sexta-feira, 2 de julho de 2010

FALAR SOMENTE COM CONHECIMENTO DE CAUSA

Texto publicado com atraso. Porém, antes tarde do que nunca.

Eu quero mudar isso. Eles não gostam de falar porque
a mídia transmite para muitas pessoas
uma imagem má da Coreia.
Falam que é fechado, que tem bomba.
São informações ruins. Eles têm medo do que
vão falar de nós.
- - -
Temos um povo muito bom,
que não se preocupa com dinheiro.
Nosso povo democrático é muito gentil.

Jong Tae-Se, atacante da seleção
norte-coreana.


Ditadura, fome, Estado militarizado e outros conceitos de ciência política como os desta frase sempre são empregados para descrever a Coreia do Norte. De volta a uma Copa do Mundo depois de 44 anos, o país asiático é concebido pela grande mídia como o mais fechado do mundo. É desta forma que os textos jornalísticos quase sempre se referem a ele.

Até agora, o único jogo bom de se ver nesta Copa foi a vitória de 4x0 da Alemanha sobre a Austrália. A partir do momento em que a retranca prevalece, o futebol fica em segundo plano e então passa-se a discutir o evento Copa do Mundo. Além de astros internacionais da música como Black Eyed Peas e Shakira, as vuvuzelas dão seu show à parte. Entretanto, o grande momento da Copa até aqui aconteceu ontem, no jogo do Brasil, antes da bola rolar.


Durante a execução do hino nacional norte-coreano, o astro do time, Jong Tae-se, chorava copiosamente. Japonês de nascença e filho de sul-coreanos, o "Rooney asiático" optou por se naturalizar norte-coreano e por possuir credenciais futebolísticas peculiares, passou a ser convocado para defender a seleção de seu país. Teoricamente, as melhores seleções asiáticas desta Copa são o Japão e a Coreia do Sul, que inclusive tem no seu plantel o meia Park Ji-Sung, que atua no poderoso Manchester United, da Inglaterra. Tae-Se, que no jogo de ontem deixou o zagueiro brasileiro Juan no chão, tranquilamente poderia fazer parte de uma dessas seleções. Só que sua opção foi defender a Coreia do Norte.

A opção de Tae-Se, assim como suas lágrimas, são oportunidades únicas em nossas vidas para refletirmos sobre estereótipos que nos são passados. Alemães orientais pulavam o muro para o lado ocidental. Cubanos fogem para Miami, enquanto norte-coreanos fogem para o sul e para a China. Se a Coreia do Norte é este Estado demônio, se lá não tem liberdade política, se lá as pessoas passam fome, qual a razão das lágrimas de um atleta que em suas entrevistas diz que o povo do seu país é gentil e democrático?

O que sabemos sobre a Coreia do Norte? Do pouco que julgamos saber ou conhecer, quem nos garante a idoneidade das informações? O que nos garante que o povo norte-coreano não é feliz e confiante diante de suas conquistas e dificuldades, que sequer conhecemos? Antes de julgar é preciso ter conhecimento de causa. E as lágrimas de Tae-Se são uma oportunidade para tanto.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

3 comentários:

  1. Ele não mora na Coréia do Norte.
    Assim como muitos brasileiros, que adoram o governo cubano, não moram em Cuba.

    Acho que isso já diz muito.

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  2. Então por que ele chorou na execução do hino norte-coreano? Por que disse as palavras inscritas no início do texto?

    Eu conheço muitos brasileiros que defendem e CONHECEM Cuba pessoalmente. E aí?

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  3. Esse jogador não mora na Coreia do Norte. Nunca morou. Mora na Alemanha.

    Ele tem uma história muito parecida com a de um outro moleque. Escreveu um livro. Aquários de Pyongyang. Basicamente assim: um norte-coreano enriquece como joalheiro no Japão. Sua mulher se envolve com o partido comunista. Eles são mandados para a Coreia do Norte. Vão com os filhos. Os netos nascem. O avô é obrigado a doar pro partido todo o seu dinheiro e um Volvo. Eles são mandados pra um gulag.

    Esse jogador que chorou, como já disse, não mora na Coreia do Norte. Os outros jogadores não choraram. Um jogador fugiu da concentração.

    Será que a história teria sido a mesma se o chorão tivesse ido pra Coreia do Norte?

    Abraços.

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