terça-feira, 11 de maio de 2010

A VENDA DO ESTADO

Segundo o documentário A história das coisas, das 100 maiores economias do mundo, 51 são grandes corporações, enquanto 49 são Estados soberanos. Este dado é algo preocupante se levarmos em conta que a iniciativa privada não tem compromisso com o bem estar dos cidadãos. No máximo, ela desenvolve projetos assistenciais que lhe permite pagar menos impostos, o que culmina numa menor receita financeira para políticas públicas sociais, afinal, menos impostos, menos dinheiro entrando nos cofres públicos. Em suma, a essência da iniciativa privada, obviamente, é lucrar.



Para melhor demonstrar a diferença entre a iniciativa pública e a privada, a filósofa Marilena Chauí exemplifica muito bem que enquanto o serviço público de saúde é um direito, o serviço privado é tão somente um serviço, que tira o homem da esfera da cidadania e o transforma num simples consumidor qualquer de algo indispensável à sobrevivência humana.

Sendo os Estados os entes com a obrigação de oferecer às suas populações os mais indispensáveis serviços à existência humana, através de políticas públicas, mas sendo o capitalismo um sistema que transforma tudo em algo passível de compra e venda, se chega num determinado momento em que se prevalece, na política, a concepção publicista ou privatista. E na hipótese de se prevalecer a concepção privatista, pode acontecer o absurdo do próprio Estado ser vendido.

Esta situação é o que ocorre na Grécia e na Romênia, atualmente. Em razão da crise econômica que veio à tona nestes países, buscou-se a ajuda do Fundo Monetário Internacional sob o argumento da recuperação econômica. No caso da Grécia especificamente, a "ajuda" será de 30 bilhões de dólares. Porém, o custo será ainda maior, pois as condições dessa "ajuda" são a redução de funcionários públicos, o menor poder aquisitivo do salário e da aposentadoria, dentre outras consequencias que possuem o enorme potencial de transformar a Grécia em mais um exemplo de barbárie mercantil: só tem acesso quem pode pagar. Extingue-se o cidadão e surge o mero consumidor.

Haverá um momento no qual o mundo, como um todo, terá que se decidir por prevalecer a concepção publicista ou privatista. Oxalá seja a publicista, pois a vitória da ideia oposta faz com que o Estado deixe de prestar às suas populações os serviços necessários ao bem estar social, em favor de uma prostituição da qual os grandes órgãos financeiros mundiais e os chamados países desenvolvidos são os beneficiados.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Um comentário:

  1. Bem bacana o vídeo, esclarecedor sem ser conspiracionista. Parabéns, meu velho.

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