quinta-feira, 5 de agosto de 2010

CHÁVEZ, URIBE E A ESQUERDA COLOMBIANA

As FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) foram criadas na década de 60 para que os camponeses do nosso país vizinho pudessem resistir às ações terroristas de latifundiários aliançados a paramilitares narcotraficantes que tinham o único objetivo de se apossarem de terras, o que não deixa de ser uma forma de grilagem. Porém, na medida em que o tempo passou, a guerrilha colombiana passou a tomar certas atitudes que a levaram para o isolamento político, como por exemplo o sequestro de civis e turistas estrangeiros. Infelizmente, o presidente colombiano retirante, Álvaro Uribe Veléz, uma espécie de Mussolini latino americano moderno, atingiu sim patamares de elevada popularidade justamente por se colocar à população como o grande algoz das FARC, o que não é nenhum discurso de direita, muito pelo contrário. Conforme nos disse uma leitora do blogue, o próprio Fidel Castro tem suas restrições às FARC.

Por outro lado, a direita colombiana, a exemplo das principais extremas-direitas mundiais, não tem muito a oferecer quando o assunto é idoneidade política. Ao longo de sua existência, grande parte de suas ações foram deflagradas por exércitos privados financiados pelo lucro do tráfico de entorpecentes. Acusava-se as FARC de ser financiada pelo tráfico de drogas quando na verdade a extrema-direita colombiana o era.

Poucos dias antes de terminar seu mandato, Álvaro Uribe, então eleito de forma questionável, acusa Hugo Chávez de abrigar membros das FARC em território venezuelano. Em resposta, a Venezuela rompeu as relações com a Colômbia, tendo em vista a ameaça de invasão militar devido à acusação de Uribe, que calunia descaradamente o presidente venezuelano ao não se recordar da negociação de libertação de presos políticos das FARC na qual Hugo Chávez esteve envolvido, em 2008.

A indisposição criada por Uribe faz renascer o debate sobre qual deve ser a saída para os conflitos armados entre a direita e a esquerda colombiana. Mesmo com a pertinente e correta crítica feita ao isolamento das FARC, também é preciso ressaltar que em meados da década de 80 houve um processo de desarmamento da guerrilha que culminou na morte indiscriminada de seus membros. A reinserção de ex-guerrilheiros na vida política da Colômbia deve, imprescindivelmente, estar acompanhada da garantia imaculada de que eles não virão a sofrer qualquer atentado em razão de suas opiniões e seu passado.

Por sua vez, a posse do novo presidente colombiano é uma oportunidade para que o país reveja sua postura de satélite estadunidense na América Latina. Um conflito armado entre Colômbia e Venezuela não traria benefícios a nenhum dos dois povos, pouco menos para seus vizinhos latino americanos. Seria muito bom que esta nova administração servisse como uma ponte de diálogo entre os dois países, de modo que se respeite as escolhas e rumos seguidos por cada um nos seus âmbitos internos, assim como seria interessante a Colômbia se dar a oportunidade de abrir o diálogo com os demais países da América do Sul e se inserir no processo de integração regional que estes países tem construído ao longo dos últimos anos.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre o conflito, as FARC e o narcotráfico na Colômbia:

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