domingo, 31 de janeiro de 2010

31 DE JANEIRO DE 1943: VON PAULUS CAPITULA EM STALINGRADO ANTES AS TROPAS DO EXÉRCITO VERMELHO

Por Max Altman
Membro do coletivo
das Relações Internacionais
do Partido dos Trabalhadores

Hoje, 31 de janeiro, comemora-se - ou se deveria comemorar - a rendição do 6º Exército de Von Paulus ao Exército Vermelho em Stalingrado. Foi em Stalingrado que as tropas do Exército Vermelho quebraram a espinha dorsal da Wehrmacht, mudaram o curso da Segunda Guerra Mundial, tomaram Berlim, salvando a humanidade da sanha nazi-fascista a um elevado custo em sangue de milhões de valentes e heroicos combatentes.

Cena da mais sangrenta guerra da história

Cercadas em Stalingrado desde o fim de novembro de 1942, as tropas do 6º Exército alemão de Friedrich Von Paulus se rendem ao Exército Vermelho em 31 de janeiro de 1943. Há muito a aviação alemã não conseguia mais abastecer seus soldados imobilizados em sítio que eles chamavam de “caldeirão”. Hitler, em desespero, tentou evitar a capitulação de Von Paulus elevando-o ao posto de Marechal do Reich.

Na última noite, em 30 de janeiro, décimo aniversário da tomada do poder pelos nazistas, Goering emitia pelo rádio palavras bombásticas: “Daqui a mil anos os alemães falarão sobre a batalha de Stalingrado com reverência e respeito e se lembrarão que, a despeito de tudo, a vitória final da Alemanha foi ali decidida ”.

Antes, em 24 de janeiro, após várias tentativas anteriores, os emissários do comando soviético chegaram às linhas alemãs com nova proposta. Von Paulus, atormentado entre o dever de obediência ao Führer e a obrigação de salvar do aniquilamento suas próprias tropas, radiografou a Hitler: “As tropas estão sem munições e sem mantimentos ... Não é mais possível um comando eficaz ... Insensato prosseguir na defesa ... Inevitável o colapso ... O 6º Exército solicita imediata permissão para se render”. A resposta de Hitler foi enfática: “ Proibida a rendição. O 6º Exército defenderá suas posições até o último homem e o derradeiro cartucho e com sua heróica resistência fará uma contribuição inesquecível para a salvação do mundo ocidental”.

Em 28 de janeiro, o que restara de um grande exército dividiu-se em três pequenos bolsões . Na manhã de 30 de janeiro, segundo uma testemunha ocular, o comandante-em-chefe sentara-se em seu leito de campanha, telegrama de felicitações pelo 10º aniversário do governo nazista em mãos, mergulhado em profunda depressão. A glória e a terrível agonia do excelso 6º Exército chagava ao fim. Nesse mesmo dia , Paulus telegrafou a Hitler: “Não se pode protelar o colapso final por mais 24 horas ”.

O final foi tétrico. Von Paulus expede na manhã de 31 de janeiro sua última mensagem ao Quartel-General em Berlim: “O 6º Exército, fiel ao seu juramento e cônscio da grande importância de sua missão, manteve até o fim sua posição, até o último homem e o último cartucho, pelo Führer e pela Pátria”. O radiotelegrafista, por sua própria conta, acrescentou: “Os russos encontram-se à porta de nosso abrigo. Estamos destruindo nosso equipamento . CL”. CL no código internacional telegráfico significava: esta estação não mais fará transmissões .

Um esquadrão de russos, à frente o general Chuikov, comandante das tropas soviéticas em Stalingrado, espreitou a adega escura onde se encontrava o comandante-em-chefe do 6º Exército da Wehrmacht. O chefe do Estado-Maior, general Schmidt, o recebeu. Os soviéticos exigiram a rendição incondicional. Schmidt consultou Von Paulus, deitado em sua cama de campanha . A resposta foi o silêncio. Schmidt, sem mais hesitar , assinou.

O silêncio desceu finalmente sobre aquele campo de batalha, coberto de neve e ensangüentado, onde se havia travado a mais feroz e épica das batalhas da história .

Às 2h46 da tarde de 2 de fevereiro, um avião de reconhecimento alemão sobrevoou a cidade e radiografou para o quartel-general : “ Nenhum sinal de luta em Stalingrado”.

Berlim, 3 de fevereiro, três dias após a rendição . O General Zeitzler, chefe do Alto Comando da Wehrmacht (OKW) transmite pela rádio, precedido pelo rufar abafado de tambores e da execução do 2º movimento, andante com moto, da 5ª Sinfonia de Beethoven, um comunicado oficial : “Terminou a Batalha de Stalingrado. Fiel ao juramento que fez, de lutar até o derradeiro alento, o 6º Exército sob o comando exemplar do marechal-de-campo Paulus, foi dominado pela superioridade do inimigo e as circunstâncias desfavoráveis com que nossas forças se defrontaram.”

7 comentários:

  1. Adorei a narração de vitória da humanidade contra a psicose chamada Hitler, o cancer que a nada se curvou e no final não suportou o próprio peso. E é muito comovente saber que Rússia e Estados Unidos lutaram lado a lado, dissipando mesmo que temporariamente as diferenças políticas.

    Um grande abraço!

    ResponderExcluir
  2. Companheiro Chianello

    Pena a historiografia oficial omitir a bravura do Exército Vermelho, afinal sem ele a guerra em questão ou não seria vencida pelos Aliados ou se arrastaria por anos a fio ceifando ainda mais vidas. Só por curiosidade, Apolônio de Carvalho narra em sua biografia que os Aliados insistiram no “Dia D” e no desembarque na Normandia afim de chegarem a Berlim antes do Exército Vermelho, para tanto estavam dispostos inclusive a não tomar Paris e simplesmente sitiá-la. Segundo Apolônio, isso não ocorreu porque os próprios alemães, com medo de que Paris se tornasse o seu Stalingrado, ameaçaram em caso de ficar sitiados, incendiar Paris e promover uma enorme chacina. Daí De Gaulle e Giraud suplicaram pela tomada da Cidade Luz.

    ResponderExcluir
  3. Ótimo, ótimo, ótimo.... Chianello, se nós ficamos felizes com isso, imagina o comandante Stalin, o maior homem a pisar nessa terra, ótimo...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O GRANDE EXPURGO. Na luta pela consolidação do poder Stalin liquidou cerca de dois terços dos quadros do Partido Comunista da URSS, ao menos 5.000 oficiais do Exército acima da patente de major, 13 de 15 generais de cinco estrelas do Exército Vermelho – criado durante a Revolução Russa por Leon Trotsky, seu dissidente mais conhecido – e inúmeros civis, considerando-os todos "inimigos do povo" É uma pena, alguem que se intitula professor, exclamar que o ditador stalim foi o maior homem a pisar na terra. Na verdade ele foi o SEGUNDO MAIOR GENOCIDA na terra em sua época. Somente perde o primeiro posto para o próprio hitler. Sem contar que foi estúpido o suficiente, para dizimar o melhor do seu exercito, antes da chegada do inimigo. E burro o suficiente para não prever o ataque do inimigo.

      Excluir
  4. A Russia só segurou a Alemanha porque os EUA mandava uma grande quantidade de suprimentos desde que começou a ofensiva Barbarossa, inclusive a aviação até que a propria Russia se restabelecesse se nao fossa a ajuda ameriacana os russoas estariam falando alemao hoje

    ResponderExcluir
  5. Quando se trata de combates em campos de batalha independente de lados não se poder tecer opiniões ideológicas. Isso deve ser tratado sob outro prisma. Nós militares conhecemos o valor do combatente e a sua lealdade à pátria, noção essa que jamais o civil terá, pois não foi qualificado e doutrinado para defender sua pátria. Devemos respeitar e cultuar os combatentes de ambos os lados, homens e mulheres que acreditando em seus países lutaram, sofreram e morreram pela lealdade. Esse é o espírito do soldado. Cremos que a mais alta honraria e devoção de uma nação deve ser aos seus soldados que lutaram e derramaram seu sangue em campos de batalha. Lembrando sempre que no choque de razões entre as nações, nunca, jamais um civil desqualificado e despreparado poderá pegar em armas para defender sua nação. Isso é uma tarefa inerente ao sagrado voto de devoção do soldado a sua pátria. Quando envergamos uma farda e portamos o nosso fuzil juramos sob a bandeira nacional defender a pátria com o sacrifício da própria vida a defesa e a honra da pátria. Devemos respeitar e cultuar no mais alto panteão da honra e gloria da nação os seus filhos que também foram netos, pais, filhos, irmãos, que deixam seus lares de amor para tombarem mortos nos campos de batalha, e que jamais retornarão aos lares que deixaram para servirem sua pátria e não tornarão aos braços de quem os viu partir permanecendo apenas nas mentes e corações de seus ante queridos. É fácil na segurança do solo pátrio julgar, fazer juízo, opinar sem o conhecimento da verdade. Difícil é sentir o cheiro da pólvora da boca das armas, o pavor da morte mediante o trovão da garganta do canhão, o som sibilante do projétil do fuzil sob a cabeça, o macabro presenciar da morte dos irmãos de armas tombarem mortalmente ao seu lado sem nada poder fazer para salvá-lo. Amigos, antes de tecerem qualquer opinião ou julgamento sobre nobres soldados que lutaram independente de seu posto ou graduação, se estavam no comando ou não, se eram do exército agressor ou defensor, reflitam primeiro no homem ou mulher que com devoção à pátria e na defesa dos concidadãos civis deu sua própria vida nos campos de batalha. Seja o soldado combatente alemão, soviético, norte-americano, francês, inglês, brasileiro ou qualquer que seja sua nacionalidade. Sempre serão soldados dispostos a sacrificar suas vidas em honra da nação que a serve. Li no túmulo de um soldado de infantaria alemão tombado em batalha e em sua homenagem a seguinte inscrição: "Sua honra chamava-se fidelidade". Que Deus compadeça da alma do combatente tombado nos campos de batalha e abençoe a todos os combatentes que ostenta em seu peito medalha de mérito em combate. "Se queres a paz, prepara-te para a guerra". Até breve! Subtenente Anisio S. Barbosa

    ResponderExcluir
  6. “Amados pais. Se estão lendo esta carta, é porque ainda temos o aeroporto. Tenho certeza que esta será a última que seu amado filho lhes escreverá. Temos russos por todos os lados e não nos mandam ajuda de Berlim. Lhes tenho uma triste notícia, Granstsau morreu semana passada. Estava ele, eu e mais três andando quando simplesmente caiu no chão com a cabeça aberta. Amados pais, chorei muito ao vê-lo, porque crescemos juntos, lembram-se? Quando éramos crianças, quebrei a perna, ele me levou a casa nas suas costas com a minha perna quebrada. Sinto muito pelos pais dele. Perdi meu único amigo. E aqui haverá o fim. Nosso comandante se matou com um tiro na boca ontem de noite. Nossa moral não existe mais. Mas espero que essa maldita guerra acabe, pouco me importa o que aconteça. Se não receberem mais cartas minhas, vão para Espanha o quanto antes, sabemos que é uma questão de tempo dos russos chegarem em Berlim. Amados pais, após essa guerra, a Alemanha ficará atônita ao saber que o soldado que lhes escreve teve a vida salva por um médico judeu. Estou bem dos ferimentos, mas a cicatriz é enorme e horrível. Amados pais, se cuidem. Se não receberem mais cartas minhas, vão para Espanha, o dinheiro vocês já tem. Logo estaremos de novo conversando com Hilse, nos bom tempos dos dias de sol. Com muita devoção, seu filho querido.”

    Fonte: Cartas de Stalingrado, Coleção Einaudi, 1958.

    Subtenente Anisio S. Barbosa

    ResponderExcluir

Instruções para comentários:

1 - serão removidos pelo moderador aqueles que não estiverem relacionados com o conteúdo da postagem e/ ou conter palavras de baixo calão ou inapropriadas;

2 - para publicar seu comentário, você pode fazê-lo usando sua conta do google. CASO NÃO TIVER A CONTA DO GOOGLE OU PREFERIR NÃO USÁ-LA, escolha a opção Nome/URL e deixe a opção URL em branco que não haverá nenhum problema.