sábado, 19 de maio de 2012

TORNEIO DESORGANIZAÇÕES GROBO BOSTA DE FUTEBOL

Nos tempos idos, já era uma grande preocupação de João Saldanha, ilustre botafoguense e gremista, placas de publicidade em volta dos gramados, patrocínios estampados nas camisetas dos clubes e contrato em dólar. Ao ver a camiseta de seu clube com um patrocínio, clássica foi a frase do lendário presidente corintiano, Vicente Matheus: "venderam o Corinthians"?

Na medida em que as receitas e dívidas gigantescas dos clubes começaram a aumentar com as estampas publicitárias, a grande fonte de recursos a manter os clubes passaram a ser a venda dos direitos de transmissão televisiva, sem contar o painel publicitário que se tornaram as camisas dos clubes, com patrocínio nas mangas, cintura e até mesmo na bunda dos calções. A cada camiseta, calção e meião que adquirimos, fazemos propaganda sem ganhar nada por isso. Somos outdoores ambulantes que topam qualquer negócio para vestir o "manto sagrado".

Por ser o país do futebol, o que diferencia o Brasil dos demais países é que aqui não há dois, três ou quatro grandes clubes atrás de títulos, mas sim pelo menos os doze de Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul, sem contar que Bahia, Coritiba e Sport também já faturaram o caneco. Porém, com a instituição dos pontos corridos e a disparidade de recursos paga pelas desorganizações grobo bosta, o futebol brasileiro caminha para a própria morte.

Se o Clube dos 13 era/é ou não uma instituição idônea, é outro assunto. Independente disso, quando no ano passado os clubes se rebelaram contra ele e passaram a negociar individualmente seus direitos de TV com as desorganizações grobo bosta, deu-se o primeiro passo para a disparidade, uma vez que uns terão quantias oriundas dos direitos de TV maiores que os de outros. Logo, é mais dinheiro para contratar e pagar maiores salários a melhores jogadores, algo que não será possível a clubes que tiverem menor poder econômico. Se as coisas se mantiverem assim, se estabelecerá uma casta que mudará toda a ordem de forças do futebol brasileiro e fará com que pouquíssimos clubes protagonizem vitórias e títulos, em detrimento de inúmeros demais que apenas se prestarão ao papel de coadjuvante.

No que pese a fórmula dos pontos corridos ser mais justa, ela por outro lado deu um tiro no pé do futebol brasileiro, pois encareceu o orçamento de inúmeros clubes que no meio do campeonato já não tem mais interesse nenhum: não estão brigando pelo título, por vaga na Libertadores e nem para não serem rebaixados para a segunda divisão. Cumprem tabela, como se diz no futebolês. Porém, a disparidade de recursos entre eles é culpa deles mesmos, pois o modelo proposto pelo Clube dos 13, que seria comprado pela Rede TV!, dividiria igualmente entre os clubes as cotas de TV. Sabe-se lá por quais motivos, clubes que foram prejudicados com essa venda disparitária dos direitos televisivos a tudo aceitaram de forma subserviente. Resultado: Flamengo e Corinthians sempre terão mais dinheiro para contratar e seus jogos serão os mais transmitidos ao longo das 38 rodadas do campeonato. A íntima relação pública CBF - Andrés Sanchez, ex-presidente do Timão, não é mera coincidência.

O que se iniciará neste final de semana não é o Campeonato Brasileiro do futebol que mais conquistou Copas do Mundo, mas sim de uma emissora de TV golpista, veículo de comunicação oficial da ditadura militar, que atualmente manda e desmanda no futebol brasileiro e impõe sua casta antidesportiva através da compra dos direitos televisivos de clubes cujos dirigentes, salvo raríssimas exceções, sequer moveram uma palha para impedir o prejuízo das instituições que representam. Otário daquele que torce.

Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre o torneio de futebol das desorganizações grobo bosta:

domingo, 6 de maio de 2012

UMA CHANCE AO FUTURO

Não estamos diante de uma eleição na qual a crise derrubou mais um Presidente, mas sim de uma eleição na qual um povo, através do seu eleitorado, escolheu a alternativa àquele que levou o país à crise. A bem da verdade, Sarkozy não somente deixou de combater a crise como também a moldou e a administrou, a ponto de interferir nos assuntos internos de vários países para, interna e externamente, conduzir a elaboração e execução de pacotes de austeridade que somente beneficia os mais ricos.

As eleições presidenciais francesas celebraram o fim da dupla "Merkozy". Soma-se a isso uma Itália política e economicamente enfraquecida, unida a uma Inglaterra autosuficiente em relação à zona do euro: a toda poderosa Angela Merkel, Primeira Ministra Alemã, está sozinha na liderança da solução da crise econômica que aflige a Europa.

A vitória de Hollande deve ser, necessariamente, a vitória contra o racismo e a xenofobia. Se as fronteiras foram inventadas pelo homem e há linhas divisórias que separam países, as regras de imigração não podem se basear na origem dos imigrantes e sua suposta inferioridade, pouco menos na cor de suas peles. O legado nazista de Sarkozy deve cessar imediatamente, assim como a tolerância deve vir à tona com o fim da proibição das mulheres francesas, adeptas do islamismo, de usarem a burca.

Entretanto, é muitíssimo provável que todo o debate das questões que separaram diametralmente Sarkozy e Hollande se dará intensamente. Bem analisado pelo professor e sociólogo Emir Sader, considerável elemento da vitória é o fato de que metade dos eleitores de Marine Le Pen, da extrema direita, não votaram em Sarkozy no segundo turno, ou seja, as propostas de Hollande e do Partido Socialista devem ser colocadas em prática de modo a convencer parte do eleitorado francês a mudar de opinião e até mesmo a preferência política.

O triunfo de Hollande demonstra, acima de tudo, que política não é somente técnica, que 1+1=2 não é a receita para a saída da crise para o povo francês e todos os povos do mundo. Há de ter propostas e criatividade a partir daquilo que se vive, daquilo que se sente. Independente das justificativas técnicas, o povo francês disse não à xenofobia, ao racismo, à versão moderna do nazismo e aos pacotes de austeridade para darem uma chance a um futuro melhor.

Em tradução livre: Vive le peuple! Vive la France!



Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre a vitória de Hollande e a conjuntura política europeia sobre a crise: