segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

SOBRE LIBERDADE DE IMPRENSA

A liberdade de imprensa não se reduz a algum meio de comunicação noticiar o que quiser a qualquer momento. Para que haja liberdade de imprensa de fato, é preciso haver direitos e deveres concedidos aos meios de comunicação, da mesma forma como se dispensa este tratamento a cada cidadão numa democracia.

Liberdade de imprensa também deve implicar em pluralidade de visões de mundo. Porém, esta função é mais difícil de ser cumprida, pois é muito difícil exigir dos meios de comunicação a exibição de diversas versões sobre os mais determinados assuntos, afinal, desde que não ofendam ninguém ou não descumpram nenhuma lei, os meios de comunicação são livres para noticiarem aquilo que bem entenderem.

No Brasil, o acesso à pluralidade de opiniões sobre os mais diversos assuntos só é possível em algumas revistas. Enquanto se tem uma visão de esquerda na Carta Capital e na Fórum, por exemplo, a Veja e a Época tratam de liderar a venda de conteúdo conservador nas suas páginas, principalmente a revista da Editora Abril, declaradamente opositora sádica e voraz do governo Lula e da candidatura Dilma. Nos principais jornais impressos de circulação do país, a pluralidade já é algo bem mais difícil de se ter acesso. Na verdade, é uma pluralidade de versões sobre a mesma conclusão e objetivo: opor-se a qualquer tentativa de democratização da imprensa e achincalhar governos que não compactuam com uma concepção privatista de Estado mínimo.

É dentro deste contexto que reside a prática de convencimento dos grandes partidos políticos de direita: utilizar a mídia partidariamente de tal forma que, escondida sob o mito da imparcialidade, em tese sempre noticia ao telespectador algo que é verdade. E para custear tudo isso, tem-se os caros anúncios das grandes corporações, principalmente das indústrias farmacêutica e automobilística e de grandes conglomerados bancários e securitários, os principais interessados na sobreposição do pensamento privatista à sociedade, por razões óbvias.

No Brasil, a Globo construiu seu império a partir de favores à ditadura militar. Ontem (24/01/2010, domingo), o G1, seu portal de notícias na internet, informou que cinco canais de TV à cabo teriam sido fechados na Venezuela e deu a entender que se tratava, mais uma vez, do cerceamento chavista à liberdade de imprensa. Porém, a notícia é falaciosa.

As redes de TV a cabo RCTVI, America Network, America TV, Momentum, Ritmo Son e TV Chile tiveram a sua programação interrompida porque não estavam cumprindo a legislação venezuelana referente às telecomunicações. Assim que regularizarem suas situações junto a Conatel (Comissão Nacional de Telecomunicações) voltarão ao ar. Para muitos, é uma situação de cerceamento da liberdade de imprensa, mas na verdade é a materialização de uma das características de um Estado democrático de direito: a relação entre o cumprimento de deveres e o exercício de direitos.

Finalmente, quem somos nós para falar da Venezuela, sendo que “nossa” mídia oligopolista é tão singular na apresentação da visão de mundo privatista e consumista como a mídia privada de lá? Longe de reconhecer Jorge Kajuru como autoridade jornalística, mas quem disse que não há cerceamento da liberdade de imprensa no Brasil? Enquanto Boris Casoy continua figurando como apresentador de jornais na Band, Kajuru foi demitido porque denunciou, no ar, que o governador de MG, Aécio Neves (PSDB), utilizou as arquibancadas do Mineirão, reservadas a deficientes físicos, como camarote para aliados políticos, no jogo entre Brasil x Argentina realizado no dia 02/06/2004, pelas eliminatórias da Copa de 2006. Não bastasse este lamentável episódio, depoimentos comprovam outras perseguições do governo de Aécio a jornalistas que tentaram mostrar graves falhas em seu governo (vide os vídeos abaixo). A mais pura utilização dos métodos de Joseph Goebbels, chefe da propaganda nazista.







A liberdade de imprensa não se resume, portanto, à notícia de algo na visão que se bem entender a qualquer momento. É a liberdade de trabalho do jornalista sem a ameaça de ser perseguido e o acesso, através dos meios de comunicação, às mais variadas visões de mundo.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

5 comentários:

  1. confira
    http://www.youtube.com/watch?v=Jr5Q5Volv88

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  2. Ótimo, Lucas Chianello fez como sempre, matou a cobra e mostrou o pau, comprovou o que disse. Ótimo, a direita hipócrita tenta de todas as maneiras derrubar Chavez. Na história, sempre que algum líder tenta fazer justiça social há resistência por parte de quem sempre se beneficiou de um sistema podre.
    Chianello, podemos trocar links de nossos blogs? Já colocarei o seu no meu.
    Abraço camarada

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  3. Ô loco Stefano, o vídeo é bem pesado... mas se for a verdade, que seja dita. Realmente nós sabemos da aproximação da Igreja Católica com ditaduras autoritárias.

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  4. exato. a igreja... é bem corrupta e autoritaria

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