terça-feira, 17 de agosto de 2010

O PRINCIPAL MOTIVO PARA SE VOTAR EM DILMA

A própria candidata do PT à presidência da república, Dilma Vana Rousseff Linhares, admite ser inexperiente no quesito eleitoral, afinal, é a primeira vez que se candidata a um cargo eletivo. Experiência política não lhe falta, pois ao longo de sua carreira foi Secretária de Fazenda no Rio Grande do Sul, Ministra das Minas e Energia e da Casa Civil no Governo Lula, dentre outras atividades. O Ministro da Casa Civil é uma espécie de secretário de administração do Presidente, o cargo mais importante do poder executivo em nível federal depois da Presidência e Vice-Presidência. Logo, proporciona experiência maior do que a de governador de qualquer estado.

Porém, o maior motivo para se votar em Dilma, ao contrário do que quer fazer crer a capa da revista Época desta semana, é a sua luta contra a ditadura. Em 1964, num contexto mundial de guerra fria, o Brasil sofreu um golpe de Estado, patrocinado pelos EUA, que usurpou da população o direito dela escolher seus governantes. O custo disso foram inúmeras mortes, torturas e enterros clandestinos de todos aqueles que, num primeiro momento, optaram por se declarar opositores do regime, fosse pela via armada ou pacífica. Depois, no final dos anos 60 e início dos 70, a ditadura atinge o seu auge torturando e matando indiscriminadamente. Bastava ser considerado suspeito.

Não há nada mais nobre do que Dilma ter optado por se opor declaradamente ao regime militar e se orgulhar disso. Perto dela não somos nada. É muito fácil expor ideias na internet depois que a luta da candidata à Presidência da República nos devolveu o direito de manifestar livremente para defender aquilo que julgamos ser melhor para a sociedade. A ditadura nos confiscou isso e conforme a própria declaração universal dos direitos humanos, todos os povos tem o direito de promover inssurreições contra governos corruptos que usurpam o poder político. Essa foi a opção de Dilma e muitos em suas juventudes.

À direita e suas fileiras extremistas nunca restou alternativa. Nunca tiveram argumentos, nunca souberam debater com categoria e não possuem um projeto político para o país. Apenas querem voltar à presidência da república para vender o Brasil, do mesmo jeito que o venderam ao golpe em 1964, do mesmo jeito que o "privatariaram" durante o governo FHC e nos choques de gestões estaduais tucanos. E quando veem a candidata de um projeto político popular se tornar cada vez mais a preferência do eleitorado nacional, na medida em que eles não tem projeto, resta-lhes questionar o carater de uma pessoa e sua nobre luta através da revista semanal do meio de comunicação oficial da ditadura militar: a rede globo de manipulação.

Portanto, votemos em Dilma. Tanto por sua competência e compromisso com a coisa pública em cargos de órgãos do poder executivo, como pela sua nobre luta, armada ou não, contra o regime militar.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

MONÓLOGOS E DIÁLOGOS

Mais uma vez a Rede Globo de Manipulação, uma das alas do PiG (Partido da Imprensa Golpista), demonstrou claramente aos telespectadores do Jornal Nacio-Anal quem é o seu candidato nas eleições presidenciais que se aproximam. Na verdade, nem precisava. Basta pesquisar sua postura na cobertura dos grandes fatos políticos do Brasil nos últimos 20, 30 anos, que se torna facílima a tarefa de identificar sua preferência. Mas para não deixar dúvidas, a ordem foi dada: deixem Serra falar e tentem espinafrar Dilma a todo momento.

Na entrevista com o candidato tucano, o casal apresentador se comportou como um juiz de direito num processo de jurisdição voluntária: função meramente administrativa. As interrupções apenas tinham a função de ordenar os assuntos da entrevista, para que desse tempo do candidato esclarecer tudo aquilo que a direita brasileira julga necessário esclarecer: pedágios, política de alianças, métodos de adminstração no governo FHC e no governo e prefeitura de São Paulo, etc.

Porém, dois dias antes, o que se viu foi a tentativa explícita de espinafrar, no ar, a candidata petista Dilma Rousseff: um monólogo de William Bonner, que a todo momento questionava rispidamente a candidata sem que ela pudesse sequer terminar de responder às perguntas elaboradas, somado ao tom cínico e canalha dos questionamentos referentes à uma suposta personalidade autoritária de Dilma.


Ainda sim, a candidata se saiu muito bem. Respondeu à altura, porém com categoria e de forma esclarecedora, a todas às perguntas elaboradas e ao ataque feito indiscriminadamente, de modo que a tentativa de se desgatar a candidata do PT se converteu numa oportunidade a mais dela mostrar qual o programa político será executado se ela for eleita presidente (oxalá assim aconteça!).

No final das contas, foi isso: mais uma demonstração de que a grande mídia tem, sim, a sua preferência nessas eleições. E no que depender dela, Serra será imposto guela abaixo na garganta da população brasileira. Pouco importa qual o seu programa político, o seu projeto para o país. Só não contavam com uma Dilma Rousseff estrategicamente preparada o suficiente para não cair na armadilha, o que tornou a tentativa de espinafrada numa chance a mais de Dilma mostrar porque é a melhor opção para o eleitor brasileiro nessas eleições.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Outros assuntos

Antes Selenike, agora Seleglobo. A ala do PiG liderada pela família Marinho não transmitiu a primeira partida da seleção brasileira de futebol, em TV aberta, após a copa na Africa, contra os EUA. Pouco menos permitiu que outra emissora transmitisse. Os interessados que assistissem o jogo apenas pela internet ou pelo Sportv, seu canal fechado 24h esporte. De quebra, o repórter/comentarista Alex Escobar, funcionário da emissora xingado por Dunga durante uma entrevista coletiva na copa, foi presenteado com uma camisa da seleção. Afinal, nem bem Mano Menezes assumiu e os privilégios à emissora voltaram a ser concedidos.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

CHÁVEZ, URIBE E A ESQUERDA COLOMBIANA

As FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) foram criadas na década de 60 para que os camponeses do nosso país vizinho pudessem resistir às ações terroristas de latifundiários aliançados a paramilitares narcotraficantes que tinham o único objetivo de se apossarem de terras, o que não deixa de ser uma forma de grilagem. Porém, na medida em que o tempo passou, a guerrilha colombiana passou a tomar certas atitudes que a levaram para o isolamento político, como por exemplo o sequestro de civis e turistas estrangeiros. Infelizmente, o presidente colombiano retirante, Álvaro Uribe Veléz, uma espécie de Mussolini latino americano moderno, atingiu sim patamares de elevada popularidade justamente por se colocar à população como o grande algoz das FARC, o que não é nenhum discurso de direita, muito pelo contrário. Conforme nos disse uma leitora do blogue, o próprio Fidel Castro tem suas restrições às FARC.

Por outro lado, a direita colombiana, a exemplo das principais extremas-direitas mundiais, não tem muito a oferecer quando o assunto é idoneidade política. Ao longo de sua existência, grande parte de suas ações foram deflagradas por exércitos privados financiados pelo lucro do tráfico de entorpecentes. Acusava-se as FARC de ser financiada pelo tráfico de drogas quando na verdade a extrema-direita colombiana o era.

Poucos dias antes de terminar seu mandato, Álvaro Uribe, então eleito de forma questionável, acusa Hugo Chávez de abrigar membros das FARC em território venezuelano. Em resposta, a Venezuela rompeu as relações com a Colômbia, tendo em vista a ameaça de invasão militar devido à acusação de Uribe, que calunia descaradamente o presidente venezuelano ao não se recordar da negociação de libertação de presos políticos das FARC na qual Hugo Chávez esteve envolvido, em 2008.

A indisposição criada por Uribe faz renascer o debate sobre qual deve ser a saída para os conflitos armados entre a direita e a esquerda colombiana. Mesmo com a pertinente e correta crítica feita ao isolamento das FARC, também é preciso ressaltar que em meados da década de 80 houve um processo de desarmamento da guerrilha que culminou na morte indiscriminada de seus membros. A reinserção de ex-guerrilheiros na vida política da Colômbia deve, imprescindivelmente, estar acompanhada da garantia imaculada de que eles não virão a sofrer qualquer atentado em razão de suas opiniões e seu passado.

Por sua vez, a posse do novo presidente colombiano é uma oportunidade para que o país reveja sua postura de satélite estadunidense na América Latina. Um conflito armado entre Colômbia e Venezuela não traria benefícios a nenhum dos dois povos, pouco menos para seus vizinhos latino americanos. Seria muito bom que esta nova administração servisse como uma ponte de diálogo entre os dois países, de modo que se respeite as escolhas e rumos seguidos por cada um nos seus âmbitos internos, assim como seria interessante a Colômbia se dar a oportunidade de abrir o diálogo com os demais países da América do Sul e se inserir no processo de integração regional que estes países tem construído ao longo dos últimos anos.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre o conflito, as FARC e o narcotráfico na Colômbia: