segunda-feira, 25 de abril de 2011

CUBA: A ANTÍTESE VIVA

Talvez a característica mais louvável de um líder e também a mais escassa nos últimos tempos, seja a humildade de assumir erros ou de perceber que é hora de se retirar do cenário. Assim o fez no dia 19/04, o ex-Presidente e agora ex-Secretário Geral do Partido Comunista Cubano (PCC), Fidel Castro Ruz. Após cinco décadas a frente do órgão máximo da política do país, o Comandante retirou-se com muita emoção , deixando uma longa jornada de trabalho aos novos representantes eleitos no VI Congresso do Partido, incumbidos de colocar em prática os lineamientos, reformas votadas e aprovadas para a reestruturação do Estado e economia cubanos.

Ao afastar-se por completo das ações formais na direção política nacional, Fidel demonstra a todos a necessidade da constante renovação, a busca pelo aprimoramento e a atenção às necessidades da população. Em publicação recente, o líder máximo da Revolução Cubana escreveu que “a nova geração está sendo chamada a retificar e alterar sem hesitação tudo que deve ser retificado e alterado, e a continuar demonstrando que o socialismo é também a arte de fazer o impossível acontecer” (Jornal Granma).

Com cinqüenta e três anos de governo socialista, Cuba apresenta índices sociais invejáveis, como a taxa de alfabetização da população em 99,8% (ONU, 2007), expectativa de vida em torno de 79 anos (ONU, 2010), além do amplo sistema de saúde disponível gratuitamente a todos. Muitos hoje pensam que todas essas conquistas são resultado de anos de opressão e ditadura. As eleições mostram o contrário e as amplas discussões nos bairros, por meio dos CDR´s (Comitês de Defesa da Revolução), indicam uma democracia amplamente participativa, dinâmica e real, distinta do padrão da chamada “democracia ocidental”.

Ao contrário do ocorrido na URSS, em Cuba não há exaltação da figura de Fidel ou de Raul, mas sim mensagens em todos os cantos conclamando a defesa das conquistas do modelo socialista.

Em se tratando de Raul Castro, a fala no discurso de abertura do congresso foi objetiva: a juventude tem que assumir a dianteira da política nacional e mudar o que for necessário para preservar o socialismo, tendo em vista que esse é o último congresso em que a velha guarda estará presente.

A ilha caribenha caminha agora para a reestruturação econômica e renovação política, com a diminuição do papel do Estado em algumas áreas, fim da libreta, redução do funcionalismo público e período de mandato restrito de 5 anos para cargos governamentais, com uma possibilidade de reeleição.

Mesmo com o criminoso bloqueio econômico imposto pelos EUA, gerador de perdas em torno de U$ 750 bilhões, apesar de 19 resoluções da ONU pela sua suspensão, Cuba continua sendo o símbolo da antítese ao modelo sócio-econômico excludente e explorador do capitalismo.

O socialismo cubano não segue modelos estanques, está em constante construção. Sob a conduta requisitada por Raúl Castro no fechamento do congresso, expressa nas palavras ordem, disciplina e exigência, seu futuro será o que decidir sua própria população, num exercício pleno de democracia.

A saída de Fidel representa uma nova etapa dos 53 anos de Revolução. Demonstra a força da liderança, amparada no apoio popular, além da necessidade constante de enfrentar as adversidades e romper paradigmas. A contradição está, mais do que nunca, instalada. A renovação do socialismo cubano é não um modelo, mas uma inspiração, para a continuidade na busca por dias melhores.

Nas palavras do Comandante Fidel Castro, em 1976, referindo-se à Vitória na Playa Girón, contra mercenários financiados pelos estadunidenses, “A partir de Girón todos los pueblos de América fueron un poco más libres”.

Como havia previsto a mais de cinco décadas atrás, a história o absolveu.

* Tiago Barbosa Mafra é Professor de Geografia e História na Rede Pública Municipal de Poços de Caldas e no Pré Vestibular Comunitário Educafro. Compôs, em 2011, a XVIII Brigada Sul Americana de Solidariedade a Cuba.

terça-feira, 12 de abril de 2011

POR QUE ASSISTIR AMOR E REVOLUÇÃO?

O golpe de 64, arquitetado desde o final da Segunda Guerra Mundial, foi muito mais do que tão somente impedir a população brasileira de escolher os seus representantes. E o SBT, uma das maiores emissoras privadas brasileiras de TV, retrata em sua nova novela a realidade de um regime político defendido pela rede globo.

Os próximos capítulos continuarão a mostrar a triste prática corriqueira da ditadura: torturas e assassinatos dos "inimigos da ordem". Assim, somente os próximos capítulos para responder se veremos uma amostra do comportamento da grande mídia à época dos fatos: apoio total ao regime!

Seria de suma importância que se mostrasse tal postura. Numa exibição da twitcam no último dia 31, o sociólogo Emir Sader foi muito feliz ao sugerir a leitura de Cães de Guarda, autorado por Beatriz Kushnir, da Editora Boitempo. Em sua obra, Beatriz magistralmente desmitifica a ideia de que a imprensa foi uma simples vítima da censura. Em Amor e Revolução, a princípio só é mostrada a resistência ao golpe de um jornal no qual trabalha um ex-militante do Partido Comunista Brasileiro, interpretado por Mário Cardoso.

Com ou sem debate sobre o papel da grande mídia no infeliz sucesso do golpe, Amor e Revolução é um choque de realidade. Sim, o regime militar, com apoio dos EUA e "sob o signo do anticomunismo", torturava e matava para impor sua ordem policialesca, intimidar a população e obter informações que o levava a prender seus inimigos que depois seriam torturados e mortos.

Sábias são as palavras do Professor Emir Sader (também via twitcam), do alto de sua invejável lucidez: é preciso aprender sobre os fatos e compreendê-los para que nunca mais se repitam. Os depoimentos dos perseguidos e torturados após a exibição dos capítulos são a lição histórica de coragem daqueles que arriscaram suas vidas contra a truculência, por um ideal. Portanto, vale e muito a pena assistir Amor e Revolução.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para se interar sobre Amor e Revolução e saber mais sobre o golpe militar e a postura da imprensa: