sábado, 24 de janeiro de 2009

BARACK OBAMA E OS CINCO PATRIOTAS CUBANOS

Após a posse do presidente dos EUA, Barack Hussein Obama, no último dia 20, o mundo já assistiu a tomada de atitudes suas que vão ao encontro daquilo prometido em campanha eleitoral: a retirada das tropas do Iraque e o fechamento da base de Guantanamo. Entretanto, um caso muito polêmico, porém de não menor importância, e quase nunca tratado pela grande mídia, tem na eleição do primeiro presidente negro dos EUA um fio de esperança, talvez o último.

Talvez o divisor de águas das relações Cuba x EUA não tenha sido o triunfo da revolução cubana em 1959, mas sim a declaração de Fidel Castro, em 1961, de que a partir dali em diante os princípios da revolução estariam embasados no marxismo e no leninismo. Em tempos de Guerra Fria, soou muito mal para o maior império da história da humanidade, o que se refletiu nas palavras de John Kennedy, ao dizer que nada havia contra a revolução cubana, a não ser sua entrega aos comunistas. Começava então a rivalidade entre Cuba e EUA.

Os defensores daquilo que Cuba era antes da revolução encontraram em Miami seu refúgio e com apoio da CIA mais o do governo estadunidense passaram a se estruturar para tentarem derrubar o socialismo, vindo então a surgir organizações terroristas arquitetadas pela máfia da mesma cidade onde se "refugiaram". Diga-se de passagem, a máfia daqueles que se acham cubanos apoiou o candidato republicano à Casa Branca, John McCain.

Com o passar do tempo, chegamos ao ano de 1998, quando no dia 12 de setembro os cubanos Antonio Guerrero, Fernando González, Gerardo Hernández, Ramón Labañino e Réné González foram presos pela polícia estadunidense sob a alegação de que estariam deflagrando ações terroristas naquele país, sendo que na verdade ocorre o contrário da alegação ianque. Eles estavam em território inimigo monitorando ações terroristas da máfia de Miami para evitar que acontecessem mortes de cidadãos cubanos. Em suma, trabalhavam em defesa da vida humana.

Após a prisão, responderam processos sob julgamentos suspeitos, nos quais foram condenados a penas draconianas, como por exemplo duas prisões perpétuas mais alguns anos, caso de um deles. Por essas e outras, a tamanha injustiça cometida contra aqueles que ficaram conhecidos como os cinco patriotas cubanos presos pelo império estadunidense culminou na mais abrangente solidariedade ao redor do mundo por suas liberdades.

Enquanto isso, um verdadeiro terrorista, Posada Carriles, responsável por explodir um avião da Cubana de Aviación em 1976, com 73 passageiros, além de um atentado a bomba em Havana, no ano de 1997, que matou um turista italiano, a essas horas caminha tranquilamente pelas ruas de Miami.

2009 já seria um ano decisivo para a questão dos cinco patriotas cubanos em virtude do julgamento que será realizado pela Corte de Atlanta, no sentido de apelarem para a instância jurídica restante, salvo engano. Todavia, tratando-se de um julgamento suspeito de uma prisão política, a atuação do recém-empossado presidente dos EUA, Barack Obama, pode ser decisiva para que o caso tenha um desfecho favorável à liberdade dos cinco.

Um dos motivos da eleição de Obama foi sua proposta significar a mudança da postura estadunidense frente ao mundo e conseqüentemente em relação a Cuba, devido às particularidades existentes na turbulenta relação entre os dois países. Independente de quais sejam os meios formais e os aparatos legais, Barack Obama tem a chance de pelo menos tentar inaugurar uma nova fase na relação entre Cuba e EUA caso se posicione a favor da liberdade dos cinco e faça o necessário para que eles voltem para seu país e suas famílias, o que não é nenhuma pretensão dizer que assim esperam as mais diversas organizações de solidariedade a estes pariotas cubanos mundo afora.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

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