domingo, 6 de março de 2011

OBRIGADO, ALBERTO GRANADO



Ninguém faz nada sozinho. Quando da viagem de Che Guevara pela América Latina, lá estava com ele Alberto Granado, que ao explorar os rincões de Nossa América compreendeu, assim como seu companheiro de viagem, que algo estava errado e precisava ser mudado.

A luta por justiça social demandava compromisso e nas palavras do Che, seu amigo era fundamental. Após a viagem e o posterior triunfo da Revolução Cubana, Alberto Granado mudou-se para a ilha e disponibilizou todo seu conhecimento em prol da construção de uma nova sociedade baseada no fim da exploração do homem pelo homem.

Se Cuba se tornou um exemplo de luta constante e interminável pelo bem estar de todos sem distinção, muito disso se deve aos esforços de Alberto Granado, a quem todas as mais justas homenagens deverão ser rendidas neste momento em que ele nos deixa.

Porém, assim como seu fiel companheiro, suas ideias permanecem.

Obrigado, Alberto Granado!

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

sexta-feira, 4 de março de 2011

COMO DESCREVER O QUE ACONTECE NA LÍBIA?

Conforme debatido no artigo abaixo, os mais importantes princípios de direito internacional são a autodeterminação dos povos e a soberania, quando se trata de reconhecer governos, eleições livres, insurreições, etc. Há poucas semanas, foi dado como incontroverso pela grande mídia que a febre de revoltas populares no mundo árabe, que parecem combinadas para acontecer simultaneamente, finalmente teriam chegado à Líbia para de uma vez por todas derrubar um governante déspota e opressor. Seria Muamar Kadafi todo esse demônio?

Em 1950, a Idris I é confiada a coroa da Líbia após a ONU (Organização das Nações Unidas) formar uma Assembleia Nacional representando os territórios do Fezzan (administrado França), da Tripolitânia e da Cirenaica (administrados pela Grã-Bretanha). Estes dois países fazem permanecer suas bases militares no país e passam a explorar seu imenso potencial petrolífero, responsável por imenso percentual do PIB. No ano de 1969, um levante liderado pelo então Coronel Muamar Kadafi, intitulado de "oficiais livres", depõe o monarca e a Líbia passa a viver um novo regime político.

Tradicionalmente tribal, a Líbia viu Kadafi fundar novas instituições políticas como o Congresso Popular e os comitês populares, mas a tradição falou mais alto. Na década de 80, próxima de países árabes e do bloco socialista, sob a batuta de Kadafi a Líbia é acusada de financiar movimentos separatistas europeus e os EUA bombardeiam Trípoli (a capital) e Bengazi (segunda maior cidade do país). Passados aproximadamente 30 anos depois, Khadafi permite o livre comércio, há uma trégua com o ocidente e a Líbia se torna aliada dos EUA e Inglaterra.

Bem que um dos leitores disse ao responsável pelo blogue, via MSN, que haviam oportunistas nas recentes revoltas no mundo árabe. Enquanto a tônica dos debates acerca de Tunísia e Egito era o futuro destes países com um novo regime, sobre a Líbia, desde um primeiro momento se falava em reposicionamento de tropas dos EUA na região, sanções da OTAN e da União Europeia, etc.

A cobertura jornalística dos fatos está ligada à visão ($$$) dos meios de comunicação sobre o mundo. Logo, ainda não há fontes de informações suficientes para uma real descrição dos acontecimentos, no que pese a cobertura de veículos diferenciados como a Telesul e a Al-Jazeera. O destino do povo líbio deve ser resolvido por si só, de forma a materializar os princípios de direito internacional da soberania e da autodeterminação dos povos. Inclusive, houveram manifestações de militantes que declararam não aceitar interferência internacional, o que é um ótimo sinal.

Por outro lado, Kadafi não pode usar estes princípios como subterfúgios para abrir fogo indiscriminadamente contra manifestantes e tudo ficar por isso mesmo, pois da mesma forma em que há os princípios da autodeterminação dos povos e soberania, cabe à comunidade internacional reconhecer, por exemplo, a legitimidade de um governo, de um regime e a existência de um Estado, de tal maneira que é totalmente lúcida e plausível a proposta do Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de se criar uma comissão internacional para apurar o que se passa naquele país árabe norte africano.

É dever do povo líbio definir qual será seu futuro e de Kadafi, já há mais de 40 anos no poder, abrir o diálogo. Qualquer ação no sentido de pôr em risco a vida de qualquer cidadão é motivo de repulsa e indignação, tanto política quanto jurídica. Porém, toda qualquer intromissão política e militar dos EUA e da OTAN caracterizam imperialismo, o que paradoxalmente acaba legitimando a resistência que Kadafi vier a opor.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre os conflitos na Líbia: