sexta-feira, 4 de março de 2011

COMO DESCREVER O QUE ACONTECE NA LÍBIA?

Conforme debatido no artigo abaixo, os mais importantes princípios de direito internacional são a autodeterminação dos povos e a soberania, quando se trata de reconhecer governos, eleições livres, insurreições, etc. Há poucas semanas, foi dado como incontroverso pela grande mídia que a febre de revoltas populares no mundo árabe, que parecem combinadas para acontecer simultaneamente, finalmente teriam chegado à Líbia para de uma vez por todas derrubar um governante déspota e opressor. Seria Muamar Kadafi todo esse demônio?

Em 1950, a Idris I é confiada a coroa da Líbia após a ONU (Organização das Nações Unidas) formar uma Assembleia Nacional representando os territórios do Fezzan (administrado França), da Tripolitânia e da Cirenaica (administrados pela Grã-Bretanha). Estes dois países fazem permanecer suas bases militares no país e passam a explorar seu imenso potencial petrolífero, responsável por imenso percentual do PIB. No ano de 1969, um levante liderado pelo então Coronel Muamar Kadafi, intitulado de "oficiais livres", depõe o monarca e a Líbia passa a viver um novo regime político.

Tradicionalmente tribal, a Líbia viu Kadafi fundar novas instituições políticas como o Congresso Popular e os comitês populares, mas a tradição falou mais alto. Na década de 80, próxima de países árabes e do bloco socialista, sob a batuta de Kadafi a Líbia é acusada de financiar movimentos separatistas europeus e os EUA bombardeiam Trípoli (a capital) e Bengazi (segunda maior cidade do país). Passados aproximadamente 30 anos depois, Khadafi permite o livre comércio, há uma trégua com o ocidente e a Líbia se torna aliada dos EUA e Inglaterra.

Bem que um dos leitores disse ao responsável pelo blogue, via MSN, que haviam oportunistas nas recentes revoltas no mundo árabe. Enquanto a tônica dos debates acerca de Tunísia e Egito era o futuro destes países com um novo regime, sobre a Líbia, desde um primeiro momento se falava em reposicionamento de tropas dos EUA na região, sanções da OTAN e da União Europeia, etc.

A cobertura jornalística dos fatos está ligada à visão ($$$) dos meios de comunicação sobre o mundo. Logo, ainda não há fontes de informações suficientes para uma real descrição dos acontecimentos, no que pese a cobertura de veículos diferenciados como a Telesul e a Al-Jazeera. O destino do povo líbio deve ser resolvido por si só, de forma a materializar os princípios de direito internacional da soberania e da autodeterminação dos povos. Inclusive, houveram manifestações de militantes que declararam não aceitar interferência internacional, o que é um ótimo sinal.

Por outro lado, Kadafi não pode usar estes princípios como subterfúgios para abrir fogo indiscriminadamente contra manifestantes e tudo ficar por isso mesmo, pois da mesma forma em que há os princípios da autodeterminação dos povos e soberania, cabe à comunidade internacional reconhecer, por exemplo, a legitimidade de um governo, de um regime e a existência de um Estado, de tal maneira que é totalmente lúcida e plausível a proposta do Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de se criar uma comissão internacional para apurar o que se passa naquele país árabe norte africano.

É dever do povo líbio definir qual será seu futuro e de Kadafi, já há mais de 40 anos no poder, abrir o diálogo. Qualquer ação no sentido de pôr em risco a vida de qualquer cidadão é motivo de repulsa e indignação, tanto política quanto jurídica. Porém, toda qualquer intromissão política e militar dos EUA e da OTAN caracterizam imperialismo, o que paradoxalmente acaba legitimando a resistência que Kadafi vier a opor.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre os conflitos na Líbia:

2 comentários:

  1. Mesmo considerando Kadafi um tirano, é óbvio que cabe somente aos líbios darem um basta a essa tirania. Essa situação da Líbia lembra a do Iraque pré-invasão ianque. Ninguém em sã consciência (e sem interesses escusos, é claro) concordava com a ditadura Hussein, no entanto, muito pior que qualquer ditadura é a invasão de um país por tropas estrangeiras com objetivos imperialistas. Sempre lembrando que o conceito de “Guerra Humanitária” não passa de hipocrisia e patifaria.

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  2. li o texto acima mas não entendi nada sobre essa guerra, que esta acontecendo..
    alguem pode explicar de uma forma facil?

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