domingo, 1 de abril de 2012

DITADURA NUNCA MAIS!

Há 48 anos, o Brasil acordava sob os infelizes auspícios de um regime que seria a maior vergonha de sua história. Da noite pro dia, direitos fundamentais civis e políticos eram suprimidos em nome de um regime supostamente anti comunista que torturou e matou diversos seres humanos das mais variadas linhas de pensamento político que fizeram a opção pela resistência. Diversas sequelas desta poluição política e histórica ainda não foram sanadas.

É inegável o caráter patrocinador do governo estadunidense a uma empreitada política que infelizmente teve sucesso. Telefonemas da embaixada no Brasil para Washington, envio de enormes quantias de dinheiro e todos os esforços feitos no sentido de livrar nosso país das reformas de base encaminhadas pelo Presidente João Goulart, as quais os EUA consideravam hostis aos seus interesses. Tal intervenção estrangeira fazia cair por terra dois dos mais essenciais princípios de direito internacional: a autodeterminação dos povos e a soberania. Da noite de 31 de abril de 1964 até o final do regime, o Brasil se submetia militarmente aos mandos e desmandos dos EUA.

Depois do golpe no Brasil, vieram as ditaduras nos demais países do Cone Sul. A grande diferença reside no final delas. Enquanto Chile, Uruguai e Argentina tratam de averiguar os ocorridos e punir os assassinos e torturados de outrora, diversas pessoas que cooperaram com os regime de exceção estão ativas até hoje na cena política brasileira. A Comissão da Verdade é bem vinda, mas somente ela não basta. É preciso punir de alguma forma, sem exceção, todos aqueles que cooperaram e favoreceram as atrocidades cometidas pela ditadura.

Enquanto essas pessoas não são punidas, algo é preocupante e estarrecedor: a mentalidade pró-ditadura ainda existente numa minoria, mas que não pode ser ignorada, como por exemplo o questionamento do Senador Agripino Maia ao fato da atual Presidente Dilma ter mentido na ditadura. Lá e cá sempre se escutam pseudo argumentos do tipo "a ditadura nos salvou dos comunistas", "a ditadura foi um mal necessário", "foi torturado na ditadura quem era baderneiro", "no tempo dos militares o crescimento do Brasil foi maior do que na democracia". Argumentos chinfrins que ainda ecoam na mente dos acríticos à história e dos alienados. Lastimável.

Outra lenda da época infeliz, e isso é o que mais importa nesta página, é a ideia de que a grande imprensa foi perseguida no período de exceção. Cães de Guarda, de Beatriz Kushnir, desmente totalmente essa falácia. Os grandes meios de comunicação do Brasil foram fundamentais para que a repressão fizesse o que bem entendesse. As desorganizações grobo se tornaram o meio de comunicação oficial do regime, enquanto a Folha de São Paulo emprestava seus carros para os torturadores da Operação Bandeirantes darem fim nos seus inimigos políticos.

Capa do jornal O Globo. A imprensa era mesmo perseguida?

Todos aqueles que lutaram contra a ditadura não eram assassinos, assaltantes de bancos, pouco menos terroristas subversivos. São heróis da resistência que, dotados de espírito cidadão, foram à luta e ofereceram seus próprios corpos e suas próprias vidas contra as maiores atrocidades já sofridas pelo povo brasileiro. Por isso é impossível conceber que ainda haja uma Lei da Anistia que tenha perdoado tanto torturados como torturadores. Sendo o Brasil réu na Organização dos Estados Americanos em razão de crimes cometidos pela ditadura, a anista deve passar a valer somente para as vítimas do regime o quanto antes.

Tenhamos conhecimento e notícia dos fatos históricos para que episódios infelizes e espúrios não se repitam. Frase diversas vezes utlizadas aqui, nunca é demais utilizá-la novamente: um povo que não conhece sua história está condenado a repetí-la. Sejam feitas todas as reparações históricas às famílias das vitimas da ditadura e sejam investigados e condenados todos aqueles que cometeram crimes de tortura, lesa pátria e lesa humanidade, uma vez que estes crimes são imprescitíveis.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre a infeliz ditadura que vivemos:

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