terça-feira, 6 de novembro de 2007

DE UM VENEZUELANO AOS EDITORES DA VEJA SOBRE "ESSA DITADURA"

Leitores,

O blog publica nesta semana a carta do venezuelano radicado no Brasil Yojin Ramones, escrita para contestar a capa da Veja, também desta semana - Chávez, a sombra do ditador. O texto da carta foi obtido junto ao site Vermelho (
http://www.vermelho.org.br/). As publicações das visões alternativas à grande mídia continuam. Boa leitura a todos.



Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.


''Prezados editores da Veja, meu nome é Yojin Ramones, venezuelano vivendo no Brasil e fincando raízes neste país, já com uma filha brasileira. Escrevo estas linhas em espanhol, porque imagino que o conhecimento deste idioma é total da parte dos senhores, pela análise que fazem de meu país, a Venezuela. A capa da última edição da revista, como outras anteriores, demonstra um desconhecimento real da situação na Venezuela. Porém o mais grave é que isso é feito de maneira intencional, manipulando totalmente a verdade para apresentar uma matriz de opinião de ditadura. Pois bem, vou dar as características da ditadura de que os senhores falam.

A Venezuela recuperou a economia de uma forma acelerada, melhorando o poder aquisitivo de todos – escutem, de todos – os venezuelanos, ricos e pobres (antes eram apenas os ricos). O país tem anualmente o crescimento do PIB (Produto Interno bruto) mais elevado da América Latina.Nessa ditadura se convoca referendos sobre os temas mais importantes do país, para que o povo opine e escolha o que quiser.


Nessa ditadura consertou-se os abusos dos bancos na exploração de seus clientes. Por exemplo, a taxa de juro anual de um cartão de crédito é de 28%. Aqui no Brasil é de 120%.

Nessa ditadura há escassez de veículos porque todos compram carros.Essa ditadura se dá ao luxo de sofrer um golpe de Estado, e ver todos os meios de comunicação entrarem em cadeia para falar mal, humilhar e até falar xenofobicamente das pessoas, sem que exista uma só pessoa presa por isso.

Em matéria de obras, como metrôs, pontes, teleférico, aeroportos, etc., não há país da América latina que tenha tantas em apenas oito anos. Nessa ditadura a gasolina custa 5 centavos de real o litro, o que os neoliberais chamam de populismo.

Nessa ditadura os serviços de saúde devolveram a vista a milhares de pessoas carentes de recursos, não só venezuelanos mas latino-americanos, e pela primeira vez muitos bairros pobres têm um médico para dar atenção às pessoas.

Nessa ditadura o poder é cada dia mais transferido para o povo, essas pessoas de poucos recursos, que antes só eram recordadas nas eleições, sendo tratadas como pseudo-escravos. Essa ditadura busca na integração do Sul a prioridade do crescimento de nossas raízes e forças latino-americanas.

Por estas e muitas outras razões, essa ditadura, como os senhores a chamam, para nós é cristianismo, igualdade, esperanças. Sei que no Brasil as pessoas são muito boas, têm os mesmos desejos de progresso. Mas com a publicação dos senhores, a televisão Globo, seus canais de TV a cabo ou por satélite as pessoas não vão poder formar uma opinião, porque estão cercadas midiaticamente, hipnotizadas por programas como o BBB Brasil, para que nunca descubram a realidade em volta delas. No entanto, hoje em dia as cercas vêm abaixo, as pessoas opinam, tomam atitude, quer dizer, evoluem para a busca da verdade.

O tempo dará razão a quem a tiver. Sem mais para agregar e agradecendo o tempo dos senhores na leitura destas linhas,Yojin Ramones''.

Um comentário:

  1. Companheiro, foi com imensa satisfação que vi minha avaliação confirmada pelo biógrafo do Che.

    Logo que saiu aquela matéria-de-capa indecente, eu escrevi um artigo constatando, exatamente, que não se tratava de um trabalho jornalístico e sim propagandístico: simplesmente os autores reuniram em seu texto tudo que havia de negativo sobre o Che, sem levar em conta sequer a importância e idoneidade da fonte.

    E omitiram facetas indiscutivelmente positivas, como sua trajetória idealista no tempo dos "Diários da Motocicleta".

    A repulsa que a Veja inspira é tamanha que "Veja mira Guevara e dá tiro no pé" foi meu artigo de maior repercussão até hoje, publicado em várias dezenas de sites e blogs.

    É lamentável que, depois da entrada daquele grupo sul-africano de triste passado (estimulou o apartheid) na sociedade da Abril, a Veja se tenha tornado um veículo parcial e tendencioso, capaz de dar voz a um Diogo Mainardi e de encampar o blog do repulsivo Reinaldo de Azevedo.

    E pensar que, no final de 1969, a Veja fez uma matéria-de-capa histórica sobre as torturas praticadas pela ditadura militar, que acabou sendo o canto do cisne da imprensa antes do fechamento total! Quem te viu, quem te vê...

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