segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

HOLOCAUSTO PALESTINO: A MAIS TRISTE REALIDADE

Novamente o poderio militar de um exército covarde assola a Faixa da Gaza. Por mais comum que seja o lugar, é a batalha do mais alto grau do aparato tecnológico militar contra atiradores de pedra. Conflito esse de raízes históricas e de uma concepção devastadora de mundo.

O fundamento dos recentes ataques israelenses não se encontra na resposta a ataques palestinos com mísseis Qassam, mas sim no sionismo. Tal doutrina defende a idéia de que o anti-semitismo só seria abolido caso os judeus se estabelecessem em um Estado nacional independente e a partir disso elaborasse planos para dominar o mundo, através do uso de armas, do enfraquecimento econômico e da conquista territorial. Sua base encontra-se no livro O Estado Judeu, escrito por Theodor Herlz, traduzido para o inglês em 1896. Muitos sionistas também se encontram na grande mídia, talvez vindo daí o motivo dela atribuir ao Hamas a culpa pelos ataques israelenses à Faixa de Gaza. Necessário se faz esclarecer que o sionismo não se trata do judaísmo como um todo. No entanto, a desculpa da legitima defesa serve ao mais bárbaro ato bélico e desumano que Israel impõe aos palestinos, atitude frequente desde o fim da II Guerra Mundial.

A opção dos povos árabes de não terem participado das Guerras Mundias permitiu a circulação livre de tropas britânicas pelo Oriente Médio, o que culminou na transformação da atual região dos conflitos em um protetorado daquele país. Eis que com a II Guerra Mundial, sionistas estabelecidos na Grã-Bretanha passaram a comprar terras dela no Oriente Médio e para terem naquele lugar o estabelecimento em massa de adeptos da religião judaica, propagandeavam que não havia habitantes naquele lugar, isso quando não valiam de ações terroristas contra a própria Grã-Bretanha.

Surgiram então os conflitos, pois comprava-se terras num lugar onde já havia habitantes. Para acelerar o processo de ocupação, os sionistas criaram as organizações terroristas Stern, Haganah e Yrgun, responsáveis por executarem massacres aos palestinos que recusassem a vender sua terras diretamente. Um desses foi o de Deir Yassin, vila localizada a 5,5 Km de Jerusalem, quando no dia 9 de abril de 1948, paramilitares, a mando do futuro primeiro-ministro israelense, Menachem Begin, assassinaram sumariamente, em poucas horas, cerca de 250 palestinos que ali viviam (homens, mulheres, crianças e idosos).

O massacre de Deir Yassin é uma amostra do desrepeito sionista à resolução da ONU publicada no dia 29 de novembro de 1947, a qual recomendava a criação de dois Estados: um palestino e um judeu. Entretanto, a partilha inicial tornou-se prejudicada com a invasão de paramilitares sionistas em terras destinadas à formação do Estado palestino. Após tais invasões e atos terroristas, no dia 11 de maio de 1949, através da resolução 273, a Assembléia Geral da ONU decide aceitar o Estado de Israel.

Mas por que o Estado palestino não foi criado, da mesma forma que o Líbano, Síria e Jordânia? Desde o início do século XX, os palestinos se encontraram sub-jugados à ocupações imperialistas, primeiramente pelo Império Otomano, até o ano de 1918 e depois pelo Império Britânico, até 1948. Depois disso, vale o discorrido anteriormente neste texto.

Desde a criação de Israel até os dias atuais, os palestinos vivem sob a ação militar indiscriminada de um Estado que não respeita qualquer resolução da ONU acerca da ocupação territorial exercida ilegitimamente
, especialmente a 242, de 22/11/1967, que exige a retirada de Israel dos territórios palestinos ocupados pela guerra daquele ano, assim como a Resolução 237, de 14 de junho do mesmo ano, que garantia o direito dos palestinos retornarem aos seus locais de origem, abandonados por motivos causados pela Guerra dos Seis Dias. Essas seriam, digamos, as resoluções mais importantes, pois muitas outras foram desrespetadas ao longo deste seis séculos de conflito, bem como a Convenção de Genebra, quando Israel, na semana passada, atacou duas escolas em território palestino administradas pela ONU, as quais abrigavam civis refugiados.

Muitos outros fatos acerca da infeliz relação "desrespeito aos direitos humanos - invasão à Faixa de Gaza" poderiam ser mencionados, mas sejam lá quais eles forem e no que consistem detalhadamente, o essencial é que a mais nova ofensiva israelense sobre um povo desarmado, o que ocorre desde o fim da II Guerra Mundial, configura um fato histórico que somente cessará caso Israel e a comunidade internacional reconheça a legitimidade palestina de criar o seu próprio Estado. Do contrário, estaremos fadados a assistir silenciosamente, na era da informação rápida, o holocausto de um povo sem Estado que se defende com pedras, principalmente quando concordamos com as inverdades da grande mídia de que o grande culpado de tudo é o Hamas.

Assim como em tempos de Guerra do Vietnã o mundo se sensibilizou e muitas pessoas diziam"somos todos vietnamitas", hoje a palavra de ordem no mundo, contra o maior e mais covarde atentado militar de Estado aos direitos humanos é "somos todos palestinos".

Lucas Rafael Chianello, pela criação do Estado palestino e o fim da violência de Estado no Oriente Médio, além da grande mídia.

5 comentários:

  1. Chianello, bom texto, principalmente para aqueles que nada sabem da situação e acha que Israel é bonzinho e os palestinos terroristas... Pena que não podemos ajudar diretamente os palestinos...
    Abraço

    ResponderExcluir
  2. Muito bom e didático o texto. A política adotada por Israel é a de extermínio do povo palestino e enquanto isso o governos autoritários e corruptos do Oriente Médio veem a carnificina como se não lhes dissesse respeito.
    Em tempo corre solto pela internet o “Boicote 0729” visando atingir os produtos israelenses, muitos produzidos através da exploração da mão-de-obra quase escrava na Faixa de Gaza.

    Hudson Luiz, sociólogo
    Poços de Caldas, MG
    www.dissolvendo-no-ar.blogspot.com

    ResponderExcluir
  3. Em verdade, o que desejava (o vegetal) Ariel Sharon ao ordenar a retirada dos colonos judeus da Faixa de Gaza, cumprir a determinação de George Bush que queria amenizar as resistências árabes às suas incursões no Iraque? Ou limpar o campo para o bombardeio de hoje?

    Foi premeditado?

    Ou foi um "desabafo" cumprido por Olmert? "Se não podemos ter Gaza, ninguém terá! Matemos a todos, então!"?

    Não sei qual das duas situações demonstra mais sangue frio destes senhores da guerra, que determinam a amputação de braços, pernas e o cadavério de centenas de milhares de pessoas no planeta.

    Eis que me lembro das palavras de Ehud Olmert, logo após o coma de Sharon. Palavras estas que parecem estar se referindo a um ser iluminado, alguém bom, e não a um assassino:

    "Sinto saudades das horas que passávamos juntos, do som de sua voz e de seu bom humor. Espero de todo coração que chegue o dia em que ele abra de novo os olhos e volte" (veja aqui na Folha)

    Que mensagem estes senhores querem deixar ao mundo? Que imagem querem que tenhamos do povo judeu?

    http://anaispoliticos.blogspot.com/2009/01/foi-premeditado.html#links

    ResponderExcluir
  4. Marilia Lemgruber / Nova Friburgo -RJ15 de janeiro de 2009 08:34

    Excelente texto, muito esclarecedor. Através dos fatos históricos apresentados fica bem mais fácil entender o conflito. De fato, os papéis de vilões e mocinhos se invertem e começa a nos incomodar, a brutal diferença entre o número de mortos palestinos e judeus.

    ResponderExcluir
  5. Camarada Chianello, seu artigo explica muito bem as questões que envolvem o "conflito", principalmente no que toca ao sionismo e ao direito internacional.O genocídio cometido contra os palestinos faz tremer qualquer pessoa em sã consciência. Acredito que Israel está na realidade "dando um tiro no pé". isto porque a forma de ação e os constantes "erros" do exercito israelense mostram um absurdo despreparo. Se continuar a guerra por muito tempo, o que não acredito que aconteça, Israel só a venceria após ter matado toda a população. Dado que eles não têm um objetivo final de ataque.
    Segundo a Cruz Vermelha, seus funcionários presenciaram cenas "chocantes". Em um incidente, uma equipe médica disse ter encontrado pelo menos 12 corpos em uma casa destruída por bombardeios em Zeitun, ao sul da Cidade de Gaza.
    Junto aos cadáveres, segundo a Cruz Vermelha, estavam quatro crianças apavoradas, muito fracas para conseguir levantar, sentadas ao lado dos corpos de suas mães.
    Por fim, fico com a frase que fecha seu artigo: "Somos todos Palestinos", pois o comunista não tem pátria, ou como Che o disse: "Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um revolucionário ... Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros"

    ResponderExcluir

Instruções para comentários:

1 - serão removidos pelo moderador aqueles que não estiverem relacionados com o conteúdo da postagem e/ ou conter palavras de baixo calão ou inapropriadas;

2 - para publicar seu comentário, você pode fazê-lo usando sua conta do google. CASO NÃO TIVER A CONTA DO GOOGLE OU PREFERIR NÃO USÁ-LA, escolha a opção Nome/URL e deixe a opção URL em branco que não haverá nenhum problema.