segunda-feira, 12 de julho de 2010

20 ANOS DE INESTIMÁVEL PERDA

Itália, Roma, 12 de Julho de 1990, Hospital Santo Eugênio. Depois de inúmeras conversas familiares, recomendações médicas e a decisão de viajar para cobrir mais uma Copa do Mundo, um dos mais completos brasileiros do séc. XX, senão o mais, deixaria o plano terreno, mas jamais passaria a ter sido alguém. Gaúcho, jornalista, botafoguense e gremista, mas acima de tudo o homem da política, como uma vez definiu uma de suas filhas ao insculpir uma dedicatória num exemplar de sua biografia, cujo dono é este que vos escreve.

Se dar ao prazer de conhecer a história de vida deste brasileiro completo é ter a oportunidade única de compreender que valorizar a vida é lutar para que todos a tenham dignamente e assim possam vivê-la intensamente, da forma que ele viveu, fosse na política, no futebol ou na imprensa.

Ninguém jamais entendeu de futebol como ele, a ponto de seu biógrafo, André Iki Siqueira, declarar que ao assistir jogos de seu time de coração no Maracanã, o Vasco, ia embora no meio do jogo quando seu biografado comentava, pelo rádio, que não tinha mais jeito. "Dificilmente ele errava", diz André quando é entrevistado. Uma das provas de sua sabedoria futebolística é o jogo Portugal x Coreia do Norte, na Copa de 66. Após os asiáticos abrirem 3x0, o narrador Jorge Cury o pergunta se a fatura já estava liquidada. Ele responde que os lusos ainda poderiam reverter o elástico placar, que lhes terminou favorável por 5x3. "Os coreanos correram em meio jogo o que tinham para correr o ano todo", explicou.

Em 1957, Botafogo e Fluminense, o clássico mais antigo do futebol brasileiro, definiria o campeão estadual. As instruções foram simples: "o Quarentinha marca o Telê Santana e vocês vencem o jogo, pois o empate é deles. Vocês estão perdendo de 0x0". No final, Botafogo 6x2, com cinco gols de Paulinho Valentim. Até hoje, a maior goleada em finais de campeonato carioca.

Ao detectar os momentos nos quais o futebol e a política se misturavam, a maestria continuava consigo. Enfeitava-se jogadas para se conseguir contrato em dólar na Europa; o êxodo de jogadores é o nosso maior PIB, "escala o teu ministério que eu escalo a minha seleção".

Ninguém foi tão partidário e obediente ao PCB. Fosse nos movimentos de juventude fugindo da polícia e do hospital com o pulmão ferido para não ser preso; na guerrilha em Porecatu (PR), lutando pela reforma agrária; nas panfletagens das greves gerais em São Paulo na década de 40, nas denúncias de tortura do regime militar que lhe valeram uma medalha do Projeto Brasil, Nunca Mais.

Perdão, Mestre, se escrevi sobre você em mais de 30 linhas, as quais você dizia que além delas, o leitor se cansava. Mas é só para demonstrar que um longo artigo é pouco para descrever tua vida que há 20 anos se foi. A tua vida, porque tu ainda és e sempre será.

“A vida é a razão da gente ser. Claro que a vida vale a pena. E a melhor coisa da vida é a própria vida. Eu tenho usado bem a vida. Sou otimista e tenho confiança. Acredito no futuro. E gosto da vida”.

“A coisa que eu mais amo é o socialismo, porque eu conheço os países socialistas. São pobres alguns, têm grandes dificuldades outros, mas não conhecem crise nem miséria. Ninguém precisa pensar nos filhos, o futuro deles está garantido. Eu estou feliz porque, no decorrer da minha vida, eu já vi o avanço do socialismo”. João Saldanha.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

IGUALDADE NA DIVERSIDADE

O desafio de consolidar políticas públicas para jovens, negros, deficientes físicos e homossexuais na sociedade brasileira

Por Daniel Carvalho

Todo cidadão tem direito à saúde, educação, moradia, desenvolvimento físico, intelectual e profissional. Mas além destes direitos e tendo em vista a diversidade da população brasileira, é necessário pensar em outras formas de garantir uma vida decente à população, onde o respeito pelo próximo se faz presente apesar das diferenças existentes entre cada indivíduo. Não falo daquele direito democrático conquistado a partir da Constituição Cidadã de 1988, mas de um outro direito expresso naquele documento e ainda distante de muitos cidadãos brasileiros, produto do contexto de desigualdades em que vivemos: o direito à dignidade da pessoa humana.

Falo dos direitos dos jovens, negros, deficientes físicos e homossexuais de terem uma vida digna, onde são tratados com o devido respeito e reconhecidos pelos próximos e pelo Estado como sujeitos de direitos autônomos, diferentes em suas escolhas ou forma de vida, mas iguais perante a Lei e a Nação brasileira. Grupos sociais afetados pelo racismo, discriminação e pobreza dificilmente terão acesso a estes direitos e essa igualdade. É neste contexto que a valorização da diversidade da população brasileira se faz necessária para estabelecer acesso igualitário aos direitos fundamentais.

O Estado brasileiro possui uma grande dívida com os grupos sociais vulneráveis. A história do país é manchada por escravismo, autoritarismo, discriminação social, cultural, religiosa e racial. Reconhecer esta dívida não é tarefa fácil, já que a melhor forma de compensar o histórico e a realidade vivida por estes segmentos é a criação de políticas públicas pelos Governos, garantindo às minorias e aos excluídos condições de cidadania plena.

Hoje, consolidar direitos das minorias e dos excluídos vem sendo possível em nível nacional graças ao respeito estabelecido entre Estado e Sociedade Civil, em um diálogo aberto e constante. Os conselhos e conferências se multiplicam, demonstrando o fortalecimento de nossa democracia e o grau de organização de nossa sociedade. Soma-se a isso a institucionalização das políticas públicas, através de marcos legais como o Estatuto da Criança e Adolescente, que reconhece as crianças e os adolescentes como cidadãos. Atualmente, tramita no Congresso o Estatuto da Juventude e da Igualdade Racial, o que garante os direitos destes segmentos, mesmo com a alternância de Governos no Poder Executivo. Por fim, a garantia de execução de políticas públicas só será possível com dotações orçamentárias, fruto do planejamento responsável dos governos para execução de investimentos nos segmentos sociais, ampliando recursos. Ah, vale lembrar a importância de elegermos parlamentares atuantes na defesa dos direitos humanos e da justiça social, que lutam diariamente para que tais direitos sejam reconhecidos e respeitados.

Somente avançaremos na concepção do indivíduo como sujeito de direito, respeitando sua diversidade e preservando seus direitos, com a certeza que para a promoção de uma sociedade mais tolerante, justa e fraterna, é preciso “universalizar direitos em um contexto de desigualdade”.

O autor é comunicólogo. Atua na Coordenadoria Especial de Juventude da Prefeitura de Governador Valadares/MG e é militante da Juventude do PT.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

ACONTECIMENTOS ALÉM DA GRANDE MÍDIA

São Paulo

Acabamos de receber, via e-mail, a notícia de que amanhã, às 16h00min, na Câmara Municipal de Vereadores, o mandato do Jamil Murad (PCdoB) receberá a jornalista brasileira Angela Lano, que estava na frota de paz ataca pelo exército israelense no último mês de maio, na Turquia. Além dela, também estarão presentes representantes da Assembleia Geral dos Palestinos na Europa e Associação de Palestinos na Itália.

Junto com o mandato do vereador, também realizará o evento o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Centro de Estudos e Mídia Alternativa Barão de Itararé, Portal Vermelho, Partido Comunista do Brasil e Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz.

Belo Horizonte

 O ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, estará, nesta quinta feira, debatendo políticas públicas para juventude. O evento acontece na amanhã, na Av. do Contorno, nº 7.218/B, Bairro de Lourdes, a partir das 18h30min.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

FALAR SOMENTE COM CONHECIMENTO DE CAUSA

Texto publicado com atraso. Porém, antes tarde do que nunca.

Eu quero mudar isso. Eles não gostam de falar porque
a mídia transmite para muitas pessoas
uma imagem má da Coreia.
Falam que é fechado, que tem bomba.
São informações ruins. Eles têm medo do que
vão falar de nós.
- - -
Temos um povo muito bom,
que não se preocupa com dinheiro.
Nosso povo democrático é muito gentil.

Jong Tae-Se, atacante da seleção
norte-coreana.


Ditadura, fome, Estado militarizado e outros conceitos de ciência política como os desta frase sempre são empregados para descrever a Coreia do Norte. De volta a uma Copa do Mundo depois de 44 anos, o país asiático é concebido pela grande mídia como o mais fechado do mundo. É desta forma que os textos jornalísticos quase sempre se referem a ele.

Até agora, o único jogo bom de se ver nesta Copa foi a vitória de 4x0 da Alemanha sobre a Austrália. A partir do momento em que a retranca prevalece, o futebol fica em segundo plano e então passa-se a discutir o evento Copa do Mundo. Além de astros internacionais da música como Black Eyed Peas e Shakira, as vuvuzelas dão seu show à parte. Entretanto, o grande momento da Copa até aqui aconteceu ontem, no jogo do Brasil, antes da bola rolar.


Durante a execução do hino nacional norte-coreano, o astro do time, Jong Tae-se, chorava copiosamente. Japonês de nascença e filho de sul-coreanos, o "Rooney asiático" optou por se naturalizar norte-coreano e por possuir credenciais futebolísticas peculiares, passou a ser convocado para defender a seleção de seu país. Teoricamente, as melhores seleções asiáticas desta Copa são o Japão e a Coreia do Sul, que inclusive tem no seu plantel o meia Park Ji-Sung, que atua no poderoso Manchester United, da Inglaterra. Tae-Se, que no jogo de ontem deixou o zagueiro brasileiro Juan no chão, tranquilamente poderia fazer parte de uma dessas seleções. Só que sua opção foi defender a Coreia do Norte.

A opção de Tae-Se, assim como suas lágrimas, são oportunidades únicas em nossas vidas para refletirmos sobre estereótipos que nos são passados. Alemães orientais pulavam o muro para o lado ocidental. Cubanos fogem para Miami, enquanto norte-coreanos fogem para o sul e para a China. Se a Coreia do Norte é este Estado demônio, se lá não tem liberdade política, se lá as pessoas passam fome, qual a razão das lágrimas de um atleta que em suas entrevistas diz que o povo do seu país é gentil e democrático?

O que sabemos sobre a Coreia do Norte? Do pouco que julgamos saber ou conhecer, quem nos garante a idoneidade das informações? O que nos garante que o povo norte-coreano não é feliz e confiante diante de suas conquistas e dificuldades, que sequer conhecemos? Antes de julgar é preciso ter conhecimento de causa. E as lágrimas de Tae-Se são uma oportunidade para tanto.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.