sábado, 8 de dezembro de 2007

O FIM DO RÓTULO DE DITADOR

O fenômeno da globalização, como bem coloca o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, tem, dentre várias características, atacar a cultura local de certa região em substituição à cultura que a globalização coloca como dominante.

No caso da América Latina, séculos de colonização impostos pela Península Ibérica, o patrocínio dos EUA a golpes militares no continente e a substituição dessas ditaduras por democracias liberais levaram a cabo a total descaracterização cultural e política da América Latina.

Pelo lado da cultura, cada vez mais as culturas regionais dos povos latino-americanos são substituídas pelo “american way of life”, enquanto no plano da política a maioria dos governos latino-americanos, a priori, não passam de governos fantoches dos EUA.

Entretanto, como já colocava Marx, no capitalismo a classe social dominante gera a sua negação a partir do momento em que se tornam evidentes, na consciência humana, os sintomas do capitalismo. No caso da América Latina, as democracias liberais pós-ditadura militares e fim da Guerra Fria não solucionaram os problemas sociais. Altos índices de analfabetismo, fome, falta de saneamento básico, falta de moradia e educação colocaram os países latino-americanos na esfera dos países periféricos. Em meio a essas contradições, surgiu a figura política do Presidente Hugo Chávez.

Brevemente expondo, pois não queremos repetir aqui o já falado em “A revolução não será televisionada”, Chávez se tornou polêmico por ter se tornado um presidente popular que usou do poder para fazer reformas em prol dos menos favorecidos. Nesse contexto, veio a contrariedade aos interesses dos EUA, pois reformas sociais num país rico em petróleo deram a Chávez o status de inimigo do Tio Sam, que para tentar derrubá-lo, financiou os grandes canais de TV privados da Venezuela, atribuindo ao Presidente da Venezuela uma falsa personalidade ditatorial. Mas quem é ou quem são os ditadores da história?

Ditador é aquele que usa do poder político para executar suas vontades de forma unilateral. A ditadura é o governo do ditador. Logo, desde quando Chávez foi eleito em 1998 até hoje, reeleições, medidas governamentais e a promulgação de uma nova Constituição foram votadas pela população venezuelana.

O que dirá agora a grande mídia? Se Chávez é um ditador, como se sujeitou a colocar em referendo questões tão importantes e ser derrotado? Não seria mais fácil para ele, já que possui ampla maioria da Assembléia Nacional, aprovar uma emenda à Constituição através apenas do legislativo nacional?

Enquanto isso, vemos, por exemplo, uma capa da Veja destacando a opinião de militares sobre os fatos atuais, defendendo, dentre outros, a prática do crime de tortura para se investigar a autoria de crimes.



É notória a posição política da principal publicação da Editora Abril, especialmente se recordarmos que um dos seus acionistas ajudou a financiar o Apartheid, regime de segregação racial na África do Sul. Pergunta-se: o Apartheid e as ditaduras militares impostas na América Latina no tempo da Guerra Fria, financiadas pela CIA e pelo FBI, foram submetidas à aprovação popular? Tire, caro leitor, suas próprias conclusões de quem é ditador e de quem não é.

Ainda tratando-se da grande mídia mais as classes dominantes anti-populares e seus pseudo-intelectuais cães de guarda, qual o tratamento que dispensarão à Chávez agora que perdeu uma disputa e foi o primeiro a reconhecer o resultado das urnas? O que escreverão Folha de S. Paulo, Estadão e O Globo em seus editoriais onde a sempre presente figura de Chávez ora é comparada à Mussolini, Saddam Hussein ou a um ditador de alguma republiqueta de bananas? O que dirão William Waack e Arnaldo Jabor no Jornal da Globo? O que dirão os conservadores e reacionários apresentadores de telejornais da Band e do SBT? E a Veja engolirá o termo ditadura-democrática ou continuará sendo o lixo mentiroso em que se tornou? Apenas no terreno do surrealismo pode um governante autoritário e facínora convocar uma consulta popular, ser derrotado e reconhecer sua derrota. Mas é assim que os setores anti-populares pintam Chávez. Então, chamemos Felini, pois a vida real já está em roteiro de filme surreal.

Não podíamos também deixar de recordar de uma reportagem do Jornal Nacional no dia em que a oposição à revolução bolivariana tomou a Avenida Bolívar, em Caracas, para fazer sua campanha pelo Não no referendo. Mais uma vez caiu a tão dilacerada máscara do JN e da Globo, pois somente na ditadura de 1964 a 1985, da qual esta rede de TV era o principal meio de comunicação, não era permitido a oposição expressar suas aspirações políticas como aconteceu na Venezuela. Entretanto, o jornalismo da Globo é tão imparcial que sequer mostraram as imagens de passeatas favoráveis ao Sim à reforma constitucional.



INVERTENDO OS PÓLOS: à esquerda, manifestantes pelo Não no referendo, à direita, os defensores do Sim. Pelo visto, Chávez ainda tem muito apoio popular na Venezuela, enquanto as liberdades políticas continuam garantidas.



MULTIDÃO REVOLUCIONÁRIA BOLIVARIANA TOMA AS RUAS: repare dentro do contorno preto que somente uma longa avenida não foi suficiente para abrigar os manifestantes pró-Sim ao referendo nas ruas de Caracas.

Engraçado ver o meio daqueles que teimam em distorcer fatos e chamar Chávez de ditador. Jornalistas que trabalham em redações sem a menor democracia, onde devem obediência completa a seus editores, ou seja, aos capatazes e homens de confiança dos donos de meios de comunicação.

Ou então os bispos da igreja católica venezuelana. Bispos, que através dos cardeais nomeados pelo Papa, elegem o próprio Papa em eleições secretas para um mandato vitalício.

Ou ainda grandes empresários que apenas reconhecem a democracia se ela estiver do portão para fora de suas de fábricas. Ah! Não poderíamos nos esquecer dos políticos eleitos com doação de multinacionais, políticos escolhidos dentro de seus respectivos partidos onde na maioria absoluta dos casos há pouca ou nenhuma participação popular, sendo que aqueles mais abençoados pelo capital nacional ou internacional são os primeiros escolhidos.

Por fim, falando de capital internacional, infelizmente um elemento presente no referendo do último domingo na Venezuela foi a ingerência estadunidense, fato que “passou batido” nas telas e capas de revistas da grande mídia. Não bastasse a ingerência dos EUA na América Latina no tempo das ditaduras militares, é lamentável saber que a oposição da grande mídia privada venezuelana e os protestos de estudantes contra a reforma constitucional proposta por Chávez foram patrocinadas pelos EUA, que não respeitam a auto-determinação dos povos e tentam, a todo momento, derrubar governos democraticamente eleitos apenas porque estes não corroboram seus interesses de servidão.

Ainda é preciso uma análise mais aprofundada para se chegar à uma conclusão mais clara dos motivos da derrota chavista no último domingo, mas independente de quais sejam esses motivos, a lição que fica é que para fazer oposição a Chávez, a grande mídia (brasileira e venezuelana), a Igreja Católica, o empresariado ao financiar os grandes meios de comunicação privados e os EUA, dotados de sua identidade imperialista, não podem mais atribuir a Chávez a personalidade de ditador.

Lucas Rafael Chianello e Hudson Luiz vilas Boas, além da grande mídia.

sábado, 1 de dezembro de 2007

A DELAÇÃO CALUNIOSA DA DEMOCRACIA REVOLUCIONÁRIA NA AMÉRICA LATINA

Delação, de acordo com o dicionário, é o ato de delatar, denúncia. Um cidadão toma a atitude de denunciar algo às autoridades policiais quando outro comete crime. Entretanto, esta prerrogativa pode ser usada de forma ilícita, com o intuito sádico de se prejudicar alguém com quem não temos afinidade.

Eis a atitude da grande mídia perante os processos constitucionalistas na América Latina. Por não concordar com as decisões políticas tomadas na Bolívia e na Venezuela, usa-se a prerrogativa da informação para se tratar de forma policialesca questões internas de outros países que tomam um rumo alternativo à hegemonia neoliberal imposta pela classe dominante. Como se tudo fosse caso de polícia para ser noticiado em programas policiais como o antigo e, infelizmente famoso, Aqui Agora.

A primeira característica da falsa versão midiática é tratar dos fatos políticos democratas e revolucionários na América como construção de ditaduras. Falso e pretensioso.

Ditadura é um governo no qual um indivíduo ou um grupo usa de suas prerrogativas governamentais para impor seu modo de governar ao resto da população. Não é isso o que ocorre na Bolívia e na Venezuela. Em ambos os países, as novas Constituições aprovadas e algumas outras medidas governamentais foram submetidas a consulta à população (referendos populares) e somente se tornaram efetivas porque a população votou favorável a elas.

Se a democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo, a vontade do povo deve estar acima de tudo, e na situação na qual encontram-se atualmente Bolívia e Venezuela, nada mais foi referendado a não ser a vontade popular. Portanto, a nova Constituição boliviana e as alterações constitucionais venezuelanas são democraticamente legítimas, pois foram e serão aprovadas pela população.

Logo, ditadura, de fato, foi o que ocorreu na América Latina durante as décadas de 60, 70 e 80, quando os EUA patrocinaram exércitos de Estados latino-americanos para instalarem governos militares que servissem a seus interesses no tempo da Guerra Fria, para que esses países mantivessem em curso a economia capitalista de mercado. Em qual desses países uma nova Constituição foi aprovada através do voto popular nesse período?

Constrói-se a qualquer custo uma imagem de arrogância e personalismo quando a grande mídia trata de analisar as palavras do Presidente Hugo Chávez. Prato cheio para isso foram as palavras do Rei da Espanha, Juan Carlos I, na reunião dos países Ibero-americanos: "por que não te calas"? A grande mídia gozava seu alívio, finalmente mandaram Chavez calar a boca. Entretanto, alguns esclarecimentos e recordações daquilo que se aprende na própria escola primária são necessários.

Chavez se referia ao ex-primeiro ministro espanhol Jose Maria Aznar como fascista devido ao envio da Espanha de tropas militares ao Iraque em colaboração com os EUA. No calor da discussão, o Rei da Espanha, enquanto presidente de mesa, mandou Chavez se calar. Logo, a grande mídia tratou de justificar a imponderada atitude do Rei espanhol à falta de diplomacia de Chavez. Porém, trata-se saber que a situação é o inverso daquilo que se diz.

Fosse dotado o Rei espanhol de diplomacia, ele teria tomado qualquer atitude, menos mandar um chefe de Estado calar a boca. E para que fique bem claro um dos motivos pelo qual o Rei da Espanha proferiu a infeliz atitude, quando da tentativa do golpe de Estado midiático na Venezuela, o primeiro país depois dos EUA a reconhecer o golpe foi a Espanha. Logo, qual outra atitude esperar de alguém que reconhece golpes de Estado?

Parece que a grande mídia esqueceu que durante séculos, exceto o Brasil, todos os países da América Latina foram vítimas do domínio colonial espanhol. Não bastasse esses países terem sido colônias espanholas, o colonizador de ontem os manda calar a boca! Acúmulo histórico colonialista, senso de superioridade, arrogância, tudo, menos falta de diplomacia de Chavez. Por acaso, quem envia tropas militares para o Iraque e reconhece a covardia de um golpe de Estado é o que? Colaborador de causas humanitárias?

Ainda esclarecendo os fatos, ibero-americanos são os países pertencentes à América (continente onde se situa a Venezuela) e à Península Ibérica, onde estão localizados Portugal e Espanha. Chavez é um chefe de Estado que precisa zelar pelo seu país. Logo, era uma oportunidade para ele tornar público algo que não era do conhecimento de todos, o reconhecimento por parte da Espanha do golpe contra a Revolução Bolivariana em Abril de 2002. Portanto, como sugere o título deste artigo, é bom que se apure os fatos para que não nos deixemos levar por acusações sumárias.

Por fim, expondo um pouco da situação boliviana, o que podemos perceber é que também naquele país a classe rica não tem noção de democracia. A tentativa de se transferir a capital da Bolívia para Sucre, lugar onde se concentra a classe rica do país e onde situa-se a sede dos poderes judiciário e constitucional, e a violência instigada pelos meios de comunicação locais não passam de atitudes deflagradas pela classe rica boliviana para tentar frustar a nova Constitução aprovada no último fim de semana. Eis a luta de classes nua e crua. A classe rica do país, serva dos interesses internacionais, não se conforma com a opção pelos pobres tampouco pela nacionalização dos recursos naturais, financiando a violência e instigando o ódio classista nos meios de comunicação... com ajuda dos meios de comunicação da classe dominante no Brasil!

Enquanto houver capitalismo, ricos e pobres, haverão divergências políticas. Entretanto, que os meios de comunicação arranjem novos argumentos para se oporem aos processos constitucionais populares na América Latina. A desculpa de que Chavez e Morales pretendem deflagrar ditaduras não colou para os politizados que sabem a quem a grande mídia serve. Não passa de delação caluniosa.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

DE UM VENEZUELANO AOS EDITORES DA VEJA SOBRE "ESSA DITADURA"

Leitores,

O blog publica nesta semana a carta do venezuelano radicado no Brasil Yojin Ramones, escrita para contestar a capa da Veja, também desta semana - Chávez, a sombra do ditador. O texto da carta foi obtido junto ao site Vermelho (
http://www.vermelho.org.br/). As publicações das visões alternativas à grande mídia continuam. Boa leitura a todos.



Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.


''Prezados editores da Veja, meu nome é Yojin Ramones, venezuelano vivendo no Brasil e fincando raízes neste país, já com uma filha brasileira. Escrevo estas linhas em espanhol, porque imagino que o conhecimento deste idioma é total da parte dos senhores, pela análise que fazem de meu país, a Venezuela. A capa da última edição da revista, como outras anteriores, demonstra um desconhecimento real da situação na Venezuela. Porém o mais grave é que isso é feito de maneira intencional, manipulando totalmente a verdade para apresentar uma matriz de opinião de ditadura. Pois bem, vou dar as características da ditadura de que os senhores falam.

A Venezuela recuperou a economia de uma forma acelerada, melhorando o poder aquisitivo de todos – escutem, de todos – os venezuelanos, ricos e pobres (antes eram apenas os ricos). O país tem anualmente o crescimento do PIB (Produto Interno bruto) mais elevado da América Latina.Nessa ditadura se convoca referendos sobre os temas mais importantes do país, para que o povo opine e escolha o que quiser.


Nessa ditadura consertou-se os abusos dos bancos na exploração de seus clientes. Por exemplo, a taxa de juro anual de um cartão de crédito é de 28%. Aqui no Brasil é de 120%.

Nessa ditadura há escassez de veículos porque todos compram carros.Essa ditadura se dá ao luxo de sofrer um golpe de Estado, e ver todos os meios de comunicação entrarem em cadeia para falar mal, humilhar e até falar xenofobicamente das pessoas, sem que exista uma só pessoa presa por isso.

Em matéria de obras, como metrôs, pontes, teleférico, aeroportos, etc., não há país da América latina que tenha tantas em apenas oito anos. Nessa ditadura a gasolina custa 5 centavos de real o litro, o que os neoliberais chamam de populismo.

Nessa ditadura os serviços de saúde devolveram a vista a milhares de pessoas carentes de recursos, não só venezuelanos mas latino-americanos, e pela primeira vez muitos bairros pobres têm um médico para dar atenção às pessoas.

Nessa ditadura o poder é cada dia mais transferido para o povo, essas pessoas de poucos recursos, que antes só eram recordadas nas eleições, sendo tratadas como pseudo-escravos. Essa ditadura busca na integração do Sul a prioridade do crescimento de nossas raízes e forças latino-americanas.

Por estas e muitas outras razões, essa ditadura, como os senhores a chamam, para nós é cristianismo, igualdade, esperanças. Sei que no Brasil as pessoas são muito boas, têm os mesmos desejos de progresso. Mas com a publicação dos senhores, a televisão Globo, seus canais de TV a cabo ou por satélite as pessoas não vão poder formar uma opinião, porque estão cercadas midiaticamente, hipnotizadas por programas como o BBB Brasil, para que nunca descubram a realidade em volta delas. No entanto, hoje em dia as cercas vêm abaixo, as pessoas opinam, tomam atitude, quer dizer, evoluem para a busca da verdade.

O tempo dará razão a quem a tiver. Sem mais para agregar e agradecendo o tempo dos senhores na leitura destas linhas,Yojin Ramones''.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

CARA DE UM, FUCINHO DE OUTRO

Quando se olha a capa de uma revista na qual está estampada a face do Presidente da Venezuela, Hugo Chavez, e alinhada à esquerda a pergunta em caixa alta "O Brasil deve ter medo dele?", com uma palavra abaixo da outra (padrão estético de capas de revistas brasileiras), automaticamente vem à mente a certeza de ser mais um panfleto da direita, através da revista Veja, contra o presidente venezuelano. Porém, os olhos ainda não verificaram e olhando-se mais acima constata-se: plágio estético da revista Época. Não o bastante, o plágio à revista Veja na estética do índice não é difícil de se observar.

Trata-se da revista de nº 493 de 29 de outubro de 2007. Ainda na apresentação da reportagem de capa, a revista Época, por meio dos signatários da matéria (Guilherme Evelin, Isabel Clemente e Matheus Leitão) indica que tentará explicar "Por que o crescente poderio bélico de Hugo Chavez é uma ameaça à liderança brasileira" e "Como o governo Lula está planejando o maior investimento militar desde a ditadura".

A reportagem começa apresentando uma constatação de um instituto sueco que aponta a América Latina como a zona mais desmilitarizada do planeta. Porém, também teria-se constatado a mudança desse quadro há dois anos com a intenção do presidente Hugo Chavez em aumentar seu poderio bélico para solidificar sua liderança frente à América Latina e, em contrapartida, o governo Lula teria dobrado o investimendo do Brasil na renovação e ampliação dos equipamentos militares para impedir tal liderança. Finalmente, a reportagem assume o linguajar de Guerra-Fria quando enfatiza a compra de aviões e equipamentos militares russos pela Venezuela, pois esses seriam de altíssima precisão.

Como sabemos, a revista Época pertence à Editora Globo, organização da qual também faz parte a rede de TV que leva o mesmo nome. Como podemos ver em Além do Cidadão Kane, o veículo oficial de imprensa da ditadura militar... pasmem! O veículo oficial de imprensa da ditadura militar, critica, através de sua principal revista comercial atual, uma suposta militarização da Venezuela. Conforme as palavras contidas na própria reportagem, uma militarização de iniciativa de alguém "fanfarrão" que possui o "desejo expresso de se perpetuar no poder".

Não há um anseio de imposição ditatorial militar na Venezuela, conforme quer deixar implícito a matéria da revista Época. Desde a chegada de Chavez à presidência, a revolução bolivariana tem mudado os rumos daquele país através da participação popular. Nenhuma atitude é tomada sem um referendo ou uma consulta popular, ao contrário da militarização apoiada pela Globo, no Brasil, de 1.964 a 1.985, que a reportagem não cita na cronologia dos conflitos armados participados pelas Forças Armadas.

Ainda referindo-se a datas, no dia 14 de abril de 2.002 Chavez foi reconduzido ao poder após sofrer uma tentativa de golpe por parte da mídia venezuelana patrocinada pelos EUA, mesmo país onde vários golpistas fracassados tiveram asilo político concedido. O que não pode acontecer é a revolução bolivariana, sabendo que seus interesses internos por serem opostos aos dos EUA podem desencadear uma reação militar ianque, não se reforçar militarmente no caso de uma possível invasão, ainda mais levando-se em conta o poderio bélico dos EUA.

A reportagem também deixa claro o espírito de competição deflagrado pelos porta-vozes da direita brasileira quando se trata de relações internacionais. O sociólogo brasileiro Florestan Fernandes reconhecia os avanços contidos na Constituição Federal de 1.988, ainda que sua visão marxista de mundo fosse contrária a muitos princípios ali elencados. No § Único do art. 4º da CF, está escrito que "A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando a formação de uma comunidade latino-americana de nações".

Não há competição entre o Brasil e a Venezuela pela liderança da América Latina e tanto Chavez quanto Lula já deixaram bem claro isso. Entretanto, os defensores da política de relações internacionais da ditadura militar e do governo FHC só reconhecem integração latino-americana desde que o Brasil se coloque na posição de imperialista regional e aproveitam para deflagrarem o ódio entre os povos da América Latina. Para eles, o Brasil deveria ter interferido no processo revolucionário venezuelano conforme queria a Secretária de Estado dos EUA, Condolezza Rice, assim como deveria ter interferido militarmente na Bolívia quando da nacionalização do gás, por Evo Morales.

A reportagem estimula o leitor a pensar haver uma disputada desenfrada pela liderança latino-americana entre Brasil e Venezuela supondo que Chavez tenha instigado Evo Morales a nacionalizar o gás boliviano e prejudicar os interesses da Petrobras. Mentira! A nacionalização do gás boliviano é uma reivindicação antiga dos indígenas bolivianos. Também não admitem os esforços da diplomacia internacional brasileira em colocar a Venezuela como membro do Mercosul com direito a voz e voto.

De quem o Brasil deve ter medo? O Brasil não é somente uma porção territorial com límites geográficos e leis que regulam a relação do indivíduo com o Estado. O Brasil é um povo que, guardadas as devidas proporções e realidades distintas, possui uma história semelhante a dos povos latino-americanos, que passa pela descoberta marítima, pela exploração colonial, pelo regime escravocrata ao longo de séculos, pela cristianização indígena, pelo uso do Estado para a garantia dos interesses privados de uma minoria e, recentemente, pelas ditaduras militares patrocinadas pelos EUA no continente e pela minimização do Estado impulsionada pelo neoliberalismo pós-Guerra Fria. Não devemos ter medo de alguém e sim sempre estarmos de olhos bem abertos àqueles que usam dos meios de comunicação para plantarem entre os oprimidos a discórdia, com o intuito de homogenizarem o discurso ianque e manterem para sempre entre povos irmãos a competição imbecil que nunca nos levou a lugar algum.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

CONCLUSÕES DIFERENTES SOBRE A MESMA PRÁTICA

Domingo, 21/10/2007, 19:00h, estava eu aproveitando as últimas horas fora da indústria cultural, reunindo forças para voltar a ela no dia seguinte. Detalhe: estava defronte meu computador com alguns amigos comentando, através de um programa de conversa instantânea, a 32ª rodada do campeonato brasileiro de futebol e ouvindo pelo rádio, via rede mundial de computadores, Flamengo x Grêmio. Não torço por algum dos dois times mas simpatizo com um narrador do futebol carioca na hora do gol. Também não perdi a oportunidade de comentar com meus amigos a "amarelada" do Lewis Hamilton no GP Brasil de F-1.
Numa dessas conversas, um leitor assíduo do conteúdo virtual da Folha de S. Paulo deixa-me um link na janela de nossa conversa uma reportagem deste jornal reportando que o Presidente em exercício do Senado, Tião Viana (PT-AC), rejeitou a sexta representação contra Renan Calheiros (PMDB-AL) por acreditar na cassação dele em uma das outras representações em trâmite, além de ter rejeitado a representação contra Eduardo Azeredo (PSDB-MG) em troca de apoio a aprovação da prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).
Vide link:
Logo após ler a matéria, vejo o título de uma outra que reportava a intenção do Presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO) arquivar a representação feita contra Eduardo Azeredo.
Vide link:
O que faço? Copio e colo o link da reportagem na janela da minha conversa com o leitor assíduo da FSP.
Não sei se o leitor assíduo da FSP, que sempre joga na minha cara a raiva burguesa que ele tem do PT tomando como verdade absoluta tudo aquilo reportado pela FSP, percebeu o que eu quis dizer.
É preciso saber que Leomar Quintanilha foi membro da ARENA (Aliança Renovadora Nacional), partido oficial dos favoráveis à ditadura militar no Brasil de 1.964 a 1.985. Fica claro que Quintanilha usa argumentos para poupar Azeredo ao declarar existir uma jurisprudência no Conselho de Ética orientando que denúncias não podem apurar fatos ocorridos antes da posse de qualquer parlamentar. Ora, se esse é o procedimento a ser tomado então há aí uma lacuna: vários parlamentares foram investigados e absolvidos durante o escâdalo do "mensalão" por supostamente terem usado da mesma prática que Azeredo para se elegerem, o "Valerioduto", agora também apelidado de "Tucanoduto". Se vários desses parlamentares foram representados e investigados por isso, por que Azeredo será poupado? Na mesma matéria, o Senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que já confessou ter usado do caixa-dois para financiar campanhas eleitorais, disse que não há necessidade de representação contra Azeredo porque o Ministério Público Federal já estava cuidando do caso. Ora! Se José Dirceu foi cassado e denunciado no Supremo Tribunal Federal, por que o Azeredo só responderá pelo "Tucanoduto" no MPF? Representação nele, sim!
A FSP, na qualidade de reforço midiático da direita brasileira engrossa o côro junto a Quintanilha para evitar o desgaste da imagem política de um oposicionista a um governo que ela também se opõe. Tivesse ela adotada a mesma postura quando Roberto Jefferson (PTB-RJ) foi cassado por não provar suas denúncias do mensalão que nem ela e nem a CPI da Compra de Votos conseguiram provar, o escândalo desse fato inexistente e não provado teria uma dimensão muito menor, pois um dos mais lidos jornais do país não teria usado de sua atribuição para alimentar tal escândalo. O fez porque é oposicionista e viu na alimentação de tal escâdalo a oportunidade de "matar dois coelhos numa cajadada só": derrubar um governo eleito democraticamente através da tentativa de, adepta do jornalismo mercadológico, vender um escândalo impresso em folhas de jornal. Em outras palavras, não se noticia a verdade mas sim aquilo que se vende.
Também fica claro que a FSP mais uma vez tenta camuflar a realidade. Ela se dá ao luxo de simplesmente dizer que Azeredo não pode ser representado por questões jurisprudenciais para esconder quem de fato carrega os adjetivos usados por ela e pela direita brasileira quando do escândalo do fato inexistente e não provado.
Em meio a essa demonstração de interesses políticos do meio de comunicação em evidência neste artigo e outros anteriormente citados neste blog, só nos resta recordar e pôr em prática a frase do célebre pensador italiano Antonio Gramsci: "Operários, não escutai os meios de comunicação".
Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

DIOGO SCHELP E VEJA – ASSASSINOS DO JORNALISMO ÉTICO

A matéria de capa desta semana do semanário Veja superou os limites. A agressividade, a histeria e o panfletarismo são típicos das publicações da Abril e do jornalista que assinou o artigo sobre os 40 anos da morte de Che Guevara.
Desta vez, porém, os vícios habituais da editora não foram suficientes para a produção do texto. Para redigi-lo, recorreram a manipulações factuais, distorções históricas e mentiras escancaradas. O intuito evidente era enxovalhar a memória do Comandante Ernesto Guevara e seguir a obsessiva toada, já cansativa, sobre os supostos desacertos da Revolução Cubana.
Contestamos aqui apenas alguns pontos da reportagem, com o perdão da má palavra. Aqueles que, em nosso ponto de vista, não poderiam ficar sem resposta. Veja, embora tente, não será jamais dona da verdade.




“Veja conversou com historiadores, biógrafos, antigos companheiros de Che na guerrilha(...) Por isso, apesar do rancor que PODE apimentar suas lembranças, os exilados cubanos SÃO VOZES DE MAIOR CREDIBILIDADE".

Ou seja, está dada a desculpa para o amontoado de parcialidades e acusações rasteiras que surgem ao longo do texto. Vejamos algumas fontes da revista:

Napoleón Vilaboa, exilado em MIAMI, que ganhou dinheiro explorando a saída de cubanos pelo porto de Mariel, em 1980, no rastro de um acordo firmado entre Cuba e Estados Unidos;
Pedro Corzo, do Instituto de Memória Histórica Cubana, sediado em, pasmem, MIAMI! É tão arraigadamente estadunidense que, em seu e-mail de contato, nega até seu nome latino para adotar petercorzo@msn.com;
Jaime Suchlicki, historiador cubano, da Universidade de MIAMI, é claro;
Hubert Mattos, exilado em MIAMI, ex-comandante do exército rebelde, condenado a 20 anos em Cuba por traição. Não se sabe por que razões o tirânico regime deixou-o emigrar para os EUA. Segundo a lógica do doentio jornalista, o destino mais certeiro para Mattos deveria ser a morte.

Como se vê, não foram ouvidos cubanos residentes na ilha. O argumento de Veja? Com a repressão em Cuba, eles não sairiam da ladainha oficial. Para Veja, não há pensamento próprio na ilha, apenas fantoches que reproduzem discursos oficiais. Visão mais tacanha é impossível. Os cubanos de Miami são lúcidos e parciais. Já os da ilha são teleguiados pelo aparelho repressivo. Então tá.
Sugerimos a Schelp e a seus patrões um passeio de uma semana por Havana. Veja talvez tenha receio de visitar Cuba e descobrir que a ilha não é nada do que sustenta a revista em sua cruzada doentia contra a Revolução. E, para desespero maior de seus algozes ideológicos, está em absoluta normalidade desde o afastamento de Fidel Castro do poder, há 14 meses.
Sim, espera-se um dia a morte do líder, inegavelmente debilitado e já com 81 anos. Mas supor que sua desaparição física eliminará a revolução é um exercício de futurologia típico da revista e do jornalista. Ou, pior, um desejo indisfarçável de Diogo Schelp, a pena de aluguel mais furibunda a serviço dos controladores da Abril.

Prossigamos.

"Centenas de homens que ele (Che) fuzilou em Cuba tiveram sua sorte selada em ritos sumários que não passavam de dez minutos".

Quais? Que homens? Qual a fonte de Schelp?
Uma das primeiras decisões do novo governo rebelde, e isso é fato, foi a criação de juízos revolucionários como parte de um processo conhecido como Comissão Depuradora. Todos aqueles apontados como criminosos de guerra ou associados ao regime de Batista foram levados a julgamento. Entre janeiro e abril de 1959, aproximadamente mil colaboradores do antigo regime foram denunciados e julgados por meio dos tribunais revolucionários. Cerca de 550 deles foram condenados à pena de morte.
Ernesto Guevara, na condição de comandante de La Cabaña durante os primeiros meses da Revolução, teve sob seu comando os julgamentos e as execuções das penas daqueles que estavam detidos na fortaleza. Para disciplinar os juízos, estabeleceu um sistema judicial com tribunais de primeira instância e um tribunal de apelações. As audiências eram públicas e se desenvolviam como em um tribunal qualquer, com promotores de acusação, advogados de defesa e depoimentos de testemunhas, tanto arroladas pela acusação como pelos réus. A biografia de Jon Lee Anderson, citada, mas não lida por Schelp, a julgar pelo conteúdo de seu texto, mostra isso com nitidez.
As críticas dirigidas a Cuba por conta das sentenças de morte, à luz dos acontecimentos de então, são mais ideológicas do que movidas por razões humanitárias. Tratava-se de um período pós-guerra, com o país convulsionado e que, ademais, convivia com a possível reação das forças que desejavam a volta de Batista ao poder, minoritárias entre a população, mas poderosas economicamente.
Os principais algozes de Cuba, os Estados Unidos e seus aliados da Europa, vencedores da 2ª Guerra Mundial, não julgaram os criminosos nazistas de modo distinto daquele que foi adotado na Cuba revolucionária. Nem por isso houve insinuações de parcialidade contra o tribunal de Nuremberg ou o clamor mundial para que algum acusado deixasse de ser executado.
Entre os condenados aos fuzilamentos em La Cabaña figuravam notórios assassinos, torturadores das forças de Batista e outros criminosos que haviam enriquecido às custas de corrupção e da exploração da miséria da maioria da população cubana.


“Houve um golpe comunista dentro da revolução.”

Em que data isso aconteceu? O jornalista, um obstinado porta-voz da direita reacionária, é tão tresloucado em seus ataques sistemáticos à Revolução Cubana, que deve ter misturado períodos históricos. Houve um golpe de estado comunista na Revolução Russa, em 1917, quando os bolcheviques assumiram o controle do Estado e deram início a criação da União Soviética. Em Cuba, não. Fidel Castro sempre foi o líder máximo da Revolução, desde 26 de julho de 1953, quando atacou o quartel de Moncada, até tomar o poder, com amplo apoio popular (ignorado pela revista), em 1º de janeiro de 1959.

"Na versão mitológica, Che era dono de talento militar excepcional".

Não é verdade. Nem o próprio Guevara acreditava nisso. Um exemplo está em seu diário de campanha da guerra no Congo. Ele começa o livro com a frase "Esta é a história de um fracasso". Além do mais, tendo ou não talento militar excepcional, foi a Batalha de Santa Clara, em dezembro de 1958, comandada e vencida por Guevara, que desencadeou a queda de Fulgêncio Batista. Santa Clara era a última grande cidade antes de Havana e também a última esperança do regime em conter o avanço rebelde.

"Em seis meses de comando em La Cabaña, duas centenas de desafetos foram fuzilados".

Mais uma mentira. Na verdade, foram cerca de 550 condenados à morte e não eram "desafetos" ou apenas "gente incômoda", como diz Veja. Eram, principalmente, corruptos e torturadores do antigo regime. A matéria não diz, mas Che proibia tortura e fuzilamentos de soldados feridos ou já rendidos. Isso conta o biógrafo Jon Lee Anderson, utilizado por Schelp como escora para dar algum peso a seu texto imundo.

"Che descreve como executou Eutímio Guerra, "acusado" de colaborar com os soldados de Batista".

Guerra, segundo descreve a brasileira Claudia Furiati, autora de uma das principais biografias de Fidel, recebeu uma arma do exército e a ordem de executar Castro enquanto este dormia. Não o fez porque sempre havia sentinelas de plantão nos acampamentos rebeldes. A cada deslocamento da guerrilha, porém, a Força Aérea Cubana atacava o local, coincidentemente sempre que Eutímio deixava o acampamento.
Os rebeldes desconfiaram de seu comportamento, interrogaram-no e ele acabou confessando que era agente do exército. Foi julgado, no meio da selva, e condenado à morte, como ocorreria com um traidor em qualquer outra guerrilha do mundo. A justiça guerrilheira nada mais é que uma corte marcial adaptada às circunstâncias do momento. Guerra pediu que os rebeldes, caso triunfassem, educassem seus filhos. Hoje, seus descendentes são oficiais das Forças Armadas Revolucionárias.
Fidel não determinou quem executaria a tarefa de execução do traidor. Che Guevara realmente assumiu a incumbência, fato incontestável e, entre tantas linhas, um dos poucos acertos de Schelp.
Apenas deve se registrar que ele não matou um pobre camponês, mas um homem que pôs a vida de centenas de outros em risco. Por que, segundo a lógica de Schelp, os guerrilheiros podem e devem ser bombardeados por conta de uma delação e correr risco de morte e o responsável pela traição não pode ser executado?

"Ernesto Guevara Lynch de la Serna nasceu em uma família de esquerdistas ricos na Argentina".

Mais uma atrocidade de Schelp, que sequer conhece o nome da vítima de sua caneta. O nome de Che era simplesmente Ernesto Guevara e seus pais não eram ricos nem esquerdistas. Nenhum deles tinha filiação partidária, eram abertamente contra o governo Perón, que seduziu a esquerda argentina com seus projetos voltados aos descamisados, como a primeira-dama Eva Perón costumava se referir aos segmentos mais humildes da população argentina. Ernesto Guevara Lynch e Celia de la Serna, os pais, tampouco eram ricos. Viviam como um típico casal de classe média alta, se tanto. Moraram na Recoleta, o bairro mais elegante de Buenos Aires, quando a avó de Che morreu e lhes deixou como herança um apartamento. Claro que Veja não conta tudo em detalhes. Informar não é função do jornalismo da Abril.

"Para se livrar de Che, Fidel o mandou à Assembléia-Geral da ONU".

Delírio absoluto. Che era o segundo nome do estado cubano, o principal porta-voz da revolução, depois do próprio Fidel. Guevara viajou a inúmeros países e assinou diversos tratados de assistência econômica e militar com outras nações socialistas. Era perfeitamente normal que representasse Cuba em uma Assembléia da ONU.

"Como ministro e embaixador, não conseguiu o que queria".

Texto vago, até impede um comentário mais elaborado sobre algo tão pobre. Registramos apenas que Che NUNCA foi embaixador de Cuba.

"Che propôs a seus comandados lutar até a morte no Congo, mas foi demovido do propósito pela soldadesca".

Mentira deslavada. Che organizou a retirada da tropas cubanas, quando uma das facções congolesas entrou em acordo com o governo que até então combatia. Isso abriu caminho para avanço das tropas mercenárias financiadas por conglomerados mineradores da África do Sul, lideradas por Mike Hoare.
Diante do iminente massacre, Che ORDENOU a retirada de todos os cubanos do Congo. Claro, Veja cria sua própria versão da história.
E mais: dois soldados cubanos não conseguiram chegar a tempo ao barco, às margens do lago Tanganica, que os levaria à Tanzânia e ficaram perdidos em território congolês. Che mandou um destacamento da inteligência cubana em busca dos dois, que foram encontrados vivos, quatro meses depois, quase em território ruandês. Comportamento estranhíssimo para um louco sedento de sangue, egoísta e assassino até de seus próprios homens.

"Três fatos ajudaram a consolidar o mito. O primeiro, a morte prematura, que eternizou sua imagem jovem(...) a pinta de galã".

Ridículo. Diogo Schelp deveria procurar ajuda terapêutica. Acreditar que a aparência física de Che Guevara é responsável por sua irreversível entrada na História é algo que Freud pode explicar.

"A decadência física e política de Fidel Castro, desmoralizado pela responsabilidade no isolamento e no atraso econômico que afligem os cubanos, dá uma idéia do que PODERIA ter acontecido com Che".

O jornalista não diz que o isolamento é, essencialmente, fruto do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos há quase 50 anos, naquela que talvez seja a maior agressão não militar já sofrida por uma nação em toda a história humana. Quanto à decadência política de Castro, trata-se, mais uma vez, de um desejo de Schelp. Uma viagem a Cuba rapidamente o convenceria do contrário. Fidel é idolatrado pela população, que vive, sim, em um país pobre e com problemas, admitidos até pelo governo cubano. Já a decadência física de Fidel é inevitável. Todos são mortais e não podemos nos esquecer que ele tem 81 anos e se recupera de grave doença. E em relação ao que PODERIA ter acontecido com Che, Pai Schelp de Ogum revela que tem predileção pelas ciências ocultas, pela futurologia. Talvez fizesse melhor em deixar o jornalismo.

"Se houve um ganhador da Guerra Fria, foi Che Guevara".

Raciocínio deplorável. O sujeito é capturado, rendido e assassinado, mas é ganhador. Pela mesma lógica, se alguém ganhou a 2ª Guerra Mundial, foram os judeus. Afinal, há 60 anos se fala em Holocausto e eles conquistaram o direito ao Estado de Israel, não importando o custo de seis milhões de mortes.

“Fidel se desmancha lentamente dentro daquele ridículo agasalho esportivo”.

Tenha calma, Schelp. Segundo a ordem natural das coisas, você terá o imenso prazer de ver Fidel morto. Temos certeza de que até o obituário de Veja já está preparado. Agressivo, virulento, histérico, panfletário, como é de seu estilo.
Você terá seu instante momentâneo de deleite, assim como a máfia cubano-americana de Miami, ávida por retornar à ilha e transformá-la de novo em um grande cassino.
Mas daqui a 50, 60 anos, o mundo continuará relembrando o aniversário da morte de Che Guevara e, infelizmente, para os que acreditam em outra ordem social, outros tantos anos da morte de Fidel Castro.
Quanto a você, terá sido devidamente esquecido e jogado na lata de lixo reservada para os assassinos do jornalismo ético. Ninguém lembrará de sua triste passagem pelo mundo.


São Paulo, 2 de outubro de 2007.

IZQUIERDA UNIDA

Lilian Vaz - Secretária-Geral
Luiz Alberto Costa Ortiz - Secretário de Finanças
Antonio Gabriel Haddad - Secretário de Comunicação
Vera Pasqualetto - Secretária de Organização e Administração
André Furtado - Secretário de Relações Institucionais

DE VOLTA EM DEFINITIVO!

Salve, salve leitores e leitoras do Blog. Em primeiro lugar, esclarece-se que o blog ficou inativo nos últimos três meses devido à falta de tempo do responsável. Vida de alguém que vive o dia inteiro no trabalho e na faculdade. Lembrem-se: COLABORADORES SÃO BEM VINDOS!
Para manter uma regularidade, estaremos agora, em definitivo e sem desculpas, publicando textos todas às segundas feiras, sempre armados de prendedores no nariz e saco de vômito para não nos rendermos às bombas de efeito pseudo-moral da grande mídia. Poderemos também voltar em situações extra-ordinárias, provavelmente em algum escândalo fabricado por já sabemos quem.
Aliás, que tal nos referirmos a esse quem como pequena mídia?
A seguir, a resposta do recém-fundado grupo político Izquierda Unida à matéria da Veja sobre os 40 anos da morte do revolucionário latino-americano Ernesto "Che" Guevara.
Continuemos em combate, pois enquantos alguns estão cansados, nós estamos sempre dispostos a vencer as injustiças!
Boa leitura!

terça-feira, 26 de junho de 2007

VOLTANDO NO TEMPO PARA ENTENDER A REDE GLOBO

Leitores e leitoras do blog, existe uma frase de um autor desconhecido (pelo menos nunca achei o autor da frase quando pesquisei na internet) que pronuncia que "um povo que não conhece a sua história está condenado a repetí-la". Hoje durante o trabalho um amigo meu me disse que a concessão de funcionamento da Rede Globo vence em outubro próximo. Não tenho fontes para confirmar a informação, mas ele me passou isso.

Todos nós sabemos que a Globo tem uma participação muito forte na vida política do país, mas suas mazelas, por serem pouco conhecidas e difundidas, são pouco combatidas. Para que possamos saber a quais interesses a maior rede de TV do país serve, deixo abaixo links de dois vídeos que mostram de forma muito transparente a quem a Rede Globo serve e como ela construiu seu império midiático ao longo da ditadura militar.

O primeiro link trata do documentário produzido no começo dos anos 90 pelo britânico Simon Hartog, Além do Cidadão Kane. O documentário mostra de forma fidedigna como a Rede Globo foi criada para servir de meio de comunicação oficial do regime militar e como ela pode ser decisiva para a vida política do país desde sua fundação até hoje.

O nome do documentário se deve ao clássico do cinema Cidadão Kane, de Orson Whelles, no qual o próprio Whelles interpreta Charles Foster Kane, um poderosíssimo magnata que construiu seu império através da especulação midiática. Procurem o filme na locadora mais próxima!

Como o documentário é longo, sugiro ao leitor e à leitora que deixem o documentário carregando e leiam um livro enquanto isso.
O segundo link está acompanhado do texto que consiste na carta de direito de resposta lido pelo Cid Moreira, de autoria do saudoso Leonel Brizola. Ainda que eu não tenha tanta afinidade assim com os pensamentos políticos de Brizola, seria um crime descartar a importância de sua história para a vida política do país. Além de ser vítima de um golpe frustrado da Globo nas eleições para o governo do estado do RJ em 1982, como mostra Além do Cidadão Kane, a carta de direito de resposta derruba o véu de qualquer indício de honestidade jornalística que a Globo poderia ter.
Abaixo do link, segue o texto do direito de resposta de Brizola na íntegra para aqueles que queiram ver o vídeo (na verdade ouvir) e acompanhar pelo texto escrito.

Bons vídeos a todos!



"Em cumprimento à sentença do juiz de Direito da 18ª Vara Criminal da Cidade do Rio de Janeiro, em ação de direito de resposta, movida contra a TV Globo, passamos a transmitir a nota de resposta do sr. Leonel de Moura Brizola.

"Todos sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui cita o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado, perante o povo brasileiro. Quinta-feira, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar editorial de ‘O Globo’, fui acusado na minha honra e, pior, apontado como alguém de mente senil. Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador, Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si. Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos, que dominou o nosso país.

Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta-feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios. É apenas o temor de perder o negócio bilionário, que para ela representa a transmissão do Carnaval. Dinheiro, acima de tudo.

Em 83, quando construí a passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar de todas as formas o ponto alto do Carnaval carioca.

Também aí não tem autoridade moral para questionar. E mais, reagi contra a Globo em defesa do Estado do Rio de Janeiro que por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior.

E isso é que não perdoarão nunca. Até mesmo a pesquisa mostrada na Quinta-feira revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado. Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria antes um dever para qualquer órgão de imprensa, dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção.
Quando ela diz que denuncia os maus administradores deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante do seu poder.

Se eu tivesse as pretensões eleitoreiras, de que tentam me acusar, não estaria aqui lutando contra um gigante como a Rede Globo.

Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado. Quando me insulta por nossas relações de cooperação administrativa com o governo federal, a Globo remorde-se de inveja e rancor e só vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível: quem sempre viveu de concessões e favores do Poder Público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesma.

Que o povo brasileiro faça o seu julgamento e na sua consciência lúcida e honrada separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis, gananciosos e interesseiros’.

Assina Leonel Brizola".

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

domingo, 24 de junho de 2007

AGORA COM MAIS TEMPO

Caríssimos leitores e caríssimas leitoras. Este blog surgiu com uma grande expectativa dos resultados que poderia ter. Porém, devido a provas na faculdade nessas últimas semanas, não foi possível continuar por esse blog o combate ao cerco midiático despolitizado imposto à população. Dentro desse contexto, anuncio que, agora que estou de férias da faculdade, o blog vai continuar o combate à mídia de forma mais intensa e para não passar em branco, ficará abaixo algumas considerações.

Uma boa leitura a todos e fiquem à vontade para se colocarem pró e contra as postagens.

- Lamentável a entrevista do escritor peruano Mario Vargas Llosa ao repórter Edney Silvestre, no Jornal da Globo, há mais ou menos duas semanas atrás. Para Llosa, a palavra liberalismo significa a conquista das liberdades individuais humanas. Ou seja, 2/3 da humanidade estão condenados a fome e o atual modelo econômico vigente no mundo tem sua origem no liberalismo clássico de Smith: os problemas sociais serão naturalmente resolvidos pelo mercado. Essa é a liberdade defendida por Llosa, que afirmou ter medo do "populismo" na América Latina e das ditaduras de Chavez e Fidel. Digam a ele que quem financiou as ditaduras militares nas décadas de 60 e 70 foram os EUA, principais defensores do liberalismo.

- A grande mídia cai em incoerência. Quando da queda do avião da Gol durante as eleições ano passado, deixou de noticiar o acontecimento para tentar alavancar a candidatura Alckmin com o escândalo do dossiê. Não tendo dado certo a tática, visto o crescimento de Lula no segundo turno em relação ao primeiro, ela agora quer derrubar o governo de qualquer forma escandalizando o atraso dos vôos nos aeroportos. O que a mídia quer? Que os controladores de vôo continuem a operar além do limite estabelecido para cada controlador ou que a Infraero também seja privatizada como na era FHC?

- Dois repúdios: o primeiro à matéria sensacionalista e infundamentada da Revista Veja sobre a indenização paga à família do Capitão Carlos Lamarca. Bolsa Terrorismo foi o que aconteceu durante as privatizações na era FHC. Enquanto o patrimônio do povo brasileiro era esbulhado por FHC e seus comparsas, o dinheiro das privatizações tomava rumo ignorado. A Veja também não tem moral para dizer que Lamarca queria implantar uma ditadura comunista no Brasil. Primeiro porque os autores dessa caluniosa, injuriosa e difamatória matéria não conhecem nada de ciência política e marxismo, pois o comunismo é o fim das classes sociais e do próprio Estado. Segundo porque Lamarca não queria implantar nenhuma ditadura no Brasil. Ele desertou do Exército para lutar contra a ditadura que essa instituição instaurou patrocinada pela CIA e pelo FBI e apoiada por grande parte das oligarquias que hoje controlam os meios de comunicação no país.

- O repúdio final fica à ex-senadora e presidente reeleita do PSOL, Heloisa Helena, que durante o I Congresso da sigla que preside disse que renovaria a concessão da RCTV (veja posts abaixo) e preferiria ter três minutos no Jornal Nacional para falar o que pensa. A Veja e a Globo com certeza pularam de alegria!

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

INFORMANTE DA POLÍCIA E NÃO DE NOTÍCIAS

O G8 não tem nenhum comprometimento com as soluções dos atuais problemas da humanidade, especialmente a pobreza e o meio ambiente em tempos de aquecimento global. Os oito países mais ricos do mundo sempre se reúnem para fazerem uma análise de conjuntura dos fatos atuais e dos problemas vividos pela humanidade para darem a esses problemas alguma solução baseada na visão de mundo neoliberal e elitista que visa manter a hegemonia da economia de mercado, a maior causa desses problemas. Se é que eles discutem as questões atuais como problemas, pois já lembrava Norberto Bobbio que para a direita as aberrações sociais são algo normal como o dia vem após a noite. Contrários a essa visão mercantilista do mundo, as reuniões do G8 sempre são marcadas por protestos, quando então entra em cena o papel da grande imprensa.

O encontro do G8 dessa semana que acontece em Heiligendamm, na Alemanha, está marcado por forte tensão. O belicista George Walker Bush, presidente da maior potência bélica da história da humanidade, chega a sede do encontro depois de passar pela República Tcheca e ter uma visita agendada na Polônia após a reunião do G8 para, em ambas, negociar a construção de bases militares dos EUA nesses países. Por mais que Bush se esforce em dizer que a Rússia não tem nada com isso, a preocupação do Primeiro Ministro russo Vladimir Putin tem razão de ser. Se nesta região do mundo só existe uma potência bélica, a Rússia, contra qual país os EUA construíriam um escudo ofensivo naquela região?

Em Rostock, cidade vizinha à sede do encontro, as manifestações contra o G8 são marcadas por ofensas à presunção de inocência, ao contraditório e a ampla defesa e aos direitos humanos. A grande mídia então entra em cena ao noticiar somente o número de policiais feridos nas manifestações, mas não dá o devido destaque à pauta da reunião do G8. Sabemos que há manifestação e violência em Rostock, mas mesmo tendo o direito à informação não ficamos sabendo o que pensam os defensores da economia de mercado sobre os atuais problemas vividos pela humanidade.

Pelas imagens das manifestações, ainda que veículadas na grande mídia, vemos que enquanto os manifestantes vão às ruas descamisados com palavras de ordem escritas em seus corpos e bandeiras, os policiais do primeiro mundo são muito bem equipados. Escudo, armas, jatos d´água e capacete fariam inveja a exércitos de países subdesenvolvidos. Com todo esse equipamento e preparação recebidos despendidos pelo erário do primeiro mundo, não há como numa estimativa de 1000 feridos, 450 serem policiais! É inconcebível, nessa situação de uma polícia hiper bem equipada, 45% dos feridos serem os responsáveis pela segurança do encontro dos destruidores do mundo!

A grande mídia brasileira, porta-voz dos argumentos da redução da maioridade penal, nos programas policiais como o antigo Aqui Agora, o Linha Direita e o Brasil Urgente, passa-nos a idéia de que no Brasil não há justiça, que deveríamos nos basear nos países do primeiro mundo para mudarmos a nossa legislação e fazermos justiça. E qual justiça há nesses países, onde manifestantes em menos de uma semana são condenados a 10 meses de prisão? Onde foram parar os princípios da presunção de inocência, do contraditório e da ampla defesa, criados por esses países?

Mais uma vez a grande mídia exerce o poder que tem de fato e não de direito, o poder de polícia judiciária, pois enquanto divulga números absurdos de violência policial, omite a todos a pauta que o G8 quer impor aos países que subjugam.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

domingo, 3 de junho de 2007

SOLIDARIEDADE GLOBAL A RCTV DIRETO DE MARACAIBO

Ontem a noite no programa Altas Horas, da Rede Globo, Serginho Groisman, por pouquíssimos minutos, promoveu uma teleconferência com um jovem brasileiro residente em Maracaibo, Venezuela. Não sei se por curiosidade própria ou por mando dos chefões da Rede Globo, Serginho fez a pergunta do momento que o jornalismo corporativo do grande capital não quer calar: como o povo venezuelano estava reagindo ao fechamento da RCTV.

Insisto em passar a informação aos leitores deste blog que na verdade a RCTV não foi fechada, ela não teve a sua concessão renovada, é uma situação diferente da que a grande mídia nos quer passar.

Relatando o clima na Venezuela, o jovem brasileiro, demonstrando na sua fala com algumas gaguejadas não estar realmente convicto da realidade dos fatos, disse que a RCTV foi fechada porque ela atacou Chavez em abril de 2002. Durante a fala dele, a Globo mostrava rapidamente imagens de alguns venezuelanos presentes no estúdio da RCTV no dia da sua última transmissão, algumas pessoas que escreviam de branco no vidro de um carro aparentemente acessível às classes economicamente altas as iniciais da Radio Caracas Television (RCTV), além de mais algumas pessoas terem enfrentado a polícia contra o "fechamento" da RCTV.

Detalhe: posso estar errado e me dou ao privilégio de rever as imagens para, em caso de erro, rever minha postagem, mas até então as imagens da Globo mostram aquilo que popularmente chamamos de "meia dúzia de gatos pingados" protestando contra o fim da RCTV. Entretanto, a maior emissora de TV brasileira nunca se deu ao luxo de mostrar a imensa quantidade de pessoas presentes nas passeatas pró revolução bolivariana. Quando da tentativa de derrubada de Chavez em 2002, por exemplo, a Globo apenas mostrou o discurso de Chavez após o reestabelecimento da ordem constitucional, mas em momento algum mostrou os dois milhões de venezuelanos que ficaram mais de doze horas nas grades e ruas próximas ao Palácio Miraflores pedindo a volta de Hugo Chavez!

Infelizmente, o jovem brasileiro entrevistado por Groisman não sabe o que acontece no país onde mora. A RCTV não foi fechada porque era inimiga de Chavez. Ela não teve sua concessão renovada porque usou de uma concessão pública para descumprir a lei e tentar dar um golpe de Estado, atentando contra a ordem constitucional venezuelana.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

OBSERVANDO PARA NÃO CAIR NA INCOERÊNCIA

Publiquei na postagem anterior que o Senado aprovou uma nota de protesto (ou repúdio, o nome que quiserem dar) contra a não renovação da concessão da RCTV pelo governo do Presidente Hugo Chavez. Nesta publicação, mencionei que o documento do Senado tinha assinaturas de mandatários do PT.

Entretanto, faço aqui uma observação mesmo antes de ser requerido a fazê-la: obtive a informação pela Folha de S. Paulo. Se a intenção desse blog é ir Além da Grande Mídia, que a informação seja confirmada por outras fontes. Do contrário, eu não estaria questionando informações dadas pelos grandes meios de comunicação, deixando de honrar o nome do blog.

Para finalizar, relato que acessei o sítio eletrônico do Senado Federal e que não encontrei nenhum documento do tipo, pouco menos os possíveis signatários.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

sábado, 2 de junho de 2007

CHAVEZ E LULA ESTÃO CERTOS

A imprensa não descansa. Representada pelos defensores do grande capital, ela reconhece que a onda socialista e progressista vivida pela América Latina a partir da primeira década do terceiro milênio é uma ameaça ao fim de sua existência.

O Senado brasileiro, nesta sexta-feira 01/06/2007, aprovou uma nota de repúdio (inclusive, para o meu pesar, com assinaturas de mandatários do PT) se posicionando contra a não-renovação da concessão da RCTV pelo governo eleito democraticamente do Presidente Hugo Chavez. Tal atitude fez com que Chavez respondesse que o Senado brasileiro era papagaio dos EUA.

Para muitos, uma atitude provocadora. A imprensa nada de braçada para malhar Chavez enquanto o assunto render noticiário no mais novo (não tão novo assim) método de cobertura jornalística brasileira: o pseudoclamor de ética na política, pois ninguém clamou por ética quando a Globo editou o debate de 1989 entre Collor e Lula, ninguém clama por ética quando os meios de comunicação se referem a Fidel Castro como ditador, ninguém da imprensa clamou por ética quando FHC disse que os aposentados eram vagabundos, ninguém clamou por ética quando após as privatizações a dívida externa aumentou em dez vezes, etc, etc e etc. Leia-se ninguém a direita brasileira.

Chavez está certo, o Senado brasileiro é papagaio dos EUA, afinal, a RCTV não teve uma concessão pública renovada e participou abertamente de uma tentativa de golpe de Estado financiada pelos EUA contra Chavez em 2002. Logo, um golpe patrocinado pelos EUA deu errado e se Senadores brasileiros repudiam o fechamento de uma entidade que foi patrocinada pelos EUA para dar um golpe, eles repudiam o fechamento de uma entidade laranja do império. Portanto, são sim papagaios dos EUA.

Lula, na qualidade de estadista, disse muito bem: cada país deve resolver seus problemas internos sem interferências externas. Mas aí alguém vem e pergunta para o autor desse artigo: se é assim, então por que Chavez está certo em dizer que o Senado brasileiro é papagaio dos EUA? Simples resposta: por que quem começou o debate foi o Senado brasileiro aprovando uma nota de repúdio de uma questão a ser resolvida internamente pela Venezuela.

Conclusão: nesse episódio, Chavez e Lula estão certos. O Senado brasileiro é papagaio dos EUA, mas cada qual com seus problemas internos a serem resolvidos.
Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

APRESENTAÇÃO

Caro leitor, nesta madrugada de sexta para sábado, iniciamos as atividades do nosso blog. É impossível conceber a construção da igualdade social lendo a sociedade somente através dos fatos noticiados pelos conservadores. Claro, é difícil abordar todas as mazelas da grande mídia, mas sempre que pudermos atuar como questionadores e defensores de um ponto de vista alternativo, estaremos aqui cumprindo a nossa função de "pedra no sapato" da grande mídia. E com muita honra! Somos dialéticos, e dialética é a contraposição de duas versões diferentes para o mesmo fato. A nossa versão, dentro do contexto dialético, é a socialista, a alternativa.

E a grande mídia, como não poderia deixar de ser, (re)aproveitou para malhar estadistas socialistas novamente. Veja você mesmo na postagem a seguir. A princípio, uma boa e eterna jornada de questionamentos das notícias da grande mídia a todos.