sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

POR QUE LIBERTAR CESARE?

Ao longo do tempo, foram inúmeras as aberrações jurídicas sofridas pelo ex-ativista e escritor italiano Cesare Battisti, que se encontra detido no presídio da Papuda, em Brasília. Aqueles que indiscriminadamente lhe dão como líquida e certa a personalidade de assassino e terrorista desconhecem ou não dão importância aos erros propositais contra ele cometidos.

Quando Cesare se inseriu na militância de esquerda italiana, nos últimos anos da década de 60, conheceu e se tornou amigo de Pietro Mutti. Entretanto, após diversos acontecimentos que inclusive levaram à dissolução do PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), o mesmo Pietro Mutti delatara premiadamente Cesare Battisti por ele ter se recusado a participar de ações armadas. Eram os chamados anos de chumbos, nos quais o poder judiciário italiano adotou medidas de tribunais de exceção sob a justificativa de conter a ação de militância subversiva.

Quanto maiores eram as delações premiadas, maiores eram os perdões judiciários concedidos pela justiça italiana. Assim, Cesare foi acusado e posteriormente condenado, à revelia, dos crimes delatados vingativamente por Mutti. Não restou alternativa que não fosse a fuga de seu próprio país.

Depois de vários anos exilado no México, Cesare muda-se para a França e por lá responde a um processo de extradição. Na época vigorava a chamada Doutrina Miterrand, cuja regra era a de conceder asilo político àqueles que haviam renunciado à luta armada. Cesare então passa a trabalhar como zelador de um prédio e desenvolve a profissão de escritor de romances policiais. Por mais paradoxal que possa parecer, finalmente, num primeiro momento, Cesare voltaria a ter uma vida normal, até que um dia é cercado por policiais e levado para uma penitenciária. Novamente ele responde a um processo de extradição cujo pedido formulado pelo governo italiano é julgado procedente.

Num sistema jurídico de qualquer país democrático do mundo, não se responde ao mesmo processo duas vezes. De nada adiantou os advogados de Cesare o tranquilizar dizendo que na França existia o direito, ao contrário da Itália. Novamente não haveria outra saída a não ser fugir.

O caso Cesare Battisti vem à tona no Brasil quando ele é preso pela Polícia Federal, em 2007, utilizando-se de um passaporte falso. Em 2009, o então Ministro da Justiça Tarso Genro lhe concede o asilo político, mas o governo italiano contesta e ajuiza um pedido de extradição no Supremo Tribunal Federal, que decide a favor do governo italiano mas ressalta que a decisão final compete ao Presidente da República. Hoje, no último dia do mandato de Lula, deverá constar do Diário Oficial da União a concessão de asilo a Cesare, após parecer da Advocacia Geral da União.

Não se trata de conceber Cesare como um coitadinho perseguido. Conforme podemos observar, diversos princípios elementares de direito foram lesados: houve uma delação premiada em troca de perdão político, tolheu-se o contraditório e a ampla defesa, respondeu-se ao mesmo processo de extradição por duas vezes e mesmo após a concessão de asilo político pelo Presidente Lula no último dia de seu mandato, pode ser que o caso volte a ser analisado pelo STF. Ora, se a própria suprema corte de direito brasileira decidiu que a palavra final é do Presidente da República, por que o caso deve ser analisado novamente? Fez-se a coisa julgada!

No mais, enquanto este blogue buscava notícias na internet sobre o caso em evidência neste artigo, foi descoberto que o ex-presidente italiano Francesco Cossiga (mandatário de 1985 a 1992), falecido no último mês de agosto, admitiu ter perseguido Cesare Battisti.

Portanto, não há mais o que discutir. Os inúmeros erros jurídicos propositais já foram cometidos, a perseguição política foi admitida e foi decidido que a palavra final era do Chefe do Poder Executivo do Brasil. Basta de injustiças! Feliz 2011 é com Cesare livre!

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

COMO LER OS AUTOS DE UM PROCESSO?

Durante as eleições, sob o argumento de querer oferecer aos seus leitores mais dados históricos da vida da candidata Dilma Rousseff, a Folha de São Paulo pediu, no Supremo Tribunal Militar, o desarquivamento do processo respondido pela petista durante a ditadura. Entretanto, quais seriam as verdadeiras intenções da Folha de São Paulo? Nunca é demais lembrar que este jornal emprestava veículos para a operação bandeirantes prender e torturar "subversivos", que publicou em sua capa uma ficha falsa de Dilma elaborada por neonazistas e chamou o período militar de ditabranda em um dos seus editoriais.

Os autos de um processo são públicos e podem ser vistos por qualquer pessoa, exceto se houver segredo de justiça, de tal forma que, a priori, não há nada demais em consultar o processo respondido por Dilma ou por qualquer outro cidadão infelizmente torturado. O grande problema é a versão e a opinião que jornalistas e colunistas da Folha darão sobre um depoimento tomado sob tortura e, por que não, num tribunal de exceção, afinal, Dilma e demais presos políticos respondiam por "crimes" cometidos por cidadãos comuns num órgão do poder judiciário destinado a julgar infrações cometidas por membros das Forças Armadas.

Também é de se suspeitar a inércia da Folha durante todo esse tempo, pois após publicar uma ficha falsa de Dilma, emprestar carros para a OBAN e chamar a ditadura de ditabranda, o desarquivamento do processo foi pedido em época de eleição.

Tornar público o processo respondido por Dilma é uma oportunidade de se acertar as contas com o passado. Um povo que não conhece a sua história está condenado a repetí-la, já dizia a célebre frase de autor desconhecido. Muitos torturadores de outrora hoje estão soltos e vivem como se nada tivesse acontecido, enquanto vários vizinhos nossos do cone sul continuam a condenar militares ex-ditadores por crimes de lesa pátria e lesa humanidade.

Antes de qualquer manchete ou coluna de jornal, primeiramente é preciso ouvir o que Dilma tem a dizer sobre o processo ao qual ela respondeu, por se tratar de um julgamento injusto feito num período de exceção. Por isso, qualquer comentário a respeito da Primeira Presidenta do Brasil que venha a difamar e macular sua trajetória não merece nenhum crédito, pois nas próprias palavras da Presidenta eleita, "não dá valor à democracia quem a compara com a ditadura".

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre o assunto:

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

BENTO XVI DÁ AS CARAS - DIFERENÇAS ENTRE O BRASIL E O VATICANO

Antes de ir ao tema deste artigo, importante ressaltar que o nosso blogue ficou um bom tempo parado devido à mudanças na vida cotidiana do seu responsável.


Se Dilma deixou de vencer as eleições no primeiro turno por causa da questão do aborto, o responsável pelo blogue não pode afirmar. Porém, se a questão do aborto foi um dos impedimentos, pode ser que tenha sido. O que interessa é que há três dias do pleito eleitoral, o jornal que emprestava veículos para a Operação Bandeirantes na época da ditadura militar divulgou uma espécie de parecer do líder supremo católico que, na sua essência, orienta os líderes e fiéis de sua religião a se posicionarem politicamente contra qualquer projeto que defenda o aborto.

Pelo aborto ou contra o aborto? Eis a questão? Não, deixemos isso para depois. O fato é que o Vaticano é sim um Estado e a opinião camuflada do líder religioso a favor de José Serra, no sentido de dar a entender "não vote em Dilma porque ela defende o aborto", é uma grave ingerência internacional que fere o princípio da autodeterminação dos povos. Se o aborto será legalizado no Brasil ou não, isso é um assunto interno do qual o Vaticano não tem nada a ver.

No que se refere à pessoa, Bento XVI não tem qualquer moral para falar nada. Qual a credibilidade de alguém que foi membro da juventude hitlerista? Que julgou inquisitoriamente, à là idade média, vários teólogos da libertação que sentaram na mesma cadeira que Giordano Bruno e Galileu Galilei? Que se pronuncia contra o direito dos africanos usarem camisinha enquanto a África sofre com a AIDS? Joseph Ratzinger, ex-prefeito da Doutrina da Fé (algo como uma ala de extrema direita da igreja católica), deve se preocupar com as questões internas do seu Estado e não sobre o aborto no Brasil, que na verdade deve ser analisado sob a ótica da saúde pública, da ciência jurídica e da autodeterminação da mulher.

Entretanto, as incabíveis palavras do pontífice são uma oportunidade para recordarmos diversos aspectos acerca de um Estado que hoje, a partir do seu líder maior, tentou interferir veladamente (ou discaradamente) na discussão eleitoral brasileira.

Enquanto o Brasil é um Estado laico e sua lei maior é a Constituição de 1988, o Vaticano é um Estado de religião oficial cuja lei maior é a Bíblia. Enquanto no Brasil se vota para Presidente da República de quatro em quatro anos, no Vaticano o Papa é escolhido por um certo conselho restrito e somente deixa o cargo quando morre. Enquanto o Brasil é um país descoberto pelos portugueses, onde os índios de outrora aqui já habitavam, o Vaticano é um Estado criado pela igreja católica em 1929 a partir de um acordo, o Tratado de Latrão, feito com o líder máximo do fascismo, Benito Mussolini.

Ora, qual a moral então do ex-juventude hitlerista dizer como devemos avaliar a questão do aborto nessas eleições? Qual a moral deste impopular todo poderoso querer falar em orientação para se decidir sobre o aborto dentro de uma perspectiva democrática? Quem for a favor será excomungado? Terá cometido um delito de opinião?

O ponto de vista é a vista do ponto. A lamentável satanização pelo qual se viu a questão do aborto nessas eleições em nada somou para uma discussão construtiva sobre o tema. E as palavras de Bento XVI hoje divulgadas no jornal que oferecia veículos para a OBAN somente veio a banalizar a questão de uma vez por todas.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

TWITCAM: #DILMA_FACTS_BY_FOLHA

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Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O PRINCIPAL MOTIVO PARA SE VOTAR EM DILMA

A própria candidata do PT à presidência da república, Dilma Vana Rousseff Linhares, admite ser inexperiente no quesito eleitoral, afinal, é a primeira vez que se candidata a um cargo eletivo. Experiência política não lhe falta, pois ao longo de sua carreira foi Secretária de Fazenda no Rio Grande do Sul, Ministra das Minas e Energia e da Casa Civil no Governo Lula, dentre outras atividades. O Ministro da Casa Civil é uma espécie de secretário de administração do Presidente, o cargo mais importante do poder executivo em nível federal depois da Presidência e Vice-Presidência. Logo, proporciona experiência maior do que a de governador de qualquer estado.

Porém, o maior motivo para se votar em Dilma, ao contrário do que quer fazer crer a capa da revista Época desta semana, é a sua luta contra a ditadura. Em 1964, num contexto mundial de guerra fria, o Brasil sofreu um golpe de Estado, patrocinado pelos EUA, que usurpou da população o direito dela escolher seus governantes. O custo disso foram inúmeras mortes, torturas e enterros clandestinos de todos aqueles que, num primeiro momento, optaram por se declarar opositores do regime, fosse pela via armada ou pacífica. Depois, no final dos anos 60 e início dos 70, a ditadura atinge o seu auge torturando e matando indiscriminadamente. Bastava ser considerado suspeito.

Não há nada mais nobre do que Dilma ter optado por se opor declaradamente ao regime militar e se orgulhar disso. Perto dela não somos nada. É muito fácil expor ideias na internet depois que a luta da candidata à Presidência da República nos devolveu o direito de manifestar livremente para defender aquilo que julgamos ser melhor para a sociedade. A ditadura nos confiscou isso e conforme a própria declaração universal dos direitos humanos, todos os povos tem o direito de promover inssurreições contra governos corruptos que usurpam o poder político. Essa foi a opção de Dilma e muitos em suas juventudes.

À direita e suas fileiras extremistas nunca restou alternativa. Nunca tiveram argumentos, nunca souberam debater com categoria e não possuem um projeto político para o país. Apenas querem voltar à presidência da república para vender o Brasil, do mesmo jeito que o venderam ao golpe em 1964, do mesmo jeito que o "privatariaram" durante o governo FHC e nos choques de gestões estaduais tucanos. E quando veem a candidata de um projeto político popular se tornar cada vez mais a preferência do eleitorado nacional, na medida em que eles não tem projeto, resta-lhes questionar o carater de uma pessoa e sua nobre luta através da revista semanal do meio de comunicação oficial da ditadura militar: a rede globo de manipulação.

Portanto, votemos em Dilma. Tanto por sua competência e compromisso com a coisa pública em cargos de órgãos do poder executivo, como pela sua nobre luta, armada ou não, contra o regime militar.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

MONÓLOGOS E DIÁLOGOS

Mais uma vez a Rede Globo de Manipulação, uma das alas do PiG (Partido da Imprensa Golpista), demonstrou claramente aos telespectadores do Jornal Nacio-Anal quem é o seu candidato nas eleições presidenciais que se aproximam. Na verdade, nem precisava. Basta pesquisar sua postura na cobertura dos grandes fatos políticos do Brasil nos últimos 20, 30 anos, que se torna facílima a tarefa de identificar sua preferência. Mas para não deixar dúvidas, a ordem foi dada: deixem Serra falar e tentem espinafrar Dilma a todo momento.

Na entrevista com o candidato tucano, o casal apresentador se comportou como um juiz de direito num processo de jurisdição voluntária: função meramente administrativa. As interrupções apenas tinham a função de ordenar os assuntos da entrevista, para que desse tempo do candidato esclarecer tudo aquilo que a direita brasileira julga necessário esclarecer: pedágios, política de alianças, métodos de adminstração no governo FHC e no governo e prefeitura de São Paulo, etc.

Porém, dois dias antes, o que se viu foi a tentativa explícita de espinafrar, no ar, a candidata petista Dilma Rousseff: um monólogo de William Bonner, que a todo momento questionava rispidamente a candidata sem que ela pudesse sequer terminar de responder às perguntas elaboradas, somado ao tom cínico e canalha dos questionamentos referentes à uma suposta personalidade autoritária de Dilma.


Ainda sim, a candidata se saiu muito bem. Respondeu à altura, porém com categoria e de forma esclarecedora, a todas às perguntas elaboradas e ao ataque feito indiscriminadamente, de modo que a tentativa de se desgatar a candidata do PT se converteu numa oportunidade a mais dela mostrar qual o programa político será executado se ela for eleita presidente (oxalá assim aconteça!).

No final das contas, foi isso: mais uma demonstração de que a grande mídia tem, sim, a sua preferência nessas eleições. E no que depender dela, Serra será imposto guela abaixo na garganta da população brasileira. Pouco importa qual o seu programa político, o seu projeto para o país. Só não contavam com uma Dilma Rousseff estrategicamente preparada o suficiente para não cair na armadilha, o que tornou a tentativa de espinafrada numa chance a mais de Dilma mostrar porque é a melhor opção para o eleitor brasileiro nessas eleições.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Outros assuntos

Antes Selenike, agora Seleglobo. A ala do PiG liderada pela família Marinho não transmitiu a primeira partida da seleção brasileira de futebol, em TV aberta, após a copa na Africa, contra os EUA. Pouco menos permitiu que outra emissora transmitisse. Os interessados que assistissem o jogo apenas pela internet ou pelo Sportv, seu canal fechado 24h esporte. De quebra, o repórter/comentarista Alex Escobar, funcionário da emissora xingado por Dunga durante uma entrevista coletiva na copa, foi presenteado com uma camisa da seleção. Afinal, nem bem Mano Menezes assumiu e os privilégios à emissora voltaram a ser concedidos.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

CHÁVEZ, URIBE E A ESQUERDA COLOMBIANA

As FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) foram criadas na década de 60 para que os camponeses do nosso país vizinho pudessem resistir às ações terroristas de latifundiários aliançados a paramilitares narcotraficantes que tinham o único objetivo de se apossarem de terras, o que não deixa de ser uma forma de grilagem. Porém, na medida em que o tempo passou, a guerrilha colombiana passou a tomar certas atitudes que a levaram para o isolamento político, como por exemplo o sequestro de civis e turistas estrangeiros. Infelizmente, o presidente colombiano retirante, Álvaro Uribe Veléz, uma espécie de Mussolini latino americano moderno, atingiu sim patamares de elevada popularidade justamente por se colocar à população como o grande algoz das FARC, o que não é nenhum discurso de direita, muito pelo contrário. Conforme nos disse uma leitora do blogue, o próprio Fidel Castro tem suas restrições às FARC.

Por outro lado, a direita colombiana, a exemplo das principais extremas-direitas mundiais, não tem muito a oferecer quando o assunto é idoneidade política. Ao longo de sua existência, grande parte de suas ações foram deflagradas por exércitos privados financiados pelo lucro do tráfico de entorpecentes. Acusava-se as FARC de ser financiada pelo tráfico de drogas quando na verdade a extrema-direita colombiana o era.

Poucos dias antes de terminar seu mandato, Álvaro Uribe, então eleito de forma questionável, acusa Hugo Chávez de abrigar membros das FARC em território venezuelano. Em resposta, a Venezuela rompeu as relações com a Colômbia, tendo em vista a ameaça de invasão militar devido à acusação de Uribe, que calunia descaradamente o presidente venezuelano ao não se recordar da negociação de libertação de presos políticos das FARC na qual Hugo Chávez esteve envolvido, em 2008.

A indisposição criada por Uribe faz renascer o debate sobre qual deve ser a saída para os conflitos armados entre a direita e a esquerda colombiana. Mesmo com a pertinente e correta crítica feita ao isolamento das FARC, também é preciso ressaltar que em meados da década de 80 houve um processo de desarmamento da guerrilha que culminou na morte indiscriminada de seus membros. A reinserção de ex-guerrilheiros na vida política da Colômbia deve, imprescindivelmente, estar acompanhada da garantia imaculada de que eles não virão a sofrer qualquer atentado em razão de suas opiniões e seu passado.

Por sua vez, a posse do novo presidente colombiano é uma oportunidade para que o país reveja sua postura de satélite estadunidense na América Latina. Um conflito armado entre Colômbia e Venezuela não traria benefícios a nenhum dos dois povos, pouco menos para seus vizinhos latino americanos. Seria muito bom que esta nova administração servisse como uma ponte de diálogo entre os dois países, de modo que se respeite as escolhas e rumos seguidos por cada um nos seus âmbitos internos, assim como seria interessante a Colômbia se dar a oportunidade de abrir o diálogo com os demais países da América do Sul e se inserir no processo de integração regional que estes países tem construído ao longo dos últimos anos.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre o conflito, as FARC e o narcotráfico na Colômbia:

segunda-feira, 12 de julho de 2010

20 ANOS DE INESTIMÁVEL PERDA

Itália, Roma, 12 de Julho de 1990, Hospital Santo Eugênio. Depois de inúmeras conversas familiares, recomendações médicas e a decisão de viajar para cobrir mais uma Copa do Mundo, um dos mais completos brasileiros do séc. XX, senão o mais, deixaria o plano terreno, mas jamais passaria a ter sido alguém. Gaúcho, jornalista, botafoguense e gremista, mas acima de tudo o homem da política, como uma vez definiu uma de suas filhas ao insculpir uma dedicatória num exemplar de sua biografia, cujo dono é este que vos escreve.

Se dar ao prazer de conhecer a história de vida deste brasileiro completo é ter a oportunidade única de compreender que valorizar a vida é lutar para que todos a tenham dignamente e assim possam vivê-la intensamente, da forma que ele viveu, fosse na política, no futebol ou na imprensa.

Ninguém jamais entendeu de futebol como ele, a ponto de seu biógrafo, André Iki Siqueira, declarar que ao assistir jogos de seu time de coração no Maracanã, o Vasco, ia embora no meio do jogo quando seu biografado comentava, pelo rádio, que não tinha mais jeito. "Dificilmente ele errava", diz André quando é entrevistado. Uma das provas de sua sabedoria futebolística é o jogo Portugal x Coreia do Norte, na Copa de 66. Após os asiáticos abrirem 3x0, o narrador Jorge Cury o pergunta se a fatura já estava liquidada. Ele responde que os lusos ainda poderiam reverter o elástico placar, que lhes terminou favorável por 5x3. "Os coreanos correram em meio jogo o que tinham para correr o ano todo", explicou.

Em 1957, Botafogo e Fluminense, o clássico mais antigo do futebol brasileiro, definiria o campeão estadual. As instruções foram simples: "o Quarentinha marca o Telê Santana e vocês vencem o jogo, pois o empate é deles. Vocês estão perdendo de 0x0". No final, Botafogo 6x2, com cinco gols de Paulinho Valentim. Até hoje, a maior goleada em finais de campeonato carioca.

Ao detectar os momentos nos quais o futebol e a política se misturavam, a maestria continuava consigo. Enfeitava-se jogadas para se conseguir contrato em dólar na Europa; o êxodo de jogadores é o nosso maior PIB, "escala o teu ministério que eu escalo a minha seleção".

Ninguém foi tão partidário e obediente ao PCB. Fosse nos movimentos de juventude fugindo da polícia e do hospital com o pulmão ferido para não ser preso; na guerrilha em Porecatu (PR), lutando pela reforma agrária; nas panfletagens das greves gerais em São Paulo na década de 40, nas denúncias de tortura do regime militar que lhe valeram uma medalha do Projeto Brasil, Nunca Mais.

Perdão, Mestre, se escrevi sobre você em mais de 30 linhas, as quais você dizia que além delas, o leitor se cansava. Mas é só para demonstrar que um longo artigo é pouco para descrever tua vida que há 20 anos se foi. A tua vida, porque tu ainda és e sempre será.

“A vida é a razão da gente ser. Claro que a vida vale a pena. E a melhor coisa da vida é a própria vida. Eu tenho usado bem a vida. Sou otimista e tenho confiança. Acredito no futuro. E gosto da vida”.

“A coisa que eu mais amo é o socialismo, porque eu conheço os países socialistas. São pobres alguns, têm grandes dificuldades outros, mas não conhecem crise nem miséria. Ninguém precisa pensar nos filhos, o futuro deles está garantido. Eu estou feliz porque, no decorrer da minha vida, eu já vi o avanço do socialismo”. João Saldanha.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

IGUALDADE NA DIVERSIDADE

O desafio de consolidar políticas públicas para jovens, negros, deficientes físicos e homossexuais na sociedade brasileira

Por Daniel Carvalho

Todo cidadão tem direito à saúde, educação, moradia, desenvolvimento físico, intelectual e profissional. Mas além destes direitos e tendo em vista a diversidade da população brasileira, é necessário pensar em outras formas de garantir uma vida decente à população, onde o respeito pelo próximo se faz presente apesar das diferenças existentes entre cada indivíduo. Não falo daquele direito democrático conquistado a partir da Constituição Cidadã de 1988, mas de um outro direito expresso naquele documento e ainda distante de muitos cidadãos brasileiros, produto do contexto de desigualdades em que vivemos: o direito à dignidade da pessoa humana.

Falo dos direitos dos jovens, negros, deficientes físicos e homossexuais de terem uma vida digna, onde são tratados com o devido respeito e reconhecidos pelos próximos e pelo Estado como sujeitos de direitos autônomos, diferentes em suas escolhas ou forma de vida, mas iguais perante a Lei e a Nação brasileira. Grupos sociais afetados pelo racismo, discriminação e pobreza dificilmente terão acesso a estes direitos e essa igualdade. É neste contexto que a valorização da diversidade da população brasileira se faz necessária para estabelecer acesso igualitário aos direitos fundamentais.

O Estado brasileiro possui uma grande dívida com os grupos sociais vulneráveis. A história do país é manchada por escravismo, autoritarismo, discriminação social, cultural, religiosa e racial. Reconhecer esta dívida não é tarefa fácil, já que a melhor forma de compensar o histórico e a realidade vivida por estes segmentos é a criação de políticas públicas pelos Governos, garantindo às minorias e aos excluídos condições de cidadania plena.

Hoje, consolidar direitos das minorias e dos excluídos vem sendo possível em nível nacional graças ao respeito estabelecido entre Estado e Sociedade Civil, em um diálogo aberto e constante. Os conselhos e conferências se multiplicam, demonstrando o fortalecimento de nossa democracia e o grau de organização de nossa sociedade. Soma-se a isso a institucionalização das políticas públicas, através de marcos legais como o Estatuto da Criança e Adolescente, que reconhece as crianças e os adolescentes como cidadãos. Atualmente, tramita no Congresso o Estatuto da Juventude e da Igualdade Racial, o que garante os direitos destes segmentos, mesmo com a alternância de Governos no Poder Executivo. Por fim, a garantia de execução de políticas públicas só será possível com dotações orçamentárias, fruto do planejamento responsável dos governos para execução de investimentos nos segmentos sociais, ampliando recursos. Ah, vale lembrar a importância de elegermos parlamentares atuantes na defesa dos direitos humanos e da justiça social, que lutam diariamente para que tais direitos sejam reconhecidos e respeitados.

Somente avançaremos na concepção do indivíduo como sujeito de direito, respeitando sua diversidade e preservando seus direitos, com a certeza que para a promoção de uma sociedade mais tolerante, justa e fraterna, é preciso “universalizar direitos em um contexto de desigualdade”.

O autor é comunicólogo. Atua na Coordenadoria Especial de Juventude da Prefeitura de Governador Valadares/MG e é militante da Juventude do PT.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

ACONTECIMENTOS ALÉM DA GRANDE MÍDIA

São Paulo

Acabamos de receber, via e-mail, a notícia de que amanhã, às 16h00min, na Câmara Municipal de Vereadores, o mandato do Jamil Murad (PCdoB) receberá a jornalista brasileira Angela Lano, que estava na frota de paz ataca pelo exército israelense no último mês de maio, na Turquia. Além dela, também estarão presentes representantes da Assembleia Geral dos Palestinos na Europa e Associação de Palestinos na Itália.

Junto com o mandato do vereador, também realizará o evento o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Centro de Estudos e Mídia Alternativa Barão de Itararé, Portal Vermelho, Partido Comunista do Brasil e Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz.

Belo Horizonte

 O ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, estará, nesta quinta feira, debatendo políticas públicas para juventude. O evento acontece na amanhã, na Av. do Contorno, nº 7.218/B, Bairro de Lourdes, a partir das 18h30min.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

FALAR SOMENTE COM CONHECIMENTO DE CAUSA

Texto publicado com atraso. Porém, antes tarde do que nunca.

Eu quero mudar isso. Eles não gostam de falar porque
a mídia transmite para muitas pessoas
uma imagem má da Coreia.
Falam que é fechado, que tem bomba.
São informações ruins. Eles têm medo do que
vão falar de nós.
- - -
Temos um povo muito bom,
que não se preocupa com dinheiro.
Nosso povo democrático é muito gentil.

Jong Tae-Se, atacante da seleção
norte-coreana.


Ditadura, fome, Estado militarizado e outros conceitos de ciência política como os desta frase sempre são empregados para descrever a Coreia do Norte. De volta a uma Copa do Mundo depois de 44 anos, o país asiático é concebido pela grande mídia como o mais fechado do mundo. É desta forma que os textos jornalísticos quase sempre se referem a ele.

Até agora, o único jogo bom de se ver nesta Copa foi a vitória de 4x0 da Alemanha sobre a Austrália. A partir do momento em que a retranca prevalece, o futebol fica em segundo plano e então passa-se a discutir o evento Copa do Mundo. Além de astros internacionais da música como Black Eyed Peas e Shakira, as vuvuzelas dão seu show à parte. Entretanto, o grande momento da Copa até aqui aconteceu ontem, no jogo do Brasil, antes da bola rolar.


Durante a execução do hino nacional norte-coreano, o astro do time, Jong Tae-se, chorava copiosamente. Japonês de nascença e filho de sul-coreanos, o "Rooney asiático" optou por se naturalizar norte-coreano e por possuir credenciais futebolísticas peculiares, passou a ser convocado para defender a seleção de seu país. Teoricamente, as melhores seleções asiáticas desta Copa são o Japão e a Coreia do Sul, que inclusive tem no seu plantel o meia Park Ji-Sung, que atua no poderoso Manchester United, da Inglaterra. Tae-Se, que no jogo de ontem deixou o zagueiro brasileiro Juan no chão, tranquilamente poderia fazer parte de uma dessas seleções. Só que sua opção foi defender a Coreia do Norte.

A opção de Tae-Se, assim como suas lágrimas, são oportunidades únicas em nossas vidas para refletirmos sobre estereótipos que nos são passados. Alemães orientais pulavam o muro para o lado ocidental. Cubanos fogem para Miami, enquanto norte-coreanos fogem para o sul e para a China. Se a Coreia do Norte é este Estado demônio, se lá não tem liberdade política, se lá as pessoas passam fome, qual a razão das lágrimas de um atleta que em suas entrevistas diz que o povo do seu país é gentil e democrático?

O que sabemos sobre a Coreia do Norte? Do pouco que julgamos saber ou conhecer, quem nos garante a idoneidade das informações? O que nos garante que o povo norte-coreano não é feliz e confiante diante de suas conquistas e dificuldades, que sequer conhecemos? Antes de julgar é preciso ter conhecimento de causa. E as lágrimas de Tae-Se são uma oportunidade para tanto.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

terça-feira, 29 de junho de 2010

IDEIAS PARA UMA FICHA LIMPA

O projeto de lei recentemente sancionado pelo Presidente Lula, conhecido como Ficha Limpa, não é a resolução dos problemas da corrupção no país, assim como é inconstitucional, pois ofende um básico princípio da nossa Constituição que é o da presunção de inocência. A exemplo de diversos países, o Brasil é adepto do duplo grau de jurisdição, ou seja, uma pessoa só pode ser considerada condenada pela justiça desde que não caiba mais recurso de uma decisão judicial.

O projeto do Ficha Limpa ignora os desdobramentos processuais em segunda instância e torna inelegível alguém que ainda pode interpor recursos para se defender judicialmente. Por isso a ofensa ao princípio constuticional da presunção de inocência, bem como por isso que estamos diante de um constrangimento legalista.

Imagine, leitor, a seguinte situação: uma pessoa se candidata a um cargo eletivo ao mesmo tempo em que responde a um processo. Posteriormente, ela é condenada em primeira instância, recorre e sua condenação é mantida por um tribunal. Porém, ela interpõe novo recurso e então obtém uma decisão judicial favorável. Essa pessoa não poderia se candidatar porque sua ficha, limpa após o esgotamento de todas as instâncias judiciais, estava suja na época do pleito eleitoral. NADA MAIS CONSTRANGEDOR!

Por outro lado, possuem certa razão aqueles que argumentam que providências contra a corrupção não podem demorar para serem tomadas. A solução para isso não está no Ficha Limpa, mas sim na edição de novos códigos processuais que tornem a justiça mais célere sem que ela deixe de ter critérios, da mesma forma que é necessário estruturar o poder judiciário para que ele possa prestar aos cidadãos um serviço mais ágil.

Se a ideia é proporcionar aos eleitores segurança jurídica para que não se vote em candidatos com a ficha suja, por que não colocar-se em prática a ideia do professor Emir Sader: elaborar um projeto de ficha limpa da ditadura militar, de modo que seja impedida a candidatura daqueles que exerceram cargos políticos na ditadura mas ainda figuram na política nacional?

Se com a promulgação da Constituição de 1988 o compromisso do Brasil passou a ser com a  democracia, um projeto de lei desta magnitude impediria que políticos como Agripino Maia, Jair Bolsonaro, José Sarney, Elizeu Rezende, Sebastião Navarro Vieira Filho e outros se candidatassem e nos representassem politicamente, afinal, se estamos num contexto sócio-jurídico em que inocência se presume, na época em que os militares, apoiados pelos políticos citados e outros, governavam, todo cidadão podia ser tratado como suspeito do dia pra noite. Logo, os políticos que então exerceram suas atividades defendendo a ditadura militar hoje são suspeitos para participarem de um processo eleitoral democrático/sufragista.

Portanto, se estamos numa democracia, o que precisamos é de uma justiça mais célere, estruturada e com critérios objetivos de julgamento, de forma que a discussão judicial de casos de corrupção se resolva o mais rápido possível, assim como nossas leis, numa perspectiva de democracia, deve impedir a candidatura e a eleição de agentes políticos condescendentes com o período de exceção outrora vivido no nosso país.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

DUNGA: ALÉM DA GRANDE MÍDIA

Em primeira pessoa. E politicamente incorreto.

Já escrevi aqui outras vezes que não gosto de escrever em primeira pessoa. Mas hoje, novamente, não tem jeito. Assim comentarei o episódio envolvendo o técnico da seleção brasileira e o jornalista Alex Escobar, da Rede Globo de Manipulação.

O repórter/comentarista não tem culpa. Ele é um ser humano, vive num mundo capitalista assim como a maioria de nós (não estamos em Cuba, na Coreia do Norte, etc) e precisa vender a força de trabalho dele pra pagar suas contas no final do mês. Sinceramente, tenho até dó (putz, não era essa a melhor palavra, mas deixa pra lá). Alex Escobar era o cara errado na hora errada.

Só que o grande problema é a Rede Globo, que quer manipular tudo e enfiar goela abaixo dos telespectadores brasileiros sua imposição de visão sobre os fatos. E não bastasse a Globo querer mandar na política nacional e nos ter concebido Ayrton Senna um herói nacional (desse assunto falo com autoridade, modéstia à parte), a Globo quer mandar no futebol também.

A maioria dos grandes clubes brasileiros de futebol estão todos vendidos a Globo. Quebrados, falidos, carcomidos, a emissora com sede no Rio do Janeiro é a sua grande fonte de receita, muitas vezes depositada de forma antecipada, o que arrebenta os clubes mais ainda. Ou seja, o futebol brasileiro está na mão da Rede Globo.

Eu não torço para a seleção brasileira desde a final da Copa de 1998. Não ligo se meus times perdem, desde que lutando até o final, honrando as calças que usam. É fatalidade, só um pode vencer. Naquela final contra a França, o problema não foi perder com dois gols de cabeça do Zidane, mas sim escalar jogadores por pressão de patrocinador.

Se a farra da ingerência dos patrocinadores com o Dunga acabou, não sei. Enquanto a Nike, que já foi acusada de ter trabalhdores escravos por ai, fornecer o material esportivo da seleção, tô fora. Mas é preciso reconhecer que a farra midiática que a Globo fazia com a seleção acabou. Não sei como Dunga driblou o casamento, marcado pela submissão, entre a CBF e a emissora golpista de 1964. Mas que a farra acabou, acabou. Pelo menos temporariamente, colocou-se um ponto final (ou ponto e vírgula) na ingerência da Globo em detrimento de outras emissoras.

E essa ingerência, essa encheção de saco, fez com que o coitado do Alex Escobar pagasse o pato. Ele avalia a opinião de jogadores e técnicos em entrevistas coletivas para poder formar a opinião dos seus telespectadores. Mas ele não foi xingado porque simplesmente discordou de Dunga. Foi xingado porque discordou e estava ali a serviço da Rede Globo (procurem o vídeo no youtube, não vou colocar nada aqui não, estou com preguiça), a emissora que manda e desmanda no futebol brasileiro mas perdeu seus privilégios com o capitão do tetra no comando.

A manipulação é tanta, mas tanta, que a incoerência chega ao cúmulo do absurdo. Ao mesmo tempo em que a Rede Globo de Manipulação nos trata como otários com seu jornalismo esportivo ufanista e babaca (sim, estou copiando o Flávio Gomes), ela vem com os papos de que está torcendo pro Brasil ganhar a Copa independente do treinador. A Globo, torcer pro Brasil? Torce uma ova! Mandem esses cascateiros, golpistas de 1964 fundados com grana ianque, veículo de comunicação oficial da ditadura, enganarem os outros na casa do cacete!

Tudo pra essa porcaria de emissora é negócio. Chama-se a atenção dos telespectadores com um discurso ufanista e sentimentalista para que eles sejam atraídos a darem audiência, mas o teor da notícia sempre é de forma a respaldar os interesses da elite nacional submissa a uma visão imperialista. Se a Globo torcesse pro Brasil, não seria a emissora oficial da ditadura Se a Globo torcesse pro Brasil, não teria se omitido para cobrir o movimento das diretas já. Se a Globo torcesse pro Brasil, não tentaria ser dona do futebol brasileiro. Se a Globo torcesse para o Brasil, não enganaria o telespectador brasileiro da F-1 com informações falsas para criar expectativas que não podem ser cumpridas.

A relação de Dunga com a imprensa não é das melhores, isso é fato. Mas vocês acham mera coincidência ele ter se indisposto justamente com um funcionário da Rede Globo de Manipulação?

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

sábado, 5 de junho de 2010

TRANSPARÊNCIA E CIDADANIA NO ORÇAMENTO PÚBLICO

Por Jorge Jabur

A Constituição de 1988 ofereceu à sociedade brasileira uma série de inovações. Entre as várias que poderiamos citar aqui destaca-se o Capitulo II - Das Finanças Públicas - Art 165 - Dos Orçamentos. Trata-se de uma nova lógica de conduta que sugere ordenação e transparência aos orçamentos públicos nas esferas Federal, Estadual e Municipal. A importância deste artigo de nossa Constituição ganhou ainda mais força, com a promulgação mais tarde da Lei de Responsabilidade Fiscal que regulamentou a relação de receita e gasto público, ordenando despesas com pessoal, operações de crédito, receitas de capital e despesas correntes.

O artigo constitucional é fundamentado em 03 leis ordinárias necessárias para o estabelecimento do sistema orçamentário no setor público. O Plano Plurianual(PPA), A Lei de Diretrizes Orçamentárias(LDO) e a Lei do Orçamento Anual(LOA).

Não se trata aqui de explicar o funcionamento do complexo orçamentário e explicitar seus detalhes, mas sim focar na grande inovação que tal sistema representa. Além de se mostrar eficaz no decorrer do tempo, pois os déficits fiscais mostraram-se decrescentes no passar dos anos, o sistema inova principalmente pela condição de transparência imposto, obrigando os governantes a se submeterem às audiências públicas nas casas legislativas.

Outra característica presente e muito importante nestas leis ordinárias (PPA, LDO, LOA), é que tais leis para serem elaboradas e controladas propiciam a participação popular. O PPA, por exemplo, deve ser aprovado no primeiro ano do mandato do governante e vale pelos próximos 4 anos, define-se no PPA os programas que vão compor os projetos e atividades do respectivo governo. Assim foi uma forma de obrigar a gestão pública a planejar e orientar suas ações, conforme a linha governamental a ser traçada.

Aqui portanto se define uma maneira de governar. Se o governante possuir uma visão de participação popular e uma prática mais descentralizada de gestão, haverá uma grande oportunidade para o exercício da cidadania. A elaboração do PPA permite e sugere a ampla participação dos técnicos do governo em sintonia com a população organizada. O mesmo raciocínio pode ser aplicado na LDO, pois sendo uma lei ordinária anual, esta ordena por exemplo a criação de novos cargos e seus respectivos concursos públicos e os investimentos públicos das autarquias e empresas públicas.

Porém só a intenção do governante não basta. É preciso que a sociedade organizada se capacite para exercer tal trabalho. Seria desejável que ONGs se organizassem para capacitar a população na elaboração e controle na gestão do orçamento público. Só assim haveria condições de um eficiente acompanhamento do planejamento participativo. É também desejável que os governos, principalmente os municipais, capacitassem seu pessoal para aceitar e entender estes mecanismos tão importantes e fundamentais para o exercício da cidadania.

Sabemos que existem inúmeras experiências no Brasil de orçamento participativo, mas a grande maioria dessas iniciativas, apesar de louváveis e desejáveis, esbarram na falta de capacitação da população para seu entendimento e na resistência cultural dos técnicos públicos que geralmente lidam com a peça orçamentária.

Apesar do dispositivo legal e constitucional, é preciso avançar na capacitação para o efetivo planejamento participativo. Assim não basta ter a intenção, tem que saber fazer.

Como observamos, estamos muito distantes em Poços de Caldas da efetiva participação popular, pois além da falta de vontade política da atual gestão municipal, que trabalha com orçamento no estilo “a portas fechadas”, não estamos detectando nenhuma iniciativa de organizações do terceiro setor para capacitar e fomentar a população para o tema. O fato é agravado na nossa cidade, pois temos uma tradição patrimonialista e muitos setores da sociedade estão viciados nessa forma de lidar com a coisa pública.

Os formadores de opinião, principalmente dos setores mais avançados no espectro político, devem incentivar a participação popular e sua efetiva implantação, veja que não falta amparo legal para essa prática.

A participação popular é uma forma de se diferenciar do estilo elitista, centralizador e patrimonialista do atual grupo político que está na Prefeitura. Todos que anseiam por uma cidade mais justa, transparente e com serviço público eficiente deveriam promover a idéia da participação popular como instrumento legitimo eficaz e eficiente na gestão pública.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

DEBAIXO DOS PANOS

Assim como cantava Raul Seixas, em Poços de Caldas implantou-se um dicionário da censura, baseado na prejudicial tradição coronelista que sempre pisoteou os interesses maiores da população do município. De 2005 pra cá, tudo é decidido em gabinetes, de tal forma que somente os administradores e seus amigos são contemplados com as medidas tomadas pela liderança do atual prefeito e seu antecessor.

Palavras e conceitos como partipação, povo, democracia participativa, debates de ideias e até mesmo o verbo escutar foram riscados do dicionário político poçoscaldense. Na verdade, nunca foram utilizados, exceto num período em que uma forma de governar diferente foi escolhida pelo eleitorado. Porém, num contexto histórico em que cada vez mais se descobre que a democracia é uma ebulição de ideias, cada vez mais a atual administração se encontra oposta à modernidade democrática.

O caso mais recente é o dos servidores públicos municipais. Do dia pra noite decidiram que o regime jurídico mudaria de celetista para estaturário. Para inibir o censo crítico dos funcionários municipais, visita-se os setores da Prefeitura com meias promessas dos benefícios que teriam o novo regime jurídico. Ainda sim, tamanha é a vocação coronelista dos que se dizem bons de coração que questionamentos do magistério se tornam motivos para atribuir-lhes a alcunha de sem educação.

Audiência públicas são uma farsa. Conforme já apuramos de alguns servidores comissionados, eles são OBRIGADOS a estarem presentes. O objetivo é claro: lotar a Câmara Municipal, costumeiro local das audiências, para que elas pareçam legítimas.

É desta forma que se faz política em Poços de Caldas atualmente: enfiando goela abaixo da população a vontade dos coronéis e bons de coração, ao invés de conversar com o povo sobre seus problemas e as soluções para eles.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

terça-feira, 11 de maio de 2010

A VENDA DO ESTADO

Segundo o documentário A história das coisas, das 100 maiores economias do mundo, 51 são grandes corporações, enquanto 49 são Estados soberanos. Este dado é algo preocupante se levarmos em conta que a iniciativa privada não tem compromisso com o bem estar dos cidadãos. No máximo, ela desenvolve projetos assistenciais que lhe permite pagar menos impostos, o que culmina numa menor receita financeira para políticas públicas sociais, afinal, menos impostos, menos dinheiro entrando nos cofres públicos. Em suma, a essência da iniciativa privada, obviamente, é lucrar.



Para melhor demonstrar a diferença entre a iniciativa pública e a privada, a filósofa Marilena Chauí exemplifica muito bem que enquanto o serviço público de saúde é um direito, o serviço privado é tão somente um serviço, que tira o homem da esfera da cidadania e o transforma num simples consumidor qualquer de algo indispensável à sobrevivência humana.

Sendo os Estados os entes com a obrigação de oferecer às suas populações os mais indispensáveis serviços à existência humana, através de políticas públicas, mas sendo o capitalismo um sistema que transforma tudo em algo passível de compra e venda, se chega num determinado momento em que se prevalece, na política, a concepção publicista ou privatista. E na hipótese de se prevalecer a concepção privatista, pode acontecer o absurdo do próprio Estado ser vendido.

Esta situação é o que ocorre na Grécia e na Romênia, atualmente. Em razão da crise econômica que veio à tona nestes países, buscou-se a ajuda do Fundo Monetário Internacional sob o argumento da recuperação econômica. No caso da Grécia especificamente, a "ajuda" será de 30 bilhões de dólares. Porém, o custo será ainda maior, pois as condições dessa "ajuda" são a redução de funcionários públicos, o menor poder aquisitivo do salário e da aposentadoria, dentre outras consequencias que possuem o enorme potencial de transformar a Grécia em mais um exemplo de barbárie mercantil: só tem acesso quem pode pagar. Extingue-se o cidadão e surge o mero consumidor.

Haverá um momento no qual o mundo, como um todo, terá que se decidir por prevalecer a concepção publicista ou privatista. Oxalá seja a publicista, pois a vitória da ideia oposta faz com que o Estado deixe de prestar às suas populações os serviços necessários ao bem estar social, em favor de uma prostituição da qual os grandes órgãos financeiros mundiais e os chamados países desenvolvidos são os beneficiados.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

domingo, 9 de maio de 2010

A PERDA DE OPORTUNIDADES PELO JUDICIÁRIO

Após o triste período em que os países do Cone Sul viveram ditaduras militares patrocinadas pelos EUA, no último quarto do séc. XX, o Brasil foi o único país onde torturadores e torturados foram igualmente anistiados, enquanto nos países vizinhos diversos militares das mais variadas patentes sofreram condenações de crimes lesa-humanidade ou algo do tipo.

Recentemente, a Ordem dos Advogados do Brasil ajuizou uma ação no Supremo Tribunal Federal pedindo pela não aplicação da Lei de Anistia aos torturadores e assassinos do regime militar que vigorou no Brasil de 1964 a 1985. Ao julgar improcedente o pedido e arquivar os autos do processo, o STF, além de usurpar as suas funções de defesa dos direitos humanos previstos na Constituição, fez com que o Brasil perdesse a oportunidade de acertar as contas com sua própria história e deixasse de apurar de forma mais intensa o que ocorreu no período autoritário.

A decisão do STF também demonstra a materialização de uma visão conservadora do poder judiciário brasileiro frente às questões judiciais relacionadas aos reparos dos danos cometidos pela ditadura de uma forma geral, como por exemplo a suspensão, através de uma liminar, da indenização à família do Capitão Carlos Lamarca. Para ele, o exército tinha o dever de proteger o povo de um país. Com um golpe de Estado executado por essa mesma instituição, sua finalidade se perdeu. Daí então, apoiado em teorias políticas clássicas do pensamento socialista, Lamarca liderou guerrilhas que optaram pela oposição armada a um regime de exceção. Porém, após a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça indenizar a família de Lamarca, a concepção de que ele não passava de um desertor se fez predominante no poder judiciário.

E assim continua a história de nosso país: com o poder judiciário exercendo o papel de antítese numa perspectiva dialética, de modo a impedir o acerto de contas com um passado sombrio e constrangedor.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

sábado, 17 de abril de 2010

INSTITUTOS DE PESQUISA: OS NOVOS INIMIGOS DE DILMA - PARTE II

Nada como um dia após o outro, ou uma pesquisa após a outra, para montarmos o quebra cabeça do que realmente acontece nas pesquisas de intenção de voto aos atuais presidenciáveis. Enquanto o Datafolha Ditabranda parte para o ataque inescrupuloso na implacável defesa da candidatura Serra, os institutos Vox Populi e CNT Sensus o desmentem.

Mais uma vez não custa lembrar a ordem clara de uma recente reunião realizada no Instituto Millenium: os grandes meios de comunicação do país devem se opor, a qualquer custo, a uma vitória de Dilma Rousseff nas próximas eleições. Agora vale tudo: manipular pesquisa, inventar factóides, denunciar caluniosamente, criar fichas sujas, etc. Como bem alerta uma leitora do blogue, via MSN, no que depender de tucanos e demos, será a eleição mas suja de todos os tempos.

Após cansar de constatar o crescimento da candidatura de Dilma, o Datafolha Ditabranda, pautado pelas ordens golpistas do Instituto Millenium, divulgou uma pesquisa no dia 29/03 apontando novo crescimento da candidatura de José Serra, que teria a preferência eleitoral na casa dos 36%, enquanto Dilma teria 27%. Detalhe que na mesma pesquisa, ao mesmo tempo em que Serra tinha a preferência no método estimulado (com a apresentação dos candidatos aos entrevistados), Dilma tinha vantagem no método espontâneo (sem a apresentação dos nomes dos candidatos).

Entretanto, uma pesquisa do instituto Vox Populi publicada há duas semanas desmentiu o Datafolha Ditabranda, demonstrando a tendência do crescimento de Dilma. Resultado: Serra 34% e Dilma 31%. Num cenário sem Ciro Gomes, a diferença era de 38% a 33% favorável ao (des)governador de São Paulo. Precisava-se então de um "voto de minerva", que veio com a pesquisa da CNT Sensus publicada no último dia 13/04: empate técnico entre Serra e Dilma: 32,7% a 32,4%. Inconformado e, repita-se à exaustão, sob deliberações do Instituto Millenium, hoje o Datafolha Ditabranda publicou nova pesquisa dando 38% a 28% favoráveis a José Serra.

A manipulação aritmética da Folha Ditabranda é mais uma demonstração do que é capaz de fazer um panfleto tucano, do que é capaz de fazer um jornal que libera seus militantes para dizer que o PSDB é um partido de massa cheirosa e que, no desespero de ver a guerrilheira assaltante de banco suceder o sapo barbudo, lança mão de qualquer artifício para tentar passar a imagem de que seu candidato é, falsamente, o preferido do eleitorado brasileiro.



Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre a manipulação do Datafolha Ditabranda:

domingo, 28 de março de 2010

INSTITUTOS DE PESQUISA: OS NOVOS INIMIGOS DE DILMA

Recentemente, uma reunião no Instituto Millenium, em São Paulo, terminou com uma deliberação bem curta e grossa: a grande mídia deve, de qualquer jeito, impedir a vitória de Dilma Rousseff. Para que o objetivo seja cumprido, vale tudo de agora em diante, afinal, não existe no Brasil uma diferenciação entre liberdade e libertinagem de imprensa.

Tal deliberação já teve seu primeiro cumprimento. Numa pesquisa de preferência eleitoral divulgada ontem, noticiou-se que o (des)Governador de São Paulo, José Serra (PSDB), teria ganhado fôlego na corrida presidencial contra a Ministra Chefe da Casa Civil e a diferença, que nas pesquisas anteriores era de aproximadamente quatro, cinco pontos percentuais, agora chegou a nove pontos (36 a 27%). A pesquisa foi realizada pelo Datafolha, instituto de pesquisa de opinião pública da Folha de São Paulo (ou Força Serra Presidente), o mesmo jornal que meses atrás publicou em seu editorial a ideia de que no Brasil não houve uma ditadura entre 1964 a 1985, mas sim uma ditabranda. Tudo dentro da coerência de um meio de comunicação que emprestava seus carros para os homens da caserna torturarem e matarem os que se opunham ao regime militar.

Importante ressaltar também que a pesquisa foi divulgada um dia depois do magistério paulista ser agredido pela polícia militar ao manifestar suas reivindicações. Também nada mais coerente. Conforme os estudos de conclusão de curso do responsável por este blogue, a concepção fascista (ideologia política dos partidários de Serra e da Folha Ditabranda) acerca da greve é que ela é um recurso social nocivo contrário ao superiores interesses da produção nacional, nos mesmos ditames da Carta Constitucional de 1937. Portanto, deve ser reprimida com força policial e militar, da mesma forma que FHC fez na greve dos petroleiros, em 1995.

Para a Folha Ditabranda é normal períodos de exceção, bem como a repressão policial ao exercício de direitos sociais e constitucionais. Logo, para ela a população também apoia a repressão a estes direitos e por pensar igual a ela, em tese votaria no candidato dela.

Obviamente que as eleições presidenciais não estão ganhas. A maior maneira de se perder eleições é cantar vitória antes da hora, trabalhar com confiança excessiva, salto alto e guarda baixa. Na verdade, enquanto as urnas não são apuradas, não se pode falar nada. Da mesma forma que Juan Manuel Fangio dizia que "carreras son carreras" (corridas são corridas), eleições são eleições.

Entretanto, a pesquisa do Datafolha Ditabranda, publicada um dia após a repressão policial de uma greve, dias depois de uma ordem à batalha política-midiática a qualquer custo, é a primeira amostra do sadismo midiático para alavancar a candidatura de Serra. Os episódios da eleição de Brizola ao governo do Rio, em 1982, quando a Globo declarava a derrota dele e a manipulação do debate entre Lula e Collor, em 1989, estão aí para demonstrar que a imensa maioria dos institutos de pesquisa de opinião pública, prestadores de serviço da grande mídia, podem ser uns dos grandes aliados do PiG, o Partido da Imprensa Golpista.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre as mentiras da Folha Ditabranda:

QUEM ACREDITA NA FSP (FORÇA SERRA PRESIDENTE)?
O DATAFOLHA, OS PROFESSORES E O MUNDO BIZARRO DE SERRA
DATA-DA-FOLHA VEM AÍ. MAURÍCIO DA CARTA TAMBÉM

Em tempo: o colunista da Folha Ditabranda, Kennedy Alencar, admitiu que sem a pesquisa do Datafolha Ditrabranda, clima do lançamento da candidatura Serra seria de velório. Abaixo a inocência de que é mera coincidência.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

VENEZUELA: CRISE EXISTENCIAL DA GRANDE MÍDIA

Diversos são os países que tem optado pelo caminho da alternativa ao neoliberalismo, mas ultimamente, nem Cuba com seus 51 anos de revolução é tão achincalhada e escurraçada pela grande mídia como a Venezuela presidida por Hugo Chávez. Para cada nova notícia inventa-se uma nova crise num país onde na verdade as coisas seguem o seu rumo.

Há aproximadamente três semanas, a Ministra do Meio Ambiente, Yuvirí Ortega, e seu marido, o Vice-Presidente e Ministro da Defesa, renunciaram porque ela está com diabetes e precisa se tratar. Neste caso, mais uma vez percebeu-se como a grande mídia é podre, calhorda e safarnanda, ao utilizar tal fato para passar aos noticiados que a Venezuela se encontra em crise porque dois ministros de Chávez estariam em desacordo com os rumos tomados pelo governo, sendo que na verdade trata-se de um problema pessoal que envolve um delicado cuidado com o estado de saúde de um ser humano.

O responsável por este blogue foi caçoado por algumas pessoas que trabalham no mesmo prédio que ele, ao dizerem em "portunhol" que "en Venezuela se usa la lamparina" porque "Chávez no quer que la populación utilize luz elétrica". Vacinado contra as mentiras da grande mídia, o responsável pelo blogue nem levou as provocações em conta, pois a capacidade de geração de energia na Venezuela aumentou em 50%.

Não podemos negar que é objetivo o fato do Governo Chávez ter um plano de brutal economia energética, o que não se deve à falta de investimento neste setor, mas sim ao aumento de demanda de energia elétrica, apesar do aumento da geração em 50%. "Temos construído habitações, hospitais, escolas e redes de transporte, o que disparou o consumo", explicou Chávez. Concomitantemente, a maior usina hidrelética do país, localizada no Rio Guri, sofre com a seca provocada pelo fenomeno climático do El Niño, que diminui em 11 centímetros diários o nível da represa deste rio, responsável pelo abastecimento de 73% da energia elétrica na Venezuela.

Realmente precisamos admitir que a Venezuela vive uma crise econômica nos mesmos moldes dos países desenvolvidos. Só em janeiro passado, foram arrecadados cerca de 6,4 bilhões de bolívares em impostos, num país onde o "ditador" possui 58,3% de aprovação da população e seu partido, o PSUV (Partido Socialista Unificado da Venezuela), é reconhecido como maior força política do país, com aproximadamente 33% de respaldo. Isso é o que acusa um instituto de pesquisas da oposição.

Depois de alguns canais de TV à cabo saírem do ar por não estarem cumprindo a legislação venezuelana referente às telecomunicações, quase todos voltaram ao ar. O único que continua fora do ar é a RCTVI, uma espécie de Rede Globo venezuelana que participou do golpe de Estado midiático afim de depor Chávez, em 2002, com patrocínio dos EUA.

Novas calúnias surgirão. Ao noticiar uma crise inexistente na Venezuela, a grande mídia sim se vê em crise: quando cai por terra sua tese da impossibilidade e inaplicabilidade téorica de uma sociedade de iguais.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

domingo, 31 de janeiro de 2010

31 DE JANEIRO DE 1943: VON PAULUS CAPITULA EM STALINGRADO ANTES AS TROPAS DO EXÉRCITO VERMELHO

Por Max Altman
Membro do coletivo
das Relações Internacionais
do Partido dos Trabalhadores

Hoje, 31 de janeiro, comemora-se - ou se deveria comemorar - a rendição do 6º Exército de Von Paulus ao Exército Vermelho em Stalingrado. Foi em Stalingrado que as tropas do Exército Vermelho quebraram a espinha dorsal da Wehrmacht, mudaram o curso da Segunda Guerra Mundial, tomaram Berlim, salvando a humanidade da sanha nazi-fascista a um elevado custo em sangue de milhões de valentes e heroicos combatentes.

Cena da mais sangrenta guerra da história

Cercadas em Stalingrado desde o fim de novembro de 1942, as tropas do 6º Exército alemão de Friedrich Von Paulus se rendem ao Exército Vermelho em 31 de janeiro de 1943. Há muito a aviação alemã não conseguia mais abastecer seus soldados imobilizados em sítio que eles chamavam de “caldeirão”. Hitler, em desespero, tentou evitar a capitulação de Von Paulus elevando-o ao posto de Marechal do Reich.

Na última noite, em 30 de janeiro, décimo aniversário da tomada do poder pelos nazistas, Goering emitia pelo rádio palavras bombásticas: “Daqui a mil anos os alemães falarão sobre a batalha de Stalingrado com reverência e respeito e se lembrarão que, a despeito de tudo, a vitória final da Alemanha foi ali decidida ”.

Antes, em 24 de janeiro, após várias tentativas anteriores, os emissários do comando soviético chegaram às linhas alemãs com nova proposta. Von Paulus, atormentado entre o dever de obediência ao Führer e a obrigação de salvar do aniquilamento suas próprias tropas, radiografou a Hitler: “As tropas estão sem munições e sem mantimentos ... Não é mais possível um comando eficaz ... Insensato prosseguir na defesa ... Inevitável o colapso ... O 6º Exército solicita imediata permissão para se render”. A resposta de Hitler foi enfática: “ Proibida a rendição. O 6º Exército defenderá suas posições até o último homem e o derradeiro cartucho e com sua heróica resistência fará uma contribuição inesquecível para a salvação do mundo ocidental”.

Em 28 de janeiro, o que restara de um grande exército dividiu-se em três pequenos bolsões . Na manhã de 30 de janeiro, segundo uma testemunha ocular, o comandante-em-chefe sentara-se em seu leito de campanha, telegrama de felicitações pelo 10º aniversário do governo nazista em mãos, mergulhado em profunda depressão. A glória e a terrível agonia do excelso 6º Exército chagava ao fim. Nesse mesmo dia , Paulus telegrafou a Hitler: “Não se pode protelar o colapso final por mais 24 horas ”.

O final foi tétrico. Von Paulus expede na manhã de 31 de janeiro sua última mensagem ao Quartel-General em Berlim: “O 6º Exército, fiel ao seu juramento e cônscio da grande importância de sua missão, manteve até o fim sua posição, até o último homem e o último cartucho, pelo Führer e pela Pátria”. O radiotelegrafista, por sua própria conta, acrescentou: “Os russos encontram-se à porta de nosso abrigo. Estamos destruindo nosso equipamento . CL”. CL no código internacional telegráfico significava: esta estação não mais fará transmissões .

Um esquadrão de russos, à frente o general Chuikov, comandante das tropas soviéticas em Stalingrado, espreitou a adega escura onde se encontrava o comandante-em-chefe do 6º Exército da Wehrmacht. O chefe do Estado-Maior, general Schmidt, o recebeu. Os soviéticos exigiram a rendição incondicional. Schmidt consultou Von Paulus, deitado em sua cama de campanha . A resposta foi o silêncio. Schmidt, sem mais hesitar , assinou.

O silêncio desceu finalmente sobre aquele campo de batalha, coberto de neve e ensangüentado, onde se havia travado a mais feroz e épica das batalhas da história .

Às 2h46 da tarde de 2 de fevereiro, um avião de reconhecimento alemão sobrevoou a cidade e radiografou para o quartel-general : “ Nenhum sinal de luta em Stalingrado”.

Berlim, 3 de fevereiro, três dias após a rendição . O General Zeitzler, chefe do Alto Comando da Wehrmacht (OKW) transmite pela rádio, precedido pelo rufar abafado de tambores e da execução do 2º movimento, andante com moto, da 5ª Sinfonia de Beethoven, um comunicado oficial : “Terminou a Batalha de Stalingrado. Fiel ao juramento que fez, de lutar até o derradeiro alento, o 6º Exército sob o comando exemplar do marechal-de-campo Paulus, foi dominado pela superioridade do inimigo e as circunstâncias desfavoráveis com que nossas forças se defrontaram.”