quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A VERSÃO POÇOSCALDENSE DO CHOQUE DE GESTÃO

Durante os anos da administração federal de FHC, o Brasil, impulsionado pela hegemonia do neoliberalismo, deflagrou sua agenda de privatizações. Ao ser questionado da coerência com seu passado intelectual, baseado num pensamento político de esquerda, o então presidente tucano disse: “esqueçam o que eu escrevi”. Entretanto, seu governo nada mais foi do que um instrumento para que ele colocasse em prática as teorias por si formuladas.

O sociólogo Emir Sader, este sim intelectual de esquerda, demonstra claramente como o então Presidente da República pelo PSDB deflagrou a “privataria” através de sua teoria. Segundo ele, para FHC, a burguesia brasileira exerceu seu jugo sobre a classe trabalhadora diferentemente da burguesia industrial européia. Essa diferença residia no fato de que enquanto a brasileira o fazia por meio de empresas públicas, a européia o fazia através da iniciativa privada. E como para FHC as empresas públicas brasileiras eram controladas por políticos burocratas que usufruíam delas em seu próprio benefício, a solução para tal problema era... privatizá-las! Ora, desde quando isso é um pensamento político de esquerda? Tal análise pode ser encontrada na magnífica coleção de ensaios de Emir Sader intitulada “O poder, cadê o poder?”, da Editora Boitempo.

Eis que então, ao terminar o seu governo com baixa aprovação da população, FHC passou a faixa presidencial para Lula. Num país democrático pluripartidarista, ao mesmo tempo em que temos um petista na presidência da república, temos peessedebistas em diversos governos estaduais, especialmente em Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, estados onde os seus governantes renovaram a agenda de privatização iniciada por FHC, sob o signo da expressão “choque de gestão”. Diga-se de passagem, o Ministério Público Federal pediu o afastamento da governadora gaúcha, Yeda Crusius.

Sob o signo daquela expressão opera a atual administração da Prefeitura Municipal de Poços de Caldas, cuja base de sustentação política é formada, principalmente, pelo PPS, DEM e PSDB, os mesmos partidos que, inconformados com o programa anti-privatista do governo federal, lideram, junto aos grandes meios de comunicação do país, a mais sórdida oposição ao Governo Lula.

Justificam os privatistas, dentre outros truques retóricos, que o Estado, seja a nível municipal, estadual ou nacional, é oneroso e ineficiente, motivo pelo qual deve se cortar, na maior medida possível, gastos com pessoal. Tem-se, neste argumento, a razão do ridículo aumento salarial proposto pela atual administração aos servidores públicos. Não o bastante, recentemente o Prefeito Municipal expediu um decreto, visando limitar os empenhos do orçamento municipal deste ano.

Todavia, ao mesmo tempo em que a atual administração tenta passar sua imagem de cautela com as finanças públicas, oriundas do bolso do cidadão pagador de impostos, são despendidos gastos estrondosos, porém insignificantes, a partir de tal arrecadação, deixando à míngua, inclusive, a população menos favorecida, maior usuária da estrutura pública.

Ao custo de um Departamento Municipal de Eletricidade em frangalhos, de uma “micareta” carnavalesca (lembram-se?), servidores públicos municipais mal pagos, uma nova Câmara Municipal orçada em R$ 12 milhões e instituições públicas municipais funcionando de forma precária, a atual administração liberou uma verba de R$ 9.000,00 para o pagamento do cachê da cantora Gretchen, que dará seu ar da graça na parada gay que será realizada no próximo final de semana. Ora, ao passo em que os servidores públicos são funcionários do município, a cantora foi contratada para produzir um show. Mas seja qual for a finalidade do pagamento, trata-se de gasto com pessoal, algo condenado pela tríade PSDB-DEM-PPS e sua idéia de choque de gestão.

Até para quem optou se relacionar afetivamente com pessoas do mesmo sexo, os direitos de associação e reunião são legítimos, estão na Constituição Federal. São líquidos e certos, não se discutem. Entretanto, a versão poçoscaldense do choque de gestão não é nada mais do que isso: a falta de zelo pela estrutura pública e a preguiça de promover o bem estar social, em nome do pão e circo. Ou talvez, só do circo.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre o "choque de gestão":

Um comentário:

  1. Uma coisa não podemos negar, a Gretchen tem uma bunda boa demais e curti o filme dela! Tal assunto nos lembra isso mesmo, o povo quer bunda, não interessa quem paga... que vontade eu tenho de ver um povo crítico, comm certeza nossos políticos iriam andar corretamente.
    ass: Prof. Yuri

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