quarta-feira, 13 de maio de 2009

O PRESENTE DE ANIVERSÁRIO DE MARX

O marxismo é a filosofia insuperável de nosso tempo
Jean Paul Sartre

No último dia 5, o filósofo alemão e teórico do socialismo científico Karl Heinrich Marx estaria completando 191 anos se estivesse vivo. Este blogue tornou-se viciado em contextualizar a política tendo como de partida a queda do Muro de Berlim e mesmo tentando ao máximo evitar este vício, não haverá como fugir da regra desta vez.


Marx: comemorando aniversário rindo na tumba

Após a queda do muro e do chamado socialismo real no leste europeu, Marx era dado como morto, pois seu projeto de sociedade igualitária ruiu justamente no país que mais o defendeu no séc. XX: a União Soviética. A imposição do neoliberalismo e sua opção política consistente em negar a própria política fez o Estado tornar-se assunto de gestão privada e nada mais, o que, consequentemente, causou um "abafa" na discussão política em si.

Entretanto, a idéia de Estado mínimo, de não intervenção na economia e a ausência de políticas públicas à população menos favorecida resultaram em escancaradas realidades sociais precárias e deploráveis. E quando perguntaram o motivo da existência dessas realidades, somente duas pessoas tinham a resposta: Marx e Engels. A essa altura, já não adiantava mais o discurso de que Marx havia caído junto com o Muro de Berlim, pois na Inglaterra, em 2005, o autor de O Capital havia sido eleito o maior filósofo de todos os tempos numa pesquisa realizada pela rede de TV BBC. Tudo isso dentro de um país ferrenho defensor do neoliberalismo, que teve na Premiê Margareth Tatcher sua maior apóstola.

Mais ainda não era o bastante. Necessitava-se de algo maior que de uma vez por todas materializasse o marxismo como a fênix que renasce das cinzas e a atual crise, deflagrada a partir da concessão de crédito fácil para a compra de imóveis no mercado estadunidense, fez questão disso. É insuficiente, inclusive, compreender que a economia deve se basear em produção e não na especulação e que as reservas estatais salvarão as economias do mundo. Muito pelo contrário. Os bônus dos acionistas das grandes corporações não diminuíram, enquanto trabalhadores têm seus salários dimimuídos através de convenções coletivas ou são mandados embora. Revela-se somente o poder de chantagem do capital financeiro sobre os Estados, ao passo em que se cria a necessidade de maior produção por um preço menor da mão de obra, devido à diminuição da margem de lucro.

Todas estas análises citadas fez de O Capital o livro mais vendido na Alemanha, berço de Marx, enquanto os economistas participantes do Fórum Econômico Mundial, realizado anualmente em Davos, na Suíça, tiveram, diante da crise, admitir que não sabiam nada. Os mesmo que se esforçam até a última gota de sangue para sistematicamente negarem Marx.

Ainda não é o bastante. Descobriu-se com a crise o quanto Marx era fundado ao criticar o capitalismo e seu presente de aniversário, no atual contexto, não poderia ser melhor. É preciso descobrir agora o quão fundado é o seu projeto de sociedade para que finalmente seja eliminada da face da Terra a exploração do homem pelo homem.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

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