Lavigne, advogado de Edir Macedo, as denúncias contra seu cliente foram arquivadas, em 1999, pelo Supremo Tribunal Federal, a pedido da Procuradoria Geral da República.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A VERSÃO POÇOSCALDENSE DO CHOQUE DE GESTÃO

Durante os anos da administração federal de FHC, o Brasil, impulsionado pela hegemonia do neoliberalismo, deflagrou sua agenda de privatizações. Ao ser questionado da coerência com seu passado intelectual, baseado num pensamento político de esquerda, o então presidente tucano disse: “esqueçam o que eu escrevi”. Entretanto, seu governo nada mais foi do que um instrumento para que ele colocasse em prática as teorias por si formuladas.

O sociólogo Emir Sader, este sim intelectual de esquerda, demonstra claramente como o então Presidente da República pelo PSDB deflagrou a “privataria” através de sua teoria. Segundo ele, para FHC, a burguesia brasileira exerceu seu jugo sobre a classe trabalhadora diferentemente da burguesia industrial européia. Essa diferença residia no fato de que enquanto a brasileira o fazia por meio de empresas públicas, a européia o fazia através da iniciativa privada. E como para FHC as empresas públicas brasileiras eram controladas por políticos burocratas que usufruíam delas em seu próprio benefício, a solução para tal problema era... privatizá-las! Ora, desde quando isso é um pensamento político de esquerda? Tal análise pode ser encontrada na magnífica coleção de ensaios de Emir Sader intitulada “O poder, cadê o poder?”, da Editora Boitempo.

Eis que então, ao terminar o seu governo com baixa aprovação da população, FHC passou a faixa presidencial para Lula. Num país democrático pluripartidarista, ao mesmo tempo em que temos um petista na presidência da república, temos peessedebistas em diversos governos estaduais, especialmente em Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, estados onde os seus governantes renovaram a agenda de privatização iniciada por FHC, sob o signo da expressão “choque de gestão”. Diga-se de passagem, o Ministério Público Federal pediu o afastamento da governadora gaúcha, Yeda Crusius.

Sob o signo daquela expressão opera a atual administração da Prefeitura Municipal de Poços de Caldas, cuja base de sustentação política é formada, principalmente, pelo PPS, DEM e PSDB, os mesmos partidos que, inconformados com o programa anti-privatista do governo federal, lideram, junto aos grandes meios de comunicação do país, a mais sórdida oposição ao Governo Lula.

Justificam os privatistas, dentre outros truques retóricos, que o Estado, seja a nível municipal, estadual ou nacional, é oneroso e ineficiente, motivo pelo qual deve se cortar, na maior medida possível, gastos com pessoal. Tem-se, neste argumento, a razão do ridículo aumento salarial proposto pela atual administração aos servidores públicos. Não o bastante, recentemente o Prefeito Municipal expediu um decreto, visando limitar os empenhos do orçamento municipal deste ano.

Todavia, ao mesmo tempo em que a atual administração tenta passar sua imagem de cautela com as finanças públicas, oriundas do bolso do cidadão pagador de impostos, são despendidos gastos estrondosos, porém insignificantes, a partir de tal arrecadação, deixando à míngua, inclusive, a população menos favorecida, maior usuária da estrutura pública.

Ao custo de um Departamento Municipal de Eletricidade em frangalhos, de uma “micareta” carnavalesca (lembram-se?), servidores públicos municipais mal pagos, uma nova Câmara Municipal orçada em R$ 12 milhões e instituições públicas municipais funcionando de forma precária, a atual administração liberou uma verba de R$ 9.000,00 para o pagamento do cachê da cantora Gretchen, que dará seu ar da graça na parada gay que será realizada no próximo final de semana. Ora, ao passo em que os servidores públicos são funcionários do município, a cantora foi contratada para produzir um show. Mas seja qual for a finalidade do pagamento, trata-se de gasto com pessoal, algo condenado pela tríade PSDB-DEM-PPS e sua idéia de choque de gestão.

Até para quem optou se relacionar afetivamente com pessoas do mesmo sexo, os direitos de associação e reunião são legítimos, estão na Constituição Federal. São líquidos e certos, não se discutem. Entretanto, a versão poçoscaldense do choque de gestão não é nada mais do que isso: a falta de zelo pela estrutura pública e a preguiça de promover o bem estar social, em nome do pão e circo. Ou talvez, só do circo.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre o "choque de gestão":

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

SUGESTÃO DE LEITURA

TÍTULO: O capitão Lamarca e a VPR - Repressão Judicial no Brasil
AUTORA: Wilma Antunes Maciel

Após o golpe de 31 de Março de 1964 e a outorga da então Lei de Segurança Nacional, a ditadura, através da Justiça Militar, institucionalizou a tortura como meio de obtenção de informações para se deflagrar a perseguição àqueles que optaram pela luta armada contra o regime.


Em sua dissertação de mestrado, a historiadora Wilma Antunes Maciel demonstra como os militares transgrediam as próprias leis por eles decretadas, o que culminou em aviltar e depor contra as garantias fundamentais de todos os cidadãos brasileiros, que passaram a ser tratados como suspeitos.

Também são analisadas pela autora as opções políticas feitas pela Vanguarda Popular Revolucionária, dissidência do Partido Comunista Brasileiro, liderada pelo Capitão Carlos Lamarca.

Com base nos processos judiciais sofridos pelos membros da organização, arquivados no projeto Brasil, Nunca Mais, tornam-se evidentes as barbaridades cometidas ao longo do regime.

"A tortura tinha como objetivo inicial a busca de informações no menor espaço de tempo possível, mas também cumpriu um papel político de intimidação social. E mais, foi o elemento básico para a "legalidade" representada pela Justiça Militar, pois as confissões obtidas sob tortura na fase policial, eram formalizadas nos processos para o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, e ainda serviam de prova para as condenações".

O capitão Lamarca e a VPR - Repressão judicial no Brasil, é um registro histórico de um período marcado, juridicamente, pela agressão e ausência de proteção aos mais sagrados direitos humanos e políticos do cidadão brasileiro.

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Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

OS PIZZAIOLOS

Na semana passada, após ser perguntado por um repórter se a CPI da Petrobras era uma pizza com sabor de pré-sal, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), respondeu que a oposição no Senado tinha grandes pizzaiolos. Imparcialidade à parte, Lula está certo... certíssimo!

Interessante os critérios usados pela grande mídia ao noticiar o recolhimento de assinaturas e instaurações de CPIs, outrora e atualmente. Não só no Planalto Central, como também nos estados governados pelo PSDB, especialmente o Rio Grande do Sul, que vive talvez a maior calamidade de corrupção de sua história sob a batuta da Yeda Crusius. Sem contar São Paulo, que na época em que foi governado por Geraldo Alckmin, teve cerca de 69 CPIs abafadas pelo reino da tucanalha. Onde a grande mídia destacou sua indignação perante esses casos?

No mesmo dia em que o deputado Edmar Moreira (DEM), dono de um castelo estupido de fraudes contra a previdência e dívidas trabalhistas, foi absolvido pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, a frase de Lula somente se tornou oportuna. Mais uma vez terminava em pizza a apuração de denúncias contra um deputado da liga demo-tucanalha.

O principal argumento despolitizado da oposição, via grande mídia, é de que a CPI da Petrobrás acabará em pizza porque o presidente e o relator são membros da base governista no Congresso. Eis que então a máscara da grande mídia cai mais uma vez, para variar.

Salvo engano do responsável pelo blogue, a única CPI durante o governo FHC que teve um presidente oposicionista foi a do futebol, com Aldo Rebelo (PCdoB/SP). Também é preciso recordar à grande mídia que o termo "acabar em pizza" surgiu justamente neste mesmo período. Porém, num período em que o Brasil mergulhava na corrupção da privataria, CPIs que acabavam em pizza consistiam na "maneira sórdida do PT fazer oposição". Enquanto isso, respaldado pelos grandes grupos de comunicação do país, FHC quebrava o Brasil três vezes.

E num momento, como inclusive abordamos neste blogue, em que a Petrobras se coloca como uma das grandes petrolíferas do mundo, no dia em que um deputado da ala medieval do Congresso Nacional é absolvido de uma investigação que acaba em pizza, a grande mídia noticia as palavras de Lula num tom que tenta dar a entender que ele é o grande culpado pela existência de CPIs, como se fosse ele o único responsável por calamidades passíveis de investigações parlamentares.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.