Anunciada a morte de Kim Jong Il, líder
coreano popular, a grande mídia tratou, imediatamente, de divulgar suas
calúnias por aí. Muito provavelmente, nos próximos dias veremos um
absurdo maior do que o outro quando o assunto em pauta se tratar da
Coreia Popular. Entretanto, o primeiro requisito para criticar é ter
conhecimento de causa.
A Coreia Popular não deve nada a
ninguém. Do mesmo modo que outros países, historicamente a Coreia
Popular enfrentou seus problemas de frente depois de ter "comido o pão
que o diabo amassou", como dizemos do lado de cá. Errou, acertou e
diante das circunstâncias, tomou em suas mãos as rédeas da carruagem de
sua história e se reergueu autodeterminada e soberana.
Os maiores opositores da Coreia
Popular não tem qualquer moral para desdenhar do país. Dizem que lá tem
fome, opressão, desrespeito aos direitos humanos, mas por um revanchismo
puramente babaca, sonham mesmo com a Coreia da forma que ela era antes de sua revolução: um sorvedouro de prostitutas para os exércitos invasores.
Na verdade, se critica por criticar,
para apurrinhar mesmo, encher o saco. Criticaram assiduamente o centro
avante Jong Tae Se na última copa em razão do seu copioso choro antes de
iniciar a partida contra o Brasil, assim como se veiculou que em razão
do pífio desempenho, os jogadores seriam punidos severamente com
trabalhos forçados em minas de carvão. Entretanto, de uns tempos pra cá
não se vê nenhum jogador brasileiro vestir a amarelinha com orgulho de
representar o país nos gramados do mundo, mas sim com o intuito de saber
quanto a Nike, a Seara, a Vivo e o Itaú darão como premiação. Enquanto
isso, chove denúncias na Justiça e no Ministério Público do Trabalho do
crime de redução à condição análoga de escravo nos latifúndios,
carvoarias e canaviais dos nossos rincões.
Num país cristão como o Brasil,
constantemente se passa através da grande mídia uma imagem satanizada da
Coreia Popular. Um país em tese militarizado que não concede aos seus
cidadãos o mínimo direito humano de liberdade de expressão. Enquanto
isso, aqui no Brasil, assim como na própria Coreia do Sul, manifestações
sindicais e estudantis por melhores salários e condições de trabalho
são duramente reprimidas pela polícia. Achincalham constantemente a
Coreia Popular por ela supostamente se utilizar da força castrense para
reprimir cidadãos, mas é aqui no Brasil que reitor de universidade, que manda a polícia descer o cacete em estudante, se posiciona contra a indenização dos crimes cometidos pela ditadura. Quem na grande mídia
chamou atenção a isso? Quem, na verdade, necessita de aulas de
democracia?
Após a Guerra da Coreia, a Guerra
Fria, e a Queda do Muro de Berlim, a Coreia Popular passou por uma
grande provação histórica: manter-se socialista e seguir seu próprio
caminho em meio a morte de seu maior expoente histórico, Kim Il Sung, o
Grande Líder. Desta vez, estamos num mundo em ebulição diante de uma
crise internacional do capital financeiro (principalmente dos EUA e zona
do euro), de uma construção progressista da América Latina, da
Primavera Árabe e da transição Líbia pós assassinato de Kadafi pelas
tropas da OTAN. Dentre tudo isso, caberá mais uma vez ao povo coreano
popular escolher qual o caminho irá seguir, com a mesma bravura,
independência, soberania e autodeterminação de sempre. Escolher pela
continuidade do socialismo e defender arduamente suas conquistas
populares é a melhor forma de demonstrar que o esforço e morte de Kim
Jong Il não foram em vão.
Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.
Para saber mais sobre a Coreia Popular:
Acredito que o fortalecimento do estado é uma nova tendência que o socialismo defende. Ou seja, uma forma de governo extremamente atual. Porém, há um grande problema nisso, a má interpretação dos próprios governantes a respeito da filosofia por traz desse sistema. Por isso tem-se que tomar cuidado para não criticarmos a ânsia pelo poder capitalista excluindo a maioria quando da mesma forma se fala em Corea popular quando o que está em jogo nos altos escalões também é o poder. Nesse sentido a Corea é uma ditadura onde as pessoas não possuem liberdade de expressão, sim vi isso na mídia, mas busquei me inteirar. Olha que curioso, no google, a noite não dá pra se ver nada aceso na Corea do Norte, e nenhuma cidade deles está no mapa virtual do google. Claro esse sistema tem seus pontos positivos, mas pintar a Corea como um país popular, me desculpe, em minha opinião é um grande equívoco.
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