quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A HISTÓRIA TEM PREÇO?

No último dia 2 de dezembro de 2009 tivemos, na Câmara Municipal, a audiência pública referente ao projeto da atual administração consistente em transformar o DME (autarquia municipal) numa empresa de capital aberto, que primeiramente teria como acionista principal a Prefeitura Municipal, mas também poderia ter acionistas particulares, no caso de uma futura aprovação do legislativo, o que na atual administração não seria muito difícil conseguir, pois a maioria dos vereadores da atual legislatura encontra-se na base aliada do Prefeito Paulinho Couro Minas (PPS).

Anteriormente à fala do Prefeito pelo Partido dos Trabalhadores, Paulo Tadeu Silva D´arcádia (administração 2001-2004), tivemos a explanação de como se daria, juridicamente, o procedimento de desverticalização do DME. Ao expor tal procedimento, a atual administração tenta passar a imagem de responsabilidade com a coisa pública. Entretanto, tudo não passa de mera encenação, pois o debate acerca da desverticalização do DME não é a idoneidade do procedimento jurídico, mas sim a intenção política e a concepção que a pauta.

Há um debate hoje, não só no Brasil e no Governo Lula, mas em toda a América Latina, sobre qual entidade deve prevalecer para melhor proporcionar os serviços necessários à população: a pública ou a privada. Assim, a desverticalização do DME não passa de um exemplo da mentalidade da atual administração em conceber que o privado é eficiente, enquanto o público é oneroso e precário, de tal forma que sucateia-se de propósito para se justificar futuras privatizações e o cidadão ser tratado como tal somente se for consumidor. Logo, frases como "a desverticalização é necessária", "no mundo atual, a desverticalização é o que há de mais moderno", "a desverticalização é proposta da Aneel" são bordões compostos por palavras que não podem ser aceitas de imediato, o que levaria a população a literalmente "cair no conto do vigário".

Como bem disse Paulo Tadeu, numa explanação que emocionou a muitos, o DME é um patrimônio histórico do povo poçoscaldense, que por situar-se numa região de altitude elevada em relação às cidades vizinhas, precisou criar soluções próprias para os seus problemas. Infelizmente, a atual administração, a exemplo do governo FHC dos choques de gestão tucanos (SP, MG e RS) tem a visão neoliberal de que tudo, sem exceção, deve ser suscetível de compra e venda.

A história de um povo não tem preço. Eis a principal razão para que o DME continue a ser uma autarquia da Prefeitura Municipal de Poços de Caldas.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

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