sexta-feira, 24 de abril de 2009

OBAMA E AS VEIAS ABERTAS

Na reunião da 5ª Cúpula das Américas, realizada em Trinidad & Tobago, o presidente dos EUA, Barack Hussein Obama, foi presenteado com um exemplar do livro "As Veias Abertas da América Latina", de Eduardo Galeano, pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Sua atitude de presentear Obama significa a disposição de convencer o presidente do maior império da história da humanidade de que as lutas sociais atualmente deflagradas na América Latina são politicamente legítimas, inclusive para seus mais ferrenhos discordes, existentes também na própria esquerda, muitas vezes baseados mais em premissas morais, tradicionalistas e no senso comum do que numa análise política e histórica do processo revolucionário venezuelano.

"Para Obama, com afeto", dedicou Chávez.

A magnífica obra de Eduardo Galeano trata, nos seus mais diversos capítulos, da luta dos povos latino americanos por sua autodeterminação em detrimento do julgo colonialista, além da inclusão social ora esfacelada pelas políticas privatistas neoliberais, principalmente após a queda do Muro de Berlim.

Foram-se os tempos da Guerra Fria e por este motivo as relações entre países "privatistas" e "estatistas" devem se dar, acima de tudo, pelo respeito recíproco às escolhas internas de ambos. O modelo econômico escolhido pela Venezuela, ao conflitar com o interesse das grandes corporações, representadas então pelo Presidente estadunidense George W. Bush, levaram os EUA, sob sua direção, a tentar derrubar Chávez por diversas vezes, especialmente em 2002, via grande mídia. Não somente Chávez, mas diversos governos de esquerda na América Latina, nos mais variados tempos históricos, foram e ainda são vítimas do patrocínio estadunidense a oposições direitistas locais pautadas por agendas políticas ditatoriais, latifundiárias, mercantilistas e privatistas.

Entrevistado pelo programa Roda Viva da TV Cultura, quando de uma vinda ao Brasil, Chávez declarou categoricamente que seus esforços, no plano das relações internacionais, era trabalhar pela paz. Presentear Barack Obama com a obra de Eduardo Galeano, para sensibilizá-lo da legitimidade das lutas sociais na América Latina, é uma demonstração disso.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre a obra de Eduardo Galeano:

TEXTO E VÍDEO SOBRE O LIVRO - EM ESPANHOL
(colaboração de Marcelo Kurkdjian)

Um comentário:

  1. Sobre o encontro entre Chávez e Obama há outro ótimo artigo da autoria doineasta estadunidense Sean Penn. Leia alguns trechos:

    (...)Mais uma vez a mídia cabeça-fraca e seus colunistas de repetição mostram que não entendem os norte-americanos, a natureza e a linguagem do americanismo. Hoje, quando considerou a possibilidade de investigar funcionários do governo Bush, o presidente Obama foi imediatamente acusado de estar traindo o que dissera antes: que temos de "olhar à frente".

    Se o presidente Ford tivesse olhando à frente, quando decidiu perdoar Nixon, talvez tivesse antevisto, à frente, todos os abusos de poder que viriam depois, com Bush. Se tivesse sido genuinamente "linha dura" e tivesse mandado Nixon para a cadeia, talvez tivesse conseguido impedir a recente torrente de crimes.

    Depois, foram as críticas contra o acolhimento caloroso que o presidente Obama deu ao presidente Chavez da Venezuela; e outra vez ouviram-se as vozes mais amargas e humanamente impotentes dos EUA.

    Por que ainda há quem dê atenção ao ex-vice-presidente Cheney? Cheney é o ser humano que mais vezes errou, sobre praticamente todos os assuntos que comentou (...)

    Inté

    Hudson Luiz

    www.dissolvendo-no-ar.blogspot.com

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