Por Max Altman
Membro do coletivo
das Relações Internacionais
do Partido dos Trabalhadores
Hoje, 31 de janeiro, comemora-se - ou se deveria comemorar - a rendição do 6º Exército de Von Paulus ao Exército Vermelho em Stalingrado. Foi em Stalingrado que as tropas do Exército Vermelho quebraram a espinha dorsal da Wehrmacht, mudaram o curso da Segunda Guerra Mundial, tomaram Berlim, salvando a humanidade da sanha nazi-fascista a um elevado custo em sangue de milhões de valentes e heroicos combatentes.
Cena da mais sangrenta guerra da história
Cercadas em Stalingrado desde o fim de novembro de 1942, as tropas do 6º Exército alemão de Friedrich Von Paulus se rendem ao Exército Vermelho em 31 de janeiro de 1943. Há muito a aviação alemã não conseguia mais abastecer seus soldados imobilizados em sítio que eles chamavam de “caldeirão”. Hitler, em desespero, tentou evitar a capitulação de Von Paulus elevando-o ao posto de Marechal do Reich.
Na última noite, em 30 de janeiro, décimo aniversário da tomada do poder pelos nazistas, Goering emitia pelo rádio palavras bombásticas: “Daqui a mil anos os alemães falarão sobre a batalha de Stalingrado com reverência e respeito e se lembrarão que, a despeito de tudo, a vitória final da Alemanha foi ali decidida ”.
Antes, em 24 de janeiro, após várias tentativas anteriores, os emissários do comando soviético chegaram às linhas alemãs com nova proposta. Von Paulus, atormentado entre o dever de obediência ao Führer e a obrigação de salvar do aniquilamento suas próprias tropas, radiografou a Hitler: “As tropas estão sem munições e sem mantimentos ... Não é mais possível um comando eficaz ... Insensato prosseguir na defesa ... Inevitável o colapso ... O 6º Exército solicita imediata permissão para se render”. A resposta de Hitler foi enfática: “ Proibida a rendição. O 6º Exército defenderá suas posições até o último homem e o derradeiro cartucho e com sua heróica resistência fará uma contribuição inesquecível para a salvação do mundo ocidental”.
Em 28 de janeiro, o que restara de um grande exército dividiu-se em três pequenos bolsões . Na manhã de 30 de janeiro, segundo uma testemunha ocular, o comandante-em-chefe sentara-se em seu leito de campanha, telegrama de felicitações pelo 10º aniversário do governo nazista em mãos, mergulhado em profunda depressão. A glória e a terrível agonia do excelso 6º Exército chagava ao fim. Nesse mesmo dia , Paulus telegrafou a Hitler: “Não se pode protelar o colapso final por mais 24 horas ”.
O final foi tétrico. Von Paulus expede na manhã de 31 de janeiro sua última mensagem ao Quartel-General em Berlim: “O 6º Exército, fiel ao seu juramento e cônscio da grande importância de sua missão, manteve até o fim sua posição, até o último homem e o último cartucho, pelo Führer e pela Pátria”. O radiotelegrafista, por sua própria conta, acrescentou: “Os russos encontram-se à porta de nosso abrigo. Estamos destruindo nosso equipamento . CL”. CL no código internacional telegráfico significava: esta estação não mais fará transmissões .
Um esquadrão de russos, à frente o general Chuikov, comandante das tropas soviéticas em Stalingrado, espreitou a adega escura onde se encontrava o comandante-em-chefe do 6º Exército da Wehrmacht. O chefe do Estado-Maior, general Schmidt, o recebeu. Os soviéticos exigiram a rendição incondicional. Schmidt consultou Von Paulus, deitado em sua cama de campanha . A resposta foi o silêncio. Schmidt, sem mais hesitar , assinou.
O silêncio desceu finalmente sobre aquele campo de batalha, coberto de neve e ensangüentado, onde se havia travado a mais feroz e épica das batalhas da história .
Às 2h46 da tarde de 2 de fevereiro, um avião de reconhecimento alemão sobrevoou a cidade e radiografou para o quartel-general : “ Nenhum sinal de luta em Stalingrado”.
Berlim, 3 de fevereiro, três dias após a rendição . O General Zeitzler, chefe do Alto Comando da Wehrmacht (OKW) transmite pela rádio, precedido pelo rufar abafado de tambores e da execução do 2º movimento, andante com moto, da 5ª Sinfonia de Beethoven, um comunicado oficial : “Terminou a Batalha de Stalingrado. Fiel ao juramento que fez, de lutar até o derradeiro alento, o 6º Exército sob o comando exemplar do marechal-de-campo Paulus, foi dominado pela superioridade do inimigo e as circunstâncias desfavoráveis com que nossas forças se defrontaram.”

Adorei a narração de vitória da humanidade contra a psicose chamada Hitler, o cancer que a nada se curvou e no final não suportou o próprio peso. E é muito comovente saber que Rússia e Estados Unidos lutaram lado a lado, dissipando mesmo que temporariamente as diferenças políticas.
ResponderExcluirUm grande abraço!
Companheiro Chianello
ResponderExcluirPena a historiografia oficial omitir a bravura do Exército Vermelho, afinal sem ele a guerra em questão ou não seria vencida pelos Aliados ou se arrastaria por anos a fio ceifando ainda mais vidas. Só por curiosidade, Apolônio de Carvalho narra em sua biografia que os Aliados insistiram no “Dia D” e no desembarque na Normandia afim de chegarem a Berlim antes do Exército Vermelho, para tanto estavam dispostos inclusive a não tomar Paris e simplesmente sitiá-la. Segundo Apolônio, isso não ocorreu porque os próprios alemães, com medo de que Paris se tornasse o seu Stalingrado, ameaçaram em caso de ficar sitiados, incendiar Paris e promover uma enorme chacina. Daí De Gaulle e Giraud suplicaram pela tomada da Cidade Luz.
Ótimo, ótimo, ótimo.... Chianello, se nós ficamos felizes com isso, imagina o comandante Stalin, o maior homem a pisar nessa terra, ótimo...
ResponderExcluirA Russia só segurou a Alemanha porque os EUA mandava uma grande quantidade de suprimentos desde que começou a ofensiva Barbarossa, inclusive a aviação até que a propria Russia se restabelecesse se nao fossa a ajuda ameriacana os russoas estariam falando alemao hoje
ResponderExcluir