domingo, 6 de maio de 2012

UMA CHANCE AO FUTURO

Não estamos diante de uma eleição na qual a crise derrubou mais um Presidente, mas sim de uma eleição na qual um povo, através do seu eleitorado, escolheu a alternativa àquele que levou o país à crise. A bem da verdade, Sarkozy não somente deixou de combater a crise como também a moldou e a administrou, a ponto de interferir nos assuntos internos de vários países para, interna e externamente, conduzir a elaboração e execução de pacotes de austeridade que somente beneficia os mais ricos.

As eleições presidenciais francesas celebraram o fim da dupla "Merkozy". Soma-se a isso uma Itália política e economicamente enfraquecida, unida a uma Inglaterra autosuficiente em relação à zona do euro: a toda poderosa Angela Merkel, Primeira Ministra Alemã, está sozinha na liderança da solução da crise econômica que aflige a Europa.

A vitória de Hollande deve ser, necessariamente, a vitória contra o racismo e a xenofobia. Se as fronteiras foram inventadas pelo homem e há linhas divisórias que separam países, as regras de imigração não podem se basear na origem dos imigrantes e sua suposta inferioridade, pouco menos na cor de suas peles. O legado nazista de Sarkozy deve cessar imediatamente, assim como a tolerância deve vir à tona com o fim da proibição das mulheres francesas, adeptas do islamismo, de usarem a burca.

Entretanto, é muitíssimo provável que todo o debate das questões que separaram diametralmente Sarkozy e Hollande se dará intensamente. Bem analisado pelo professor e sociólogo Emir Sader, considerável elemento da vitória é o fato de que metade dos eleitores de Marine Le Pen, da extrema direita, não votaram em Sarkozy no segundo turno, ou seja, as propostas de Hollande e do Partido Socialista devem ser colocadas em prática de modo a convencer parte do eleitorado francês a mudar de opinião e até mesmo a preferência política.

O triunfo de Hollande demonstra, acima de tudo, que política não é somente técnica, que 1+1=2 não é a receita para a saída da crise para o povo francês e todos os povos do mundo. Há de ter propostas e criatividade a partir daquilo que se vive, daquilo que se sente. Independente das justificativas técnicas, o povo francês disse não à xenofobia, ao racismo, à versão moderna do nazismo e aos pacotes de austeridade para darem uma chance a um futuro melhor.

Em tradução livre: Vive le peuple! Vive la France!



Lucas Rafael Chianello, além da grande mídia.

Para saber mais sobre a vitória de Hollande e a conjuntura política europeia sobre a crise:


Um comentário:

  1. A vitória de Hollande tem que ir além de se encontrar soluções não ortodoxas para a crise. Faz-se necessário colocar em práticas políticas anti-neoliberais que por seu turno sejam capazes de resgatar um ideal socialista no Velho Continente.

    ResponderExcluir

Instruções para comentários:

1 - serão removidos pelo moderador aqueles que não estiverem relacionados com o conteúdo da postagem e/ ou conter palavras de baixo calão ou inapropriadas;

2 - para publicar seu comentário, você pode fazê-lo usando sua conta do google. CASO NÃO TIVER A CONTA DO GOOGLE OU PREFERIR NÃO USÁ-LA, escolha a opção Nome/URL e deixe a opção URL em branco que não haverá nenhum problema.