quinta-feira, 25 de junho de 2009

O PERDEDOR JUSTIFICA, O VENCEDOR COMEMORA

Campeonato Brasileiro de 1995, finalíssima entre Santos e Botafogo no Pacaembu. Após o jogo, os santistas creditam a derrota à péssima arbitragem de Márcio Rezende de Freitas. Já no RJ, comemorando o título regado a boas doses de bebida alcoólica, o artilheiro botafoguense Túlio encerra a discussão sobre a arbitragem proferindo a frase título deste artigo.

A diferença entre um jogo de futebol e um Estado de direito é que naquele não há segunda instância de reforma de decisões. Se o juiz errou, paciência. Ou raiva, mas o resultado não será alterado.

Permite-se, num Estado de direito, peticionar o poder judiciário com o intuito de se anular uma eleição ou então recontar os votos. Porém, da mesma forma em que este precedente deve ser usado para que o prejudicado faça valer seu direito de investigar fraudes, muitos o usam de má-fé, visando tumultar um processo eleitoral que ocorreu de forma legítima.

Consciente de seu poder de manipulação patrocinado pelas grandes corporações e sabendo que Mahmoud Ahmadinejad não se dará ao luxo de figurar como fantoche ocidental ao exercer a presidência do Irã, a grande mídia, na mais insana e interesseira atitude, coloca sob suspeita o resultado de uma atividade que é a materialização da autodeterminação de um povo: o sufrágio universal.

A reeleição de Ahmadinejad não se deu por acaso. Institutos de pesquisas eleitorais, ocidentais inclusive, já previam sua vitória por uma diferença de votos ainda maior do que a apurada nas urnas. Antes de ser presidente reeleito, foi governador da província de Ardabil, assim como prefeito de Teerã. Suas ações neste último cargo o fizeram concorrer ao título de "Prefeito do Mundo". Chegar à presidência do Irã foi a conseqüência de um acúmulo político obtido. O único pecado de Ahmadinejad é não se constituir numa nova versão do Xá Reza Palevhi.

A ingerência em assuntos de soberania nacional por parte da grande mídia fez com que no último domingo à noite a Rede Globo, na transmissão do Fantástico, reportasse de Tel-Aviv, capital de Israel, as últimas notícias acerca das eleições iranianas, assim como noticiou o pedido de recontagem de votos feito pela Premiê alemã, Angela Merkel. Ora, o que Merkel e a Globo tem com isso?

Mais uma vez a grande mídia é derrotada e ao rotular como fraudulentas as eleições de seus opositores, bem como de ditadores os governantes que não atendem aos seus interesses, ela então, perdedora, justifica, enquanto Ahmadinejad e seus eleitores comemoram o resultado de eleições legítimas.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre as eleições no Irã:

2 comentários:

  1. Salve, salve companheiro Chianello!!!
    Poderíamos ficar horas ou até dias discutindo o real interesse por trás da grande mídia em classificar as recentes eleições iranianas como "fraudulentas". Ao invés disso deixarei umas perguntas no ar:
    Por que a grande mídia nunca se preocupou em saber como são, se são, realizadas as eleições na Arábia saudita? Por que nunca teve preocupação em saber como é o processo eleitoral em Israel, quem lá é tido como cidadão apto a votar? Como transcorreram os pleitos no Afeganistão e no Iraque após a ocupação estadunidense? No Egito (outro aliado de Washington)as eleições são sinônimo de processo justo e claro? Como são as eleições no Kwait, quase um protetorado ianque? Ou então, por que a grande mídia não pediu em coro a anulação da eleição do Cowboy Bush, essa sim comprovadamente fraudada?
    Tenho certeza que ao encontrar as respostas pra essas perguntas entenderemos o porquê da grande mídia bater tanto no Irã.
    Inté
    Hudson Luiz
    www.dissolvendo-no-ar.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Chianello, quando EUA trata de questões internacionais esquecem de um princípio da ciência política que é a SOBERANIA...
    ass: Yuri

    ResponderExcluir

Instruções para comentários:

1 - serão removidos pelo moderador aqueles que não estiverem relacionados com o conteúdo da postagem e/ ou conter palavras de baixo calão ou inapropriadas;

2 - para publicar seu comentário, você pode fazê-lo usando sua conta do google. CASO NÃO TIVER A CONTA DO GOOGLE OU PREFERIR NÃO USÁ-LA, escolha a opção Nome/URL e deixe a opção URL em branco que não haverá nenhum problema.