segunda-feira, 22 de outubro de 2007

CONCLUSÕES DIFERENTES SOBRE A MESMA PRÁTICA

Domingo, 21/10/2007, 19:00h, estava eu aproveitando as últimas horas fora da indústria cultural, reunindo forças para voltar a ela no dia seguinte. Detalhe: estava defronte meu computador com alguns amigos comentando, através de um programa de conversa instantânea, a 32ª rodada do campeonato brasileiro de futebol e ouvindo pelo rádio, via rede mundial de computadores, Flamengo x Grêmio. Não torço por algum dos dois times mas simpatizo com um narrador do futebol carioca na hora do gol. Também não perdi a oportunidade de comentar com meus amigos a "amarelada" do Lewis Hamilton no GP Brasil de F-1.
Numa dessas conversas, um leitor assíduo do conteúdo virtual da Folha de S. Paulo deixa-me um link na janela de nossa conversa uma reportagem deste jornal reportando que o Presidente em exercício do Senado, Tião Viana (PT-AC), rejeitou a sexta representação contra Renan Calheiros (PMDB-AL) por acreditar na cassação dele em uma das outras representações em trâmite, além de ter rejeitado a representação contra Eduardo Azeredo (PSDB-MG) em troca de apoio a aprovação da prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).
Vide link:
Logo após ler a matéria, vejo o título de uma outra que reportava a intenção do Presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO) arquivar a representação feita contra Eduardo Azeredo.
Vide link:
O que faço? Copio e colo o link da reportagem na janela da minha conversa com o leitor assíduo da FSP.
Não sei se o leitor assíduo da FSP, que sempre joga na minha cara a raiva burguesa que ele tem do PT tomando como verdade absoluta tudo aquilo reportado pela FSP, percebeu o que eu quis dizer.
É preciso saber que Leomar Quintanilha foi membro da ARENA (Aliança Renovadora Nacional), partido oficial dos favoráveis à ditadura militar no Brasil de 1.964 a 1.985. Fica claro que Quintanilha usa argumentos para poupar Azeredo ao declarar existir uma jurisprudência no Conselho de Ética orientando que denúncias não podem apurar fatos ocorridos antes da posse de qualquer parlamentar. Ora, se esse é o procedimento a ser tomado então há aí uma lacuna: vários parlamentares foram investigados e absolvidos durante o escâdalo do "mensalão" por supostamente terem usado da mesma prática que Azeredo para se elegerem, o "Valerioduto", agora também apelidado de "Tucanoduto". Se vários desses parlamentares foram representados e investigados por isso, por que Azeredo será poupado? Na mesma matéria, o Senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que já confessou ter usado do caixa-dois para financiar campanhas eleitorais, disse que não há necessidade de representação contra Azeredo porque o Ministério Público Federal já estava cuidando do caso. Ora! Se José Dirceu foi cassado e denunciado no Supremo Tribunal Federal, por que o Azeredo só responderá pelo "Tucanoduto" no MPF? Representação nele, sim!
A FSP, na qualidade de reforço midiático da direita brasileira engrossa o côro junto a Quintanilha para evitar o desgaste da imagem política de um oposicionista a um governo que ela também se opõe. Tivesse ela adotada a mesma postura quando Roberto Jefferson (PTB-RJ) foi cassado por não provar suas denúncias do mensalão que nem ela e nem a CPI da Compra de Votos conseguiram provar, o escândalo desse fato inexistente e não provado teria uma dimensão muito menor, pois um dos mais lidos jornais do país não teria usado de sua atribuição para alimentar tal escândalo. O fez porque é oposicionista e viu na alimentação de tal escâdalo a oportunidade de "matar dois coelhos numa cajadada só": derrubar um governo eleito democraticamente através da tentativa de, adepta do jornalismo mercadológico, vender um escândalo impresso em folhas de jornal. Em outras palavras, não se noticia a verdade mas sim aquilo que se vende.
Também fica claro que a FSP mais uma vez tenta camuflar a realidade. Ela se dá ao luxo de simplesmente dizer que Azeredo não pode ser representado por questões jurisprudenciais para esconder quem de fato carrega os adjetivos usados por ela e pela direita brasileira quando do escândalo do fato inexistente e não provado.
Em meio a essa demonstração de interesses políticos do meio de comunicação em evidência neste artigo e outros anteriormente citados neste blog, só nos resta recordar e pôr em prática a frase do célebre pensador italiano Antonio Gramsci: "Operários, não escutai os meios de comunicação".
Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

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