quarta-feira, 24 de novembro de 2010

COMO LER OS AUTOS DE UM PROCESSO?

Durante as eleições, sob o argumento de querer oferecer aos seus leitores mais dados históricos da vida da candidata Dilma Rousseff, a Folha de São Paulo pediu, no Supremo Tribunal Militar, o desarquivamento do processo respondido pela petista durante a ditadura. Entretanto, quais seriam as verdadeiras intenções da Folha de São Paulo? Nunca é demais lembrar que este jornal emprestava veículos para a operação bandeirantes prender e torturar "subversivos", que publicou em sua capa uma ficha falsa de Dilma elaborada por neonazistas e chamou o período militar de ditabranda em um dos seus editoriais.

Os autos de um processo são públicos e podem ser vistos por qualquer pessoa, exceto se houver segredo de justiça, de tal forma que, a priori, não há nada demais em consultar o processo respondido por Dilma ou por qualquer outro cidadão infelizmente torturado. O grande problema é a versão e a opinião que jornalistas e colunistas da Folha darão sobre um depoimento tomado sob tortura e, por que não, num tribunal de exceção, afinal, Dilma e demais presos políticos respondiam por "crimes" cometidos por cidadãos comuns num órgão do poder judiciário destinado a julgar infrações cometidas por membros das Forças Armadas.

Também é de se suspeitar a inércia da Folha durante todo esse tempo, pois após publicar uma ficha falsa de Dilma, emprestar carros para a OBAN e chamar a ditadura de ditabranda, o desarquivamento do processo foi pedido em época de eleição.

Tornar público o processo respondido por Dilma é uma oportunidade de se acertar as contas com o passado. Um povo que não conhece a sua história está condenado a repetí-la, já dizia a célebre frase de autor desconhecido. Muitos torturadores de outrora hoje estão soltos e vivem como se nada tivesse acontecido, enquanto vários vizinhos nossos do cone sul continuam a condenar militares ex-ditadores por crimes de lesa pátria e lesa humanidade.

Antes de qualquer manchete ou coluna de jornal, primeiramente é preciso ouvir o que Dilma tem a dizer sobre o processo ao qual ela respondeu, por se tratar de um julgamento injusto feito num período de exceção. Por isso, qualquer comentário a respeito da Primeira Presidenta do Brasil que venha a difamar e macular sua trajetória não merece nenhum crédito, pois nas próprias palavras da Presidenta eleita, "não dá valor à democracia quem a compara com a ditadura".

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre o assunto:

Um comentário:

  1. É de se perguntar também porque raios a mesma folha não foi atrás de outros condenados políticos ou mesmo se o jornaleco acha que Herzog se matou mesmo...

    Burrice pouca é bobagem

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