terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

PERSPECTIVAS PARA UM NOVO EGITO

Depois de praticamente 30 anos sob a ditadura de Hosni Mubarak, o Egito se reune para construir um novo pais a partir de sua autodeterminação e soberania. Para se ter uma ideia, nas palavras (via twitter) do sábio e invejável Emir Sader, o país em questão representa para o Oriente Médio algo similar ao que o Brasil representa para a América Latina. Assim, ao mesmo tempo em que tem a oportunidade de se reestruturar internamente para suprir diversas necessidades sociais urgentes, em âmbito externo o Egito, em razão do seu peso político regional, tem a oportunidade de desempenhar um decisivo papel internacional: reconhecer assiduamente a existência  do Estado Palestino.

Se fosse para o responsável pelo blogue escolher, o Egito de cara se tornaria um país socialista. Porém, como os próprios Marx e Engles eram materialistas históricos por excelência e a realidade história e objetiva é dialética, o mais importante é o povo egípcio edificar um novo Estado conforme sua vontade. Não importa se nascerá um Estado socialista, um Estado islâmico ou qualquer outro rótulo que se queira dar. A legitimidade da derrubada de Mubarak está condicionada à escolha soberana do povo egípcio conforme ditar sua autodeterminação.

Outro fator para o qual se chama a atenção é o grito de liberdade generalizado no Oriente Médio e no norte da África, onde diversos países considerados aliados do ocidente assistem à insurreições populares (ou tentativas destas). Destes Estados, considerável parte infelizmente compõe aquilo que podemos chamar de "países de mentira", pois são ditaduras que mantém, há decadas, o mesmo chefe de Estado, família ou oligarquia no poder à custa de serem satélites ocidentais onde se lava dinheiro para promover a cultura ocidental, que se materializa principalmente em parques de diversões de última geração, estações de esqui artificiais e hotéis hiper luxuosos.

Na primeira década do terceiro milênio, a imensa maioria dos países latino-americanos, vilipendiados por democracias liberais, que introduziram no continente a agenda e a cartilha do Consenso de Washington, passaram a ver seus povos elegerem governantes com maiores preocupações sociais aliadas ao fortalecimento do Estado. Que na segunda década, então, estes ventos de mudança continuem e soprem aos povos do Oriente Médio novas perspectivas, baseadas na suas autodeterminações e respectivas soberanias.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre o Egito:

REVOLTA ÁRABE: SÉRIE ESPECIAL DE REPORTAGENS DA CARTA MAIOR