terça-feira, 30 de junho de 2009

REFLEXÕES SOBRE HONDURAS

Para muitos, a onda de governos autoritários sobre a América Latina teve início na deposição do governo de Jacobo Arbenz, na Guatemala, em 1954. Dali em diante, diversos golpes de Estado no continente, patrocinados pela CIA, vieram a acontecer, como no Paraguai, também em 1954, no Brasil (1964), na Bolívia (1971), no Chile (1973) e na Argentina (1976).

Justificativa-se tais golpes sempre com as mesmas palavras. Governos de esquerda ou progressistas sempre "iam" fazer alguma coisa que não era de interesse de oligarquias nacionais ou dos EUA. Entretanto, o golpe de Estado ocorrido em Honduras possui alguns componentes diferentes dos demais anteriormente ocorridos no séc. XX.

Primeiramente, é um golpe de Estado tão fajuto e mesquinho que nem os próprios EUA reconhecem, assim como a própria ONU. Secundariamente, alerta-nos a fazer os devidos questionamentos daquilo que poderíamos chamar de papel político do judiciário. Neste domingo aconteceria uma consulta popular que convocaria ou não uma assembléia constituinte. Em caso afirmativo, nas eleições gerais de 29 de novembro seria instalada uma quarta urna, em cada seção eleitoral, para que fossem eleitos os delegados da constituinte hondurenha. Porém, a Corte Suprema de Justiça decretou a ilegalidade da consulta e conduziu o general Romeo Vázquez à presidência do país. Abramos nossos olhos, pois no Brasil, em tempos de Gilmar Mendes, vimos o judiciário fazer o papel do legislativo por diversas vezes nos últimos anos.

Diga-se de passagem que, caso a consulta decidisse pela convocação da assembléia constituinte, nas eleições gerais que acontecerão no dia 29 de novembro, além dos agentes políticos, seriam eleitos, numa urna em separado, em cada seção eleitoral, os delegados da assembléia constituinte, com a finalidade de redigir e promulgar uma nova Constituição.

Deve-se parabenizar a comunidade internacional frente ao ocorrido, em especial aos governos brasileiro e venezuelano, respectivamente representados por Lula e Chávez, que em nenhum momento pensaram duas vezes em verificar as razões dos golpistas. Apoiados nas palavras de Fidel Castro, concebem que com o golpismo não se negocia.

Basta de golpes na A.L! Basta de governos militares autoritários! Basta de imposições do poder judiciário e interferências deste naquilo que não é de sua alçada! Toda solidariedade ao povo hondurenho neste horrendo e difícil capítulo de sua história. E nenhum passo atrás por parte deste povo e da comunidade internacional enquanto não houver o restabelecimento da ordem constitucional no país. Cumprindo seu papel, a grande mídia finge que não vê nada e promove seu mais novo reality show: "quem ficará com a herança de Michael Jackson"?

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre o golpe de Estado em Honduras:

Um comentário:

  1. Aliás, exponho no meu blogue e convido o blogueiro a entrar na campanha para que o Itamaraty corte relações com o atual governo de Honduras, convocando o embaixador ali trabalhando.

    ResponderExcluir

Instruções para comentários:

1 - serão removidos pelo moderador aqueles que não estiverem relacionados com o conteúdo da postagem e/ ou conter palavras de baixo calão ou inapropriadas;

2 - para publicar seu comentário, você pode fazê-lo usando sua conta do google. CASO NÃO TIVER A CONTA DO GOOGLE OU PREFERIR NÃO USÁ-LA, escolha a opção Nome/URL e deixe a opção URL em branco que não haverá nenhum problema.