domingo, 29 de novembro de 2009

A MORTE DE UM GRANDE PAÍS PEQUENO

Os 20 anos da queda do Muro de Berlim, no último dia 9, foi tema das mais diversas reportagens veiculadas na grande mídia. Em todas elas, um discurso comum: o fim de um país e seu suposto regime político opressor: a Alemanha Oriental.

Primeiramente, atribuir à Alemanha Oriental a opressão política é uma ofensa à auto-determinação dos povos e, ao mesmo tempo, atribuir ao outro aquilo que na verdade eu sou, ou fui. A suposta opressão e supressão das liberdades políticas que haviam na Alemanha Oriental, como por exemplo não ter direito ao voto direto e secreto nos representantes políticos é a mesma opressão política que houve no Brasil na ditadura militar de 1964 a 1985, patrocinada pelos EUA.

A Alemanha Oriental era um país como qualquer outro. Possuía suas virtudes, suas dificuldades e seu regime político da mesma forma que os demais Estados ao redor do Planeta Terra. E dentro de suas peculiaridades, muito tinha a oferecer.

Nos esportes, a DDR (sigla de República Democrática Alemã, em alemão) era uma potência olímpica. Ao longo de cinco olimpíadas, foram conquistadas 153 medalhas de ouro, 129 e prata e 127 de bronze. É verdade que no futebol, na Copa de 1974, disputada do outro lado do muro, a DDR venceu os donos da casa e perdeu para o Brasil, ambos pelo placar de 1x0. Mas a tão sonhada medalha de ouro que o Brasil até hoje não conquistou no futebol, os alemães orientais levaram pra casa em 1976, nos jogos de Montreal. Dentre inúmeras modalidades desportivas, a DDR tinha uma espécie de campeonato automobilístico de F-1 interno, além de sua indústria automobilística ter apresentado ao mundo o Trabant e o Wartburg.

No campo político, ao contrário do que afirma a propaganda ocidental, a DDR garantia aos seus cidadãos o acesso aos mais elementares direitos sociais, como saúde, educação, alimentação, moradia e vestuário. Tudo isso com a alternância de poder entre os presidentes Wilhelm Pieck, Walter Ulbricht, Erich Honeker e Egon Krenz.

Um artigo é pouco para descrever a DDR, um país interessante dentro de suas particularidades, virtudes e defeitos. O autor deste artigo recorda que numa conversa com uma grande amiga, ela lhe disse que ao encontrar um parente ou conhecido distante, ao fazer uma viagem para a Espanha, este a falou que morou na DDR e a definiu como um país maravilhoso.

Mais cedo ou mais tarde o muro de Berlim iria cair, pois por mais que a DDR fosse esse grande país pequeno, não estava certo o mesmo povo estar separado por uma barreira de concreto. Todavia, 20 anos após a queda do muro, a sórdida propaganda capitalista de que o leste era menos desenvolvido, levou o oeste mercantil, vitorioso num primeiro momento, prometer alavancar o desenvolvimento do alegado atraso socialista. E os indíces de precariedade, desemprego e pobreza existentes no leste alemão, 20 anos após a queda do muro, fazem os habitantes daquela região sentirem saudades dos tempos de economia planificada planejada pelo Estado.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.